O deputado estadual Hermano Morais (MDB), candidato a vice-governador na chapa de Allyson Bezerra (União), afirmou que Cadu Xavier (PT) terá de explicar durante a campanha a crise fiscal e financeira do Rio Grande do Norte. Em entrevista ao podcast Eleições 2026, da TV Agora RN, nesta quinta-feira 13, Hermano atribuiu ao candidato governista responsabilidade direta pela condução das contas estaduais, por ele ter comandado a área financeira da administração nos últimos sete anos.
Hermano ressaltou que, no comando da Secretaria de Fazenda, Cadu virou responsável não apenas por cuidar da arrecadação do Estado, mas também pela destinação dos recursos. “Ele teve participação ao longo dos oito anos, sendo o responsável pela gestão fiscal e financeira do Estado”, declarou. “Então, ele vai ter que explicar essa grande crise, essa profunda crise fiscal e financeira”, acrescentou.

Na avaliação do candidato a vice, a precariedade das contas limitará as ações do próximo governo e exigirá uma análise detalhada da situação encontrada em janeiro. Hermano afirmou que o primeiro passo de uma eventual gestão de Allyson será levantar receitas, despesas, dívidas e obrigações para estabelecer a dimensão exata do problema.
O deputado registrou que a despesa com pessoal do Estado ultrapassa os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e apontou o déficit previdenciário como um dos principais fatores de pressão sobre o caixa. “O Estado hoje arrecada para pagar e completar a folha de pagamento com dificuldade”, afirmou. Dados oficiais relativos ao primeiro quadrimestre de 2025 indicaram que o Executivo potiguar destinava 56,01% da Receita Corrente Líquida às despesas com pessoal, acima do limite legal de 49%.
Hermano enfatizou, ainda, que o Tesouro estadual precisa aportar mensalmente mais de R$ 150 milhões para completar o pagamento dos aposentados e pensionistas. Ele também mencionou o atraso de alguns dias registrado recentemente nos pagamentos dos inativos. “O Estado, praticamente, está em uma situação de insolvência, porque o arrecadado é insuficiente para pagar os seus compromissos”, declarou.
Para reverter o quadro, o candidato defendeu a formação de uma equipe técnica, a reorganização da administração e a construção de um acordo institucional com os outros poderes. A iniciativa privada também seria chamada a participar de projetos e investimentos.
“Nós temos, então, que fazer o ajuste necessário. Vamos fazer no primeiro momento buscando parcerias com os outros poderes, buscando um melhor relacionamento, dividindo responsabilidade e buscando, na iniciativa privada também, investimentos”, afirmou.
O programa da chapa prevê ainda a criação de um escritório dedicado à elaboração de grandes projetos e à análise de propostas apresentadas por empresas. Outra medida seria promover um mutirão no Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) para examinar pedidos de licenciamento represados. De acordo com Hermano, a demora na liberação de projetos já levou investidores a desistir do Rio Grande do Norte e procurar Estados vizinhos.
A recuperação da nota do Estado na Capacidade de Pagamento (Capag), indicador calculado pelo Tesouro Nacional, também aparece entre as prioridades. A classificação é utilizada para avaliar a situação fiscal dos entes e sua possibilidade de contratar operações de crédito com garantia da União. Hermano disse que melhorar essa condição permitiria buscar financiamentos para obras rodoviárias, portuárias e outros projetos de infraestrutura.
O candidato reconheceu que o ajuste não produzirá efeitos imediatos, mas sustentou que o Estado poderá recuperar sua capacidade de investimento com planejamento, racionalização das despesas e melhor aproveitamento de suas potencialidades econômicas. Ele citou setores como energias renováveis, mineração, turismo, petróleo, gás e fruticultura como possíveis fontes de desenvolvimento e ampliação da arrecadação.
Ideb “um pouco
mascarado”
Na área da educação, Hermano questionou a origem do avanço registrado pelo Rio Grande do Norte no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025. Considerando o ensino regular e a educação profissional integrada, a rede estadual alcançou nota 4 no ensino médio, após ter registrado 3,2 em 2023. O resultado tirou o Estado da última posição nacional, mas permaneceu abaixo da média de 4,3 alcançada pelas redes estaduais do País.
O Ideb combina o desempenho dos estudantes nas avaliações de português e matemática com o fluxo escolar, calculado a partir das taxas de aprovação. No Rio Grande do Norte, o índice foi fortemente influenciado pelo segundo componente: a aprovação no ensino médio estadual aumentou de aproximadamente 77% para 93%, enquanto a evolução da aprendizagem foi mais discreta. A pontuação de matemática passou de 253,69 para 254,60, e a de língua portuguesa avançou de 257,71 para 260,73.
O crescimento ocorreu depois de a rede estadual ampliar de três para seis o número de disciplinas que um estudante pode acumular na progressão parcial sem repetir o ano. Para Hermano, a flexibilização contribuiu para elevar o indicador sem assegurar, na mesma proporção, uma melhora no aprendizado. “Ele terminou sendo um pouco mascarado”, respondeu ao ser questionado sobre o resultado do Ideb.
O candidato criticou o risco de o aluno avançar na trajetória escolar acumulando conteúdos que não conseguiu assimilar. “Se ele já não teve a condição ou desempenho para passar de ano e ter um aproveitamento mínimo necessário em todas as disciplinas, ele vai acumular ainda mais seis no ano seguinte”, afirmou. Hermano reconheceu que reduzir a evasão é necessário, mas defendeu que a melhora dos índices seja sustentada pelo aprendizado efetivo.
Entre as propostas apresentadas por ele estão a valorização e a formação continuada dos professores, a melhoria da estrutura das escolas, a ampliação do ensino em tempo integral e o fortalecimento da educação profissional. Hermano também defendeu parcerias com o Sistema S para preparar trabalhadores de acordo com as atividades econômicas e os investimentos previstos para o Estado. “O que nós temos que melhorar é a qualidade do ensino, investir mais também na escola em tempo integral, ampliar a formação também do jovem para o mercado de trabalho a partir das potencialidades do Rio Grande do Norte”, declarou.