O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, afirma que a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) foi abastecida de forma ilegal com dinheiro da Rockbridge Network, rede de investidores próxima do presidente norte-americano, Donald Trump. A acusação ecoou entre membros do Missão e do Movimento Brasil Livre (MBL). Os empresários apontados como elo com a rede negam, e um deles promete processar Renan.
Os fundadores da Rockbridge são o empresário Chris Buskirk e J.D. Vance, hoje vice-presidente dos Estados Unidos, e a rede vem estendendo sua atuação a outros países. Buskirk é ainda sócio de Donald Trump Jr., o filho mais velho do presidente, numa gestora de recursos com sede na Flórida.

Num discurso, Renan disse que a organização “entrou na campanha” de Flávio. Também naquele dia, o ex-deputado Arthur do Val — o Mamãe Falei — escreveu no X, antigo Twitter, uma menção a uma suposta “grana gringa pra campanha aqui do Brasil”, sem citar nominalmente o candidato do PL. Pela lei eleitoral brasileira, partidos e candidatos não podem receber doações de entidades nem de governos estrangeiros.
No centro da acusação estão dois empresários: Pedro Sang e o fundador da G4 Educação, Tallis Gomes. Gomes, que integra a rede norte-americana, dividiu um painel com Chris Buskirk num evento em Nova York, em junho. Na versão de Renan, os dois representariam a Rockbridge no Brasil e teriam oferecido apoio a várias candidaturas até fechar com a de Flávio.
“Fui descobrir que esse cara [Tallis Gomes] foi para os Estados Unidos conhecer uma empresa, uma fundação, chamada Rockbridge, que ajudou J.D. Vance, vice-presidente dos Estados Unidos, a virar vice. São caras que põem dinheiro em eleição”, disse Renan. Segundo o candidato, a dupla procurou Flávio depois de ter procurado, antes, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. “Eles entraram na campanha do Flávio, naturalmente e ilegalmente”, afirmou. Renan ligou ainda a organização a interesses relacionados às terras raras, grupo de minerais estratégicos para a indústria de tecnologia.
Tallis Gomes nega ter trabalhado para captar dinheiro para a candidatura de Flávio. Diz que conversa com várias campanhas, como as de Ronaldo Caiado e de Romeu Zema, mas que não aderiu formalmente a nenhuma. Chamou a acusação de “cortina de fumaça” e anunciou que vai processar Renan Santos e Arthur do Val. “É uma cortina de fumaça porque a campanha [de Renan] acabou, Renan derreteu. Ele [Renan] está precisando chamar atenção”, disse ao colunista Guilherme Amado. O empresário acusou Renan, também, de inventar uma calúnia contra ele.
Pedro Sang confirma que teve contato com a Rockbridge, mas nega ter intermediado recursos para qualquer campanha. Dono de uma operadora de turismo, ele atribui a citação ao próprio nome a uma briga entre Renan e Tallis. Sang conta que chegou à organização por meio do candidato do Novo ao Governo do Rio, André Marinho, que é filho de Paulo Marinho, suplente de Flávio no Senado — o suplente é quem assume a cadeira se o titular se afastar.
Marinho confirmou que conheceu Chris Buskirk e que viajou a Dallas, convidado pela rede, para estudar a chegada da Rockbridge ao Brasil. Afirmou, porém, não saber de nenhum dinheiro americano aplicado na campanha de Flávio e contou que se afastou das conversas em maio, quando passou a cuidar da própria candidatura.