Um relatório da Polícia Federal (PF) cita a suspeita de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, tenha sido o beneficiário final ou proprietário de fato de um fundo de investimento que recebeu R$ 35 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Segundo a investigação, os recursos passaram pelo fundo Arleen, ligado ao resort Tayayá, no Paraná, que teve participação da família de Toffoli. Posteriormente, o dinheiro foi transferido para uma holding nas Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe.

PF aponta movimentações para o exterior
De acordo com o relatório, obtido pela revista piauí e divulgado nesta quinta-feira 10, o fundo Arleen teria adquirido participação em uma empresa relacionada ao resort Tayayá.
A PF aponta que, após o fundo ser transferido para o empresário Alberto Leite, amigo de Toffoli, houve uma alteração no regulamento que permitiu investimentos no exterior. Na sequência, os ativos foram direcionados para a Egide I Holding, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas.
Para os investigadores, os elementos analisados levantam a possibilidade de que Toffoli tenha sido o beneficiário final do fundo e de seus ativos. A PF, no entanto, afirma que não é possível chegar a conclusões definitivas apenas com os elementos analisados e recomenda o aprofundamento das investigações.
Relatório também cita decisões relacionadas ao Master
O documento também menciona uma decisão de Toffoli em um processo envolvendo um precatório de interesse do grupo Master.
Segundo a investigação, o ministro teria mudado sua posição em relação ao caso e votado favoravelmente ao grupo. A PF afirma que mensagens trocadas por integrantes ligados a Vorcaro levantaram suspeitas sobre uma possível tentativa de influência no julgamento.
O relatório, contudo, não apresenta conclusão definitiva de que houve interferência indevida e aponta a necessidade de aprofundar a apuração.
Toffoli nega relação próxima com Vorcaro
O gabinete de Dias Toffoli nega que o ministro tenha mantido relação de amizade com Daniel Vorcaro e rejeita a existência de favorecimento em decisões judiciais.
A defesa também contesta as suspeitas relacionadas às movimentações financeiras e afirma que o documento da PF foi arquivado após deliberação dos ministros do STF.