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Investigação

PF suspeita que Toffoli seja dono de fato de fundo que recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro

Fundo comprou cotas de empresa dos irmãos do ministro no resort Tayayá e depois mandou tudo para as Ilhas Virgens Britânicas; gabinete nega recursos no exterior
Agora RN
11/09/2026 | 13:58

A Polícia Federal trabalha com a suspeita de que Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), tenha sido o dono de fato ou o beneficiário final do Arleen, fundo de investimento que recebeu R$ 35 milhões do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A suspeita está num relatório que a PF encaminhou ao Supremo e que a revista piauí revelou na quinta-feira 10.

O caminho do dinheiro passa por um empreendimento ligado à família do ministro. O Arleen comprou cotas que a Maridt, empresa dos irmãos do ministro — José Carlos e José Eugenio Dias Toffoli —, tinha no resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná. O próprio ministro já admitiu ter feito parte do quadro de sócios do empreendimento.

Montagem com duas fotografias de Dias Toffoli e Daniel Vorcaro
Relatório da PF cita suspeitas envolvendo Dias Toffoli e recursos ligados ao Banco Master - Foto: Divulgação

Pela investigação, o fundo pertencia a Vorcaro até fevereiro de 2025, quando foi comprado pelo empresário Alberto Leite, amigo do ministro. Um mês depois, o Arleen mudou o regulamento para poder investir fora do País. Em dezembro, passou todo o patrimônio para a Égide I, uma holding com registro nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal no Caribe.

“Foram identificados diversos elementos de informação que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, bem como de seus ativos”, diz a PF. O documento menciona ainda sinais do uso de intermediários — as chamadas pessoas interpostas — e de estruturas montadas no exterior. A própria polícia, no entanto, afirma que os elementos reunidos não permitem conclusões definitivas e recomenda aprofundar a investigação.

O gabinete de Toffoli rejeita as suspeitas e, por nota, declarou que o ministro “jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior” e “jamais realizou qualquer operação direta ou indiretamente nas Ilhas Virgens Britânicas”. Nega também que ele tenha tido relação de amizade com Vorcaro e que tenha favorecido o banqueiro em decisões judiciais. A defesa contesta as suspeitas sobre as movimentações financeiras e sustenta que o documento da PF foi arquivado depois de deliberação dos ministros do STF.

Há outra frente no relatório. A PF levanta a hipótese de que o voto de Toffoli tenha sofrido influência de Vorcaro numa ação sobre precatórios do setor sucroalcooleiro — dívidas do poder público reconhecidas pela Justiça — movida pela destilaria Alcídia, que pertence ao grupo Atvos. O resultado do julgamento mexeria com uma carteira de mais de R$ 10 bilhões que o Master mantinha.

Pelas mensagens encontradas no telefone de Vorcaro, o diretor jurídico do banco, André Kruschewsky, e o ex-ministro Fábio Faria se movimentaram em torno do caso. O processo saiu de pauta quando o ministro Kassio Nunes Marques pediu vista — mais tempo para analisar a ação — e voltou a julgamento mais tarde. A tese da Alcídia ganhou por 3 votos a 2, e foi Toffoli quem desempatou a favor da usina. Segundo a investigação, o ministro teria mudado de posição no caso e votado a favor do grupo.

Mesmo aqui, o relatório não chega a uma conclusão definitiva de que houve interferência indevida e aponta a necessidade de aprofundar a apuração. O gabinete de Toffoli nega que tenha havido qualquer “alteração de voto”.