A aflição do PT para fechar uma aliança com o PSDB de Ezequiel Ferreira de Souza já começa a transparecer nos bastidores da política potiguar.
Não por acaso, cresceram nos últimos dias os rumores sobre uma possível reunião da governadora Fátima Bezerra com o presidente da Assembleia Legislativa para tentar sacramentar o acordo em torno da pré-candidatura de Cadu Xavier ao Governo do Estado.

O problema é que o PSDB continua fazendo o que mais sabe fazer em tempos de eleição: administrando o próprio tempo.
Enquanto o PT demonstra ansiedade para anunciar um palanque mais amplo e menos ideológico, os tucanos seguem em cima do muro — sem fechar com Fátima e tampouco com o grupo de Álvaro Dias.
Ezequiel sabe que carrega uma peça importante no tabuleiro de 2026.
Hoje, o arco de alianças do governismo permanece concentrado basicamente em partidos de esquerda.
A entrada do PSDB serviria para que Fátima exibisse, ao menos simbolicamente, uma ponte com setores de centro-direita — algo considerado estratégico para reduzir resistências ao projeto de Cadu fora da bolha petista.
A própria governadora já deixou claro que negocia a vaga de vice da chapa majoritária para os tucanos.
Mas, pelo visto, o PSDB não pretende aceitar pressão nem assinar recibo antecipado.
A prioridade de Ezequiel continua sendo outra: montar nominatas competitivas para deputado estadual e federal, fortalecer a bancada tucana e ampliar o poder de negociação para 2026.
No fundo, o deputado joga com a calma de quem sabe que, neste momento, é mais cortejado do que pressionado.
Fora do páreo
Caso o PSDB confirme a aliança com Fátima Bezerra, uma coisa parece certa: a Dra. Júlia Almeida, esposa do prefeito de Parelhas, Tiago Almeida, não ocupará a vice de Cadu Xavier, como se especula nas rodas políticas. A garantia foi dada à coluna por um dirigente tucano muito próximo de Ezequiel Ferreira.
Planos ambiciosos
Os tucanos de Ezequiel Ferreira estão otimistas para eleger pelo menos cinco deputados estaduais e já sonham com a sexta vaga. A prioridade, neste momento, é fortalecer a nominata antes de bater o martelo sobre a participação na chapa majoritária — seja ao lado do PT ou do PL.
Ameaça comercial
Arimar França Filho, dono da Produmar e diretor do Sindipesca, está preocupado com a ameaça de um novo tarifaço do presidente Donald Trump. A taxação pretendida pelos americanos soma 25% de tarifa linear a outros 12,5% por supostas questões trabalhistas.
— Só se fosse droga teria uma margem de lucro dessa — desabafou França sobre o forte impacto financeiro da medida nas exportações brasileiras.
Ressaca
Ao lado do sal, o setor pesqueiro do Rio Grande do Norte foi um dos mais atingidos pelo tarifaço imposto por Trump no ano passado. Foram sete meses de angústia e prejuízos — de setembro de 2025 a março deste ano.
— O setor ainda está curtindo a ressaca do primeiro tarifaço — disse Arimar França Filho, no Contraponto, da 96 FM.
Auditoria
Fechado desde 2018, o mercado europeu pode voltar a se abrir ao pescado brasileiro. Na próxima quarta-feira, cinco empresas nacionais — entre elas, a Produmar, de Arimar — passarão por auditoria da Direção-Geral da Saúde e da Segurança Alimentar (DG Santé). Os inspetores europeus vão avaliar, principalmente, as ações do governo federal no setor da pesca.