O número de mortos em decorrência do duplo terremoto que atingiu a Venezuela em 24 de junho subiu para pelo menos 4.561, segundo balanço divulgado nesta terça-feira 14, pelo governo do país. O novo levantamento representa um aumento de 71 vítimas em relação ao boletim anterior. O total de feridos permaneceu em 16.740, enquanto 17.907 pessoas continuam sem moradia em consequência do desastre.
Os dois tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram em sequência a região norte da Venezuela, com maior impacto no estado de La Guaira, vizinho da capital Caracas. O desastre provocou destruição em áreas urbanas e costeiras, comprometendo a infraestrutura de cidades da região metropolitana e mobilizando uma ampla operação de resgate e assistência humanitária.

Segundo boletim oficial divulgado nas redes sociais pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, 128.324 famílias já receberam algum tipo de assistência desde a tragédia. Atualmente, 20.231 pessoas permanecem alojadas em 107 abrigos temporários instalados principalmente em escolas de Caracas e dos estados de Miranda e La Guaira.
O governo informou que iniciou um censo biométrico para dimensionar a demanda habitacional decorrente do terremoto. A estimativa preliminar aponta para a necessidade de aproximadamente 25 mil novas moradias destinadas às famílias que perderam suas casas.
No sábado 11, Jorge Rodríguez anunciou que a presidente interina, Delcy Rodríguez, deverá entregar ainda nesta semana as primeiras 200 unidades habitacionais destinadas aos desabrigados. As autoridades, no entanto, não informaram onde os imóveis serão construídos nem quais comunidades serão atendidas inicialmente.
Desde o terremoto principal, a atividade sísmica permanece intensa. Segundo o governo venezuelano, foram registrados 1.254 tremores secundários. Um dos mais fortes ocorreu na última sexta-feira 10, quando um abalo de magnitude 3,9 foi registrado a cerca de 10 quilômetros a nordeste de Naiguatá, em La Guaira. O tremor provocou pânico entre moradores e levou à evacuação preventiva de edifícios.
Além das vítimas já confirmadas, permanece indefinida a situação de milhares de pessoas desaparecidas. O governo evita divulgar um número oficial, mas a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que até 50 mil pessoas ainda possam estar com paradeiro desconhecido, o que mantém as operações de busca e identificação em andamento.
O impacto estrutural também continua elevado. Mais de 800 edifícios sofreram danos na faixa costeira atingida pelo terremoto, dos quais 190 desabaram completamente, segundo o governo. Em Caracas, o município de Chacao contabilizou 68 mortes, além da destruição total de três edifícios e da interdição de outros 46 imóveis, de acordo com o prefeito Gustavo Duque.
As equipes de resgate seguem trabalhando na remoção de escombros, enquanto dezenas de famílias continuam procurando os restos mortais de parentes desaparecidos. Paralelamente, o governo busca acelerar a assistência às vítimas e estruturar um plano de reconstrução para uma das maiores tragédias naturais registradas na história recente da Venezuela.