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Michael Charles

Michael Charles – Não mande para ninguém

Confira a coluna de Michael Charles desta sexta-feira 13
Michael Charles
13/06/2025 | 05:07

Em um quarto espaçoso, uma mulher veste um biquíni e, espontânea, dança forró diante do espelho e da câmera do celular. Uma cena comum, replicada diariamente nas redes sociais. O que era para ser um momento de descontração, compartilhado com um grupo restrito de ‘amigos’, rapidamente escapa ao controle. O vídeo se espalha, viraliza e a intimidade dá lugar à exposição pública. Nada anormal, senão fosse o cargo que ela ocupa: prefeita. Patrícia Alencar, no segundo mandato em Marituba, no estado do Pará, virou protagonista de um episódio que trouxe à tona a discussão: existe distinção entre a vida pessoal e a vida política? Qual o verdadeiro limite para a exposição de momentos íntimos no palco digital? No mundo em que a imagem e a informação se propagam à velocidade de um clique, o autocuidado digital tornou-se um pilar fundamental, especialmente para figuras públicas.

Patrícia é presente dentro e fora das redes. Construiu sua popularidade na proximidade, marca de sua gestão como prefeita. Está sempre na rua, interage com a população, visita obras e dialoga com parceiros, servidores, o que se reflete em suas postagens diárias. No ambiente digital, essa autenticidade pessoal e descontraída se entrelaça com a imagem de uma gestora atuante, mas também desafia e, por vezes, confunde os limites dos papéis públicos. Para os maritubenses, o vídeo da prefeita em momento de descontração convergiu com a imagem que já possuem dela. É provável que o conteúdo não tenha causado grande estranhamento ou choque local. A repercussão e a polêmica vieram de fora, a partir de manchetes ao destacar ‘a prefeita de biquíni’, fazendo a publicação viralizar para muito além dos 100 mil habitantes de Marituba. Patrícia Alencar, que já contava com expressivos 700 mil seguidores no Instagram, testemunhou um crescimento meteórico: em apenas uma semana, sua audiência online dobrou, atingindo 1,4 milhão. Dado que impressiona o poder (para o bem e para o mal) da internet.

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Foto: Ilustração

Embora o que hoje gera milhões de visualizações e engajamento – impulsionado pela busca por entretenimento e autenticidade nas redes – possa se converter em um ônus para a imagem e reputação de Patrícia Alencar, também é inegável o bônus de reconhecimento e alcance que essa viralização proporciona. Para uma figura política, o crescimento exponencial de seguidores, especialmente se forem futuros eleitores no Pará, representa um ativo valioso. No entanto, o desafio reside em como esse capital de visibilidade será gerenciado e reinterpretado, caso ela almeje expandir sua carreira política, já que o ‘print eterno’ não diferencia contexto de intenção.”

Não há dúvidas: a presença digital revolucionou o modo como políticos se comunicam. Porém, essa poderosa ferramenta exige mais do que apenas disposição pessoal; demanda uma estratégia minuciosa e um autocuidado digital rigoroso. Assim, vale lembrar do clássico Dom Quixote, de Miguel de Cervantes: “A prudência é a mãe de todas as virtudes.” Vazamentos de arquivos, documentos em e-mails e compartilhamentos, têm causado tremores em estruturas de poder e reputações. Pensar antes de publicar ou encaminhar algo não é apenas prudência; é um ato essencial de autocuidado nas interações digitais.