Em meio às disputas, vaidades e turbulências que costumam marcar os períodos pré-eleitorais, um personagem tem ampliado silenciosamente seu espaço dentro da federação União Progressista no Rio Grande do Norte: o deputado estadual Kleber Rodrigues.
Dois episódios recentes ajudam a explicar esse crescimento de influência.

O primeiro envolve o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves. Depois de ser retirado da disputa pelo Senado, Carlos resistia à ideia de concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa. Nem José Agripino Maia, principal liderança da federação no Estado, nem o pré-candidato ao Governo, Allyson Bezerra, conseguiram convencê-lo. Coube a Kleber fazer o trabalho de bastidor. O resultado foi a entrada de Carlos na disputa proporcional, reforçando o palanque de Allyson em Natal e na Região Metropolitana.
O segundo episódio surgiu na crise provocada por Kelps Lima. Ao disparar críticas contra Robinson Faria, João Maia e Benes Leocádio — todos integrantes do mesmo bloco político —, Kelps criou um problema que ameaçava contaminar a própria aliança. Mais uma vez, Kleber foi chamado para atuar.
A principal conversa ocorreu justamente com Kelps Lima, que ouviu de Kleber apelos por moderação após os ataques aos aliados da própria federação. Depois da intervenção, o deputado passou a tratar o episódio como uma questão resolvida.
Será? Só o tempo dirá se Kleber Rodrigues está certo.
Primeiro deputado estadual a declarar apoio a Allyson Bezerra, ainda em janeiro, Kleber assumiu papel central na montagem das nominatas da aliança e passou a ser visto como uma das principais pontes entre os diferentes grupos que a compõem.
Vice-presidente da Assembleia Legislativa e pré-candidato à reeleição pelo PP, ele acumula funções que vão além da própria campanha.
E, caso Allyson vença a eleição para o Governo do Estado, esse protagonismo tende a ganhar ainda mais peso nas discussões sobre a sucessão de Ezequiel Ferreira de Souza no comando da Assembleia Legislativa.
Um pouco retraído
O senador Styvenson Valentim mudou o tom do apoio a Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. Em entrevista à 96 FM, o parlamentar potiguar admitiu estar “um pouco retraído” após os desdobramentos da crise envolvendo o Banco Master.
— Não vou mentir para vocês: esse escândalo do Banco Master atinge pelo menos uma boa parte do Senado e até ministérios. Se você for ver, tem muita gente envolvida — afirmou Styvenson.
Sem fanatismo
O histórico de Styvenson com o bolsonarismo não é dos melhores. Em inúmeras ocasiões, inclusive da tribuna do Senado, o parlamentar costuma reforçar que não se considera um “bolsonarista de carteirinha”:
— Não sou bolsonarista, para quando disserem: “Ele é oposição porque é bolsonarista”. Não. Não sou. Sou oposição porque a governadora do Estado do Rio Grande do Norte é incompetente — disse.
Polarização artificial
Kleber Rodrigues rejeita a tese de que a eleição de 2026 no Rio Grande do Norte será marcada por uma disputa entre PT e PL. Em entrevista ao programa Contraponto, da 96 FM, o deputado afirmou que a chamada polarização não encontra respaldo na realidade política do Estado.
— Não acredito nessa história de polarização. Para mim, isso é algo que está sendo colocado para ver se cola, mas não cola — declarou o pré-candidato.
Mudança nas docas
No apagar das luzes da gestão Fátima Bezerra, Hugo Fonseca deixou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico para assumir uma diretoria na Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern). Ex-braço direito da governadora na área econômica, ele já tomou posse como diretor administrativo e financeiro da estatal.