O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, a retirada total do sigilo de documentos relacionados ao caso Banco Master. Em ofício enviado nesta sexta-feira 11, Moraes afirmou que houve uma “escolha seletiva” na liberação de procedimentos conduzida pelo ministro André Mendonça.
Segundo o documento, Mendonça liberou parcialmente 15 procedimentos, mas deixou de fora 180 peças e documentos digitais. Moraes também pediu que Fachin determine à área de tecnologia do STF a certificação sobre a quantidade exata de procedimentos ligados às investigações.

Moraes anexou uma tabela para comparar os documentos que aparecem no sistema eletrônico da Corte com os que foram efetivamente disponibilizados. De acordo com o ministro, havia 4.514 peças em 15 procedimentos, mas apenas 4.334 se tornaram acessíveis.
Entre os processos citados, o inquérito 5026 teria 61 peças pendentes; a PET 15556, 54; a reclamação 88121, 35; a PET 15198, 23; e a PET 15978, sete.
Moraes pede julgamento conjunto
Além do levantamento completo do sigilo, Moraes solicitou que o STF analise de forma conjunta duas petições que envolvem o caso Master. Uma trata das mensagens trocadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o próprio Moraes. A outra reúne representações sobre a atuação de André Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero.
No ofício, Moraes argumenta que as duas discussões estão conectadas e que o julgamento separado pode dificultar a análise das provas. Ele também pediu a intimação de ministros citados nos autos para que possam prestar esclarecimentos e defender suas prerrogativas.
A manifestação ocorre depois de Mendonça retirar, na quinta-feira 10, o sigilo de parte das investigações relacionadas ao Banco Master e a Vorcaro, após solicitação de Fachin. Algumas frentes permaneceram restritas, entre elas as apurações sobre o financiamento do filme Dark Horse e conversas atribuídas a Vorcaro e ao senador Flávio Bolsonaro.
O caso aprofundou as divergências públicas entre integrantes do Supremo, a Procuradoria-Geral da República e a direção da Polícia Federal.