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Diógenes Dantas

Tiros na pré-campanha

Confira a coluna de Diógenes Dantas desta quarta-feira 17
Diógenes Dantas
17/06/2026 | 05:04

Faltam muitos meses para a eleição, mas o ambiente político do Rio Grande do Norte já dá sinais preocupantes de contaminação pela violência. O atentado contra o vereador Cabo Deyvison, em Mossoró, que deixou um morto e o parlamentar ferido, recoloca no debate um tema que costuma surgir sempre que a disputa pelo poder se mistura com a ação do crime organizado, rivalidades locais ou radicalização política.

Ainda é cedo para conclusões. A investigação trabalha com diferentes hipóteses, e qualquer tentativa de enquadrar o episódio antes da apuração seria precipitada. Mas o fato é que o caso ocorre em um estado que acumula episódios traumáticos envolvendo agentes públicos e personagens centrais da vida política.

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Tiros na pré-campanha - Foto: Reprodução/Redes sociais

Em 2022, tiros interromperam um ato de campanha do PT em Macaíba, obrigando a retirada da governadora Fátima Bezerra do local. Na mesma eleição, o fenômeno eleitoral Wendel Lagartixa, então candidato a deputado estadual, conduziu uma campanha cercada por forte tensão, marcada por atentados anteriores dos quais foi vítima, discursos de enfrentamento e acusações envolvendo grupos armados que ganharam repercussão em todo o estado.

Dois anos depois, o assassinato do prefeito Marcelo Oliveira e de seu pai, em João Dias, mostrou de forma dramática até onde podem chegar disputas locais contaminadas por interesses políticos, econômicos e criminosos.

Mossoró convive há anos com a presença ostensiva das facções criminosas. Ao mesmo tempo, é uma das cidades politicamente mais polarizadas do estado. Por isso, a cobrança do vereador para que nenhuma linha de investigação seja descartada parece legítima.

O que se espera agora é uma apuração rápida, rigorosa e transparente. Porque, às vésperas de mais uma eleição, a pior mensagem que o Rio Grande do Norte poderia receber é a de que tiros passaram a fazer parte do debate político.

Força-tarefa

As forças de segurança do Rio Grande do Norte informaram ontem que, até o momento, não há indícios de motivação política no atentado contra o vereador Cabo Deyvison. A investigação aponta para o envolvimento de pelo menos três pessoas no crime. Duas delas já foram presas no Ceará.

Questão de honra

Ainda no leito do hospital, Cabo Deyvison disparou sua metralhadora verbal contra os opositores:

— Em um ano e meio de política, atentaram contra a minha vida duas vezes. Com tudo isso que aconteceu, agora é questão de honra. Vocês não vão conseguir me calar. Vou com mais força para cima de vocês — disse.

Nada está descartado

O vereador mossoroense associou o atentado a posicionamentos recentes e defendeu que a investigação considere todas as linhas possíveis.

— Coincidência ou não, ontem fiz uma grave denúncia e publiquei nas redes sociais. Nada está descartado: motivação política, facção criminosa, tudo será investigado — afirmou.

Escolta policial

Rogério Marinho solicitou à Secretaria de Segurança Pública proteção policial para Cabo Deyvison. O senador também pediu prioridade máxima nas investigações do crime. Para Rogério Marinho, o episódio vai além de um caso de violência urbana e exige resposta rápida das forças de segurança.

Os prefeitos agradecem

O ano eleitoral certamente pesou na derrubada do veto da governadora Fátima Bezerra ao projeto que cria um sistema automático de repasse aos municípios das cotas do ICMS, do IPVA e dos recursos do Fundeb. A rejeição contou, inclusive, com votos da própria base governista. Com a decisão do plenário, o texto será promulgado por Ezequiel Ferreira. Nos municípios, a medida é recebida como um reforço à previsibilidade financeira das prefeituras.