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Diógenes Dantas

Sem freios, Kelps aposta no caos para desestabilizar colegas de palanque

Confira a coluna de Diógenes Dantas desta quarta-feira 24
Diógenes Dantas
24/06/2026 | 05:28

Toda nominata competitiva produz atritos. Faz parte do jogo. O que não é comum é ver um pré-candidato transformar em adversários prioritários justamente aqueles que deveriam ser seus aliados.

É o que vem acontecendo na Federação União Progressista. Desde que ingressou no União Brasil para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, Kelps Lima passou a direcionar sua artilharia contra os deputados federais Robinson Faria, João Maia e Benes Leocádio. Não são adversários de outros partidos. Não estão em palanques opostos. Pelo contrário. Integram a mesma federação e compõem o conjunto de forças políticas que sustenta a pré-candidatura de Allyson Bezerra ao Governo do Estado.

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Sem freios, Kelps aposta no caos para desestabilizar colegas de palanque - Foto: Reprodução/Redes sociais

Nas declarações públicas, Kelps tem dito que os três representam uma política que precisa ser superada. Afirma que não são seus amigos, os classifica como retrógrados, antiquados e incompetentes e admite que precisará derrotar pelo menos um deles para conquistar uma cadeira na Câmara Federal.

Do ponto de vista eleitoral, a lógica é compreensível. Todos disputam votos dentro da mesma chapa. O problema surge quando a estratégia de diferenciação passa a produzir desgaste em lideranças que são consideradas peças importantes da construção política da própria federação.

Foi justamente essa preocupação que levou Robinson Faria, João Maia, Benes Leocádio, José Agripino Maia e Allyson Bezerra a discutir o assunto em reunião realizada nesta semana.

Segundo relatos de participantes, Robinson foi além das reclamações sobre os ataques. Cobrou de Allyson uma intervenção direta junto ao aliado. O recado teria sido claro: se o pré-candidato ao governo não conseguir impor limites à escalada das hostilidades, ele passará a cuidar exclusivamente da própria campanha à reeleição, sem maiores preocupações com a chapa majoritária.

A situação cria um constrangimento adicional para Allyson. Kelps não esconde de ninguém que sua presença na aliança está diretamente ligada à relação política construída com o ex-prefeito de Mossoró desde os tempos do Solidariedade. Em outras palavras, os ataques partem justamente de um dos aliados mais próximos do pré-candidato ao governo.

Por isso, a discussão já não gira apenas em torno da disputa por votos para a Câmara dos Deputados. O que está em jogo é a capacidade de Allyson manter coeso um grupo formado por lideranças com interesses eleitorais distintos, mas que dependem umas das outras para chegar competitivas a outubro de 2026.

Efeito Janja

A primeira-dama Janja da Silva desembarca em Natal nesta sexta-feira 26 para uma agenda política organizada pelo PT. O principal compromisso será um encontro com lideranças da Grande Natal, marcado para as 19h.

Empurrão

Os petistas apostam que a presença de Janja ajudará a dar visibilidade à pré-candidatura de Cadu Xavier ao Governo do Estado. A expectativa também é fortalecer o palanque formado por Samanda Alves e Rafael Motta na disputa pelo Senado.

Lula vem ou não vem?

Pelo visto, a visita de Janja acaba ocupando o espaço da aguardada agenda presidencial desde maio para a entrega de obras federais no Rio Grande do Norte, especialmente na área de infraestrutura hídrica. É pouco provável que Lula venha antes do início mais intenso da campanha eleitoral.

Postagem removida

A juíza Sulamita Pacheco, do TRE-RN, determinou que o Instagram removesse, em até 24 horas, uma publicação do perfil @rncomallyson que chama o ex-prefeito de Natal e pré-candidato ao Governo do Estado, Álvaro Dias (PL), de “caloteiro”. A postagem fazia referência à cobrança pública do cantor Beto Barbosa por um cachê não pago de um show realizado em Ponta Negra. Para o PL, o conteúdo ultrapassava os limites da crítica política e tinha o objetivo de atingir a honra e a imagem do pré-candidato.