O Tribunal Superior Eleitoral decidiu transformar um caso específico em um debate mais amplo sobre o futuro das pesquisas eleitorais no Brasil.
A partir da controvérsia envolvendo um levantamento da Atlas Intel, cuja divulgação foi suspensa pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, os ministros passaram a discutir algo que vai muito além de um único instituto: quais critérios objetivos devem ser adotados para avaliar a confiabilidade das pesquisas durante a campanha.

Por isso, o TSE iniciou contatos com representantes dos principais institutos do país e pretende realizar, em julho, uma audiência para debater metodologias, critérios de transparência e possíveis formas de aferir a imparcialidade dos levantamentos. A expectativa é que o julgamento seja retomado nos primeiros dias de agosto, antes da largada oficial da campanha.
A discussão chega em boa hora. Em vários estados, e especialmente no Rio Grande do Norte, a multiplicação de levantamentos tem provocado mais dúvidas do que certezas. Allyson Bezerra lidera a maioria das pesquisas para o governo, mas já houve sondagens apontando vantagem para Álvaro Dias e até para Cadu Xavier. O resultado é um ambiente de desconfiança crescente, resumido numa frase repetida com frequência nos bastidores da política: há pesquisa para todo gosto e para todo gasto.
Os números ajudam a explicar essa percepção. Apenas no primeiro semestre, pelo menos uma dúzia de institutos diferentes passou a medir o humor do eleitor potiguar. Entre empresas locais, regionais e nacionais, já foram divulgadas cerca de vinte pesquisas sobre a sucessão estadual. Nunca se pesquisou tanto. E talvez justamente por isso nunca se tenha questionado tanto.
O desafio do TSE é encontrar um equilíbrio delicado. De um lado, preservar a liberdade dos institutos e o acesso da sociedade a informações sobre o cenário eleitoral. De outro, criar parâmetros que reduzam a subjetividade das decisões judiciais e aumentem a transparência sobre metodologias, abordagens e formas de coleta.
Afinal, numa eleição cada vez mais influenciada pela disputa de narrativas, a credibilidade das pesquisas passou a ser tão importante quanto os números que elas apresentam.
Sem mais delonga
Após cobrança do CNJ, o Tribunal de Justiça marcou para 1º de julho, às 9h, o julgamento que definirá o preenchimento da vaga de desembargador aberta desde outubro de 2025. Na mesma sessão, os desembargadores vão analisar a promoção do juiz Henrique Baltazar por antiguidade e o pedido de recusa do magistrado. A expectativa é de que o caso tenha, enfim, um desfecho.
Prego
Álvaro Dias recorreu ao TRE para tentar retirar do ar postagens que o acusam de dar calote em artistas. A ação tem como alvo o perfil @rncomallyson, o Instagram, o responsável pela página e o pré-candidato Allyson Bezerra. A defesa do ex-prefeito sustenta que as publicações configuram propaganda eleitoral antecipada negativa. O estopim foi um vídeo do cantor Beto Barbosa cobrando R$ 130 mil por um show realizado no réveillon de Natal. “Se ele quiser me pagar, eu aceito”, disparou o artista.
Prego 2
O problema é que a ação encontrou um obstáculo logo na largada. A relatora do caso, juíza Francimar Dias, suspendeu o andamento do processo por entender que Álvaro, na condição de pré-candidato, não tem legitimidade para propor esse tipo de representação sozinho. Enquanto tenta reverter a decisão, o ex-prefeito também convive com outra cobrança judicial: a condenação do Município de Natal ao pagamento de R$ 300 mil à cantora Taty Girl por uma apresentação realizada em dezembro de 2024. Afinal, quando o assunto é dívida de show, um prego parece puxar outro.
Guerra aérea
O coronel Hélio Oliveira defende a compra de um helicóptero para criar uma base fixa do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), ligado à Sesed, em Mossoró. Na visão dele, a aeronave seria uma ferramenta importante no combate às facções criminosas na região Oeste do Estado.
— Nós estamos em guerra — disse o pré-candidato ao Senado pelo PL, em entrevista ao Contraponto, da 96 FM.
Brinquedo caro
O helicóptero defendido por Hélio custa cerca de R$ 25 milhões. O coronel propõe um esforço conjunto entre o orçamento estadual, emendas federais e PPPs (Parcerias Público-Privadas) para viabilizar o investimento.