Há uma velha máxima da administração pública segundo a qual nem sempre é preciso melhorar a realidade — às vezes, basta melhorar os indicadores. Na educação brasileira, essa lógica parece ganhar força às vésperas da divulgação de mais um Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), cuja publicação ocorrerá em pleno ano eleitoral.
Diversos estados descobriram na chamada “progressão parcial” um caminho rápido para elevar as taxas de aprovação e, por consequência, turbinar os números do sistema educacional. A antiga e conhecida “dependência” voltou à cena com roupa nova: o aluno pode acumular disciplinas reprovadas e, ainda assim, avançar para a série seguinte.

O movimento começou no Pará, que em 2023 autorizou a progressão mesmo com pendências em até cinco matérias e, pouco tempo depois, deixou a parte de baixo do ranking nacional do Ideb. O exemplo foi seguido por estados como Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraíba e Rio de Janeiro.
No Rio Grande do Norte, governado pela professora Fátima Bezerra, a regra adotada foi ainda mais generosa. A rede estadual passou a permitir a progressão com reprovação em até seis disciplinas do ensino médio. O resultado apareceu rapidamente nos números do Ministério da Educação: a taxa de aprovação saltou de 77% para 93% em apenas um ano, um crescimento de 15 pontos percentuais — o maior do país ao lado do Rio de Janeiro.
O problema é que aprovação não é sinônimo de aprendizagem. Especialistas lembram que reprovar em massa é uma política educacional fracassada, capaz de aumentar a evasão escolar. Mas também alertam que empurrar seis disciplinas para o ano seguinte, sem ampliar a carga horária ou oferecer reforço adequado, corre o risco de produzir apenas uma melhoria estatística.
Para um estado que há anos amarga as últimas posições do Ideb, a tentação de apresentar números mais vistosos é compreensível. A dúvida é se, quando os novos indicadores forem comemorados em palanques e propagandas, eles representarão uma escola melhor ou apenas uma conta mais criativa na calculadora da educação.
Bate esteira
Depois de dar um chega para lá em Carlos Eduardo Alves, a senadora e pré-candidata à reeleição Zenaide Maia confirmou que não disputará o Senado em chapa solo. O nome que fará a dobradinha deverá ser anunciado até quinta-feira.
Panos quentes
O episódio da agressão à deputada Divaneide Basílio, em um evento que discutia a violência contra as mulheres e contou com a presença da primeira-dama Janja da Silva, foi extremamente constrangedor para o PT potiguar. Enquanto o diretório municipal ressaltou a brutalidade da ação do agente da Polícia Federal, o PT estadual tentou atenuar a ocorrência, atribuindo o incidente à movimentação intensa e à aglomeração de pessoas, quase transferindo à plateia a responsabilidade pelo episódio.
Saias-justas
Janja agiu rápido e de forma correta. Além de afastar o agente da PF da equipe de segurança dos compromissos seguintes, solidarizou-se com Divaneide, que estava acompanhada de uma criança. A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, também entrou em campo para prestar apoio institucional à correligionária. Diante da repercussão nacional e do desgaste local, a parlamentar petista afirmou que o episódio está superado.
De olho no relógio
Lula corre contra o relógio eleitoral. A viagem ao Nordeste — com escalas no Ceará, na Bahia e no Rio Grande do Norte —, prevista para esta semana, marca a última grande rodada de entregas e inaugurações antes de 4 de julho, data a partir da qual a Lei das Eleições impõe restrições severas à participação de pré-candidatos e chefes do Executivo em eventos com publicidade institucional.
Dia 2
Lula desembarca na quinta-feira no RN. Na agenda administrativa, o destaque será a visita ao túnel de Major Sales, no ramal da transposição do rio São Francisco. Já no campo político, o presidente deverá carimbar o apoio às pré-candidaturas de Cadu Xavier ao Governo e de Samanda Alves e Rafael Motta ao Senado. Há expectativa de gravações para as redes sociais ao lado de Cadu.