A Copa do Mundo da Fifa 2026 já começou. E, como acontece de quatro em quatro anos, o futebol volta a ocupar parte das conversas, das atenções e até das emoções do brasileiro. Amanhã, a seleção estreia contra o Marrocos. Nas ruas, nos grupos de WhatsApp e nos bares, o assunto tende a migrar — ainda que temporariamente — da política para a bola.
Mas, nos bastidores, o campeonato eleitoral segue em ritmo acelerado.

Até 19 de julho, quando termina o Mundial, os políticos terão uma espécie de “janela tática” para avançar em articulações longe dos holofotes do eleitorado. É nesse intervalo entre um jogo e outro que acordos serão costurados, alianças revisitadas e velhos conchavos colocados sobre a mesa.
No Rio Grande do Norte, a partida principal já está desenhada. Cadu Xavier, Álvaro Dias e Allyson Bezerra entram em campo como os protagonistas da sucessão estadual.
A Copa antecede justamente o período das convenções partidárias, marcado entre 20 de julho e 5 de agosto. Ou seja: quando a bola parar de rolar nos gramados, muita coisa já terá sido decidida nos vestiários da política.
E nenhum jogador é mais observado nesse momento do que Ezequiel Ferreira de Souza.
O PSDB de Ezequiel virou a bola mais disputada do tabuleiro eleitoral potiguar. O presidente da Assembleia pode alinhar o partido ao palanque da governadora Fátima Bezerra, que tem Cadu Xavier como pré-candidato, ou seguir para o campo do PL, liderado por Rogério Marinho e que tem Álvaro Dias na disputa pelo governo.
É o grande enigma da pré-campanha.
Enquanto o torcedor acompanha escalações, tabelas e favoritos ao título mundial, a política potiguar joga sua própria Copa — silenciosa, estratégica e cheia de prorrogação.
Ezequiel sabe disso. Experiente, joga olhando o relógio, ocupando espaços e deixando o adversário correr.
A pergunta que permanece é: qual será a grande jogada de Ezequiel durante a Copa do Mundo?
Bola na trave não altera o placar. Não adianta chamar o VAR.
Livre, leve e solto
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Lahyre Rosado Neto, aposta que Ezequiel Ferreira deve apoiar Cadu Xavier na disputa pelo governo. Mas sem compromisso formal do PSDB.
— Eu acredito que ele vai apoiar Cadu Xavier, mas formalmente não coliga — disse ao Contraponto, da 96 FM.
Segundo Lahyre, a mistura ideológica na nominata tucana dificulta um alinhamento fechado entre o partido e a esquerda.
Cada um no seu palanque
Lahyre avalia que Ezequiel Ferreira tende a liberar os aliados do PSDB para seguirem caminhos distintos na eleição estadual. A legenda abriga desde nomes ligados ao governo até figuras alinhadas ao bolsonarismo, além de aliados do prefeito Paulinho Freire filiados recentemente ao partido. Mesmo com conversas de bastidor envolvendo o PL, o secretário vê o presidente da Assembleia mais próximo do grupo governista.
Argamassa
A construção civil movimentou R$ 5,92 bilhões no Rio Grande do Norte em 2024, considerando incorporações, obras e serviços realizados ao longo do ano. O volume representa 7,1% de toda a produção do setor no Nordeste, que somou R$ 83,3 bilhões, segundo o IBGE.
Silêncio sobre o 13º
A eventual mudança no calendário do 13º salário dos aposentados e pensionistas da Assembleia Legislativa começou a gerar apreensão entre servidores inativos. Nos bastidores, circulam dúvidas sobre a manutenção da antecipação de parte do benefício, prática adotada nos últimos anos. Até agora, a Assembleia não divulgou comunicado oficial sobre eventual alteração no cronograma.