BUSCAR
BUSCAR
Michael Charles

Ninguém está seguro: o jogo só começou

Confira o artigo de Michael Charles desta sexta-feira 17
Michael Charles
17/04/2026 | 06:21

A janela partidária se fechou. Com ela, veio a sensação de que o tabuleiro finalmente se organizou. Na política, porém, a aparência quase nunca corresponde à realidade. Nos bastidores, a incerteza domina: todos ainda estão no jogo, aguardando a próxima fase. Ninguém está seguro.

A filiação, que até poucos dias era o grande objetivo, revela-se agora apenas como ponto de partida. Entrar no partido não assegura candidatura e, muito menos, permanência. Apenas mantém o pré-candidato em um jogo que se tornou mais silencioso e competitivo.

Potiguar dá sinais de cansaço da polarização e busca goveRio Grande do Norteador “independente” para 2026
Ninguém está seguro: o jogo só começou - Foto: José Aldenir/Agora RN

O roteiro mudou. Antes, o desafio era encontrar espaço. Agora, é conseguir mantê-lo. As nominatas estão formalmente desenhadas, mas seguem em permanente ajuste. A matemática eleitoral impõe suas regras, e os partidos operam com base em viabilidade, não em intenção.

A pré-campanha se impõe como o verdadeiro campo de prova. É quando o discurso precisa se traduzir em presença, articulação e capacidade real de mobilização, sob a pressão constante do tempo.

Faltam menos de 100 dias para o início das convenções partidárias, em 20 de julho. Até 5 de agosto, os partidos precisam definir, oficialmente, quem seguirá na disputa. Na sequência, o prazo final para registro de candidaturas, em 15 de agosto, estreita de vez o funil. E no dia seguinte, 16, com o início da propaganda eleitoral, a disputa deixa os bastidores e entra, de fato, em campo. Ou melhor, na arena.

Essa pressão é ainda mais intensa para quem disputa o Legislativo. Diferente das majoritárias, onde o foco é concentrado, nas proporcionais o confronto é interno, direto e permanente. É uma disputa dentro da disputa.

As candidaturas ao Senado também entram nesse ambiente de pressão, ainda que com dinâmica distinta. Mas é, sem dúvida, nas nominatas proporcionais que o jogo mais tira o sono da classe política.

Até as convenções, o cenário seguirá instável. Candidaturas tidas como certas podem não resistir; outras, improváveis, podem ganhar força. No fim, permanecerão os que comprovarem viabilidade. A tensão não acabou, apenas mudou de lugar. Se antes o medo era ficar de fora, agora é ser descartado já estando dentro.

A vaga segue como objetivo. Mas, na política, não basta atravessar a janela. É preciso sobreviver ao que vem depois dela.

Michael Charles é mestre em Ciências Sociais e Humanas e Pesquisador em Comportamento Digital