Confesso que demorei a acreditar no vídeo de Michelle Bolsonaro descendo o malho no enteado Flávio Bolsonaro.
Como muita gente, imaginei que fosse mais uma peça produzida por inteligência artificial. Não era.

Ao tornar pública uma conversa privada e expor detalhes de um telefonema em que diz ter sido humilhada pelo senador, Michelle fez muito mais do que um desabafo familiar. Levou para o centro da pré-campanha presidencial um conflito que dificilmente ficará restrito às relações domésticas dos Bolsonaro.
O gesto chama ainda mais atenção porque ocorreu justamente no momento em que Flávio tenta virar a página do desgaste provocado pelo escândalo do Banco Master e pelas revelações envolvendo o financiamento do filme Dark Horse.
A rápida resposta do senador, com um pedido público de desculpas, mostra que ele percebeu o tamanho do estrago. Mas, em política, algumas crises produzem efeitos que um vídeo de reconciliação dificilmente consegue apagar.
Nos bastidores do PL, poucos acreditam que Michelle tenha ignorado o impacto político de sua manifestação. A leitura que prevalece é que o vídeo enfraquece a autoridade de Flávio justamente em dois dos segmentos onde ela exerce maior influência: o eleitorado feminino e o público evangélico.
Também não passa despercebido que Michelle continua sendo apontada por aliados como um nome competitivo para uma eventual candidatura presidencial, contando com simpatizantes importantes dentro do partido e entre lideranças religiosas.
Há ainda quem enxergue, na crise, um capítulo da disputa por influência dentro do PL. Nos bastidores, circula a avaliação de que o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, não veria com maus olhos o enfraquecimento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e a ascensão de Michelle como alternativa do partido ao Palácio do Planalto. Nesse cenário, o desgaste de Flávio inevitavelmente alcança o senador Rogério Marinho, responsável pela coordenação de sua pré-campanha presidencial.
Michelle poderá gravar quantos vídeos quiser dizendo que o episódio ficou para trás. “Vamos todos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno. Não há briga, nem competição”, afirmou.
Politicamente, a impressão é outra. A exposição pública da briga rompeu a imagem de unidade que o bolsonarismo tentava preservar e abriu uma frente de desgaste que dificilmente será esquecida durante a campanha.
Ponto da discórdia
A Prefeitura do Natal decretou ponto facultativo na próxima segunda-feira 29. O descanso ocorre em razão do Dia de São Pedro, data tradicional das festividades juninas, e também coincide com o jogo da seleção de Carlo Ancelotti na Copa. Já o Governo do Estado informou que não haverá ponto facultativo. Fica mantido apenas o decreto que escalona o expediente em dias de jogo: com a partida às 14h, o funcionamento será das 7h às 11h.
Panos quente
Allyson Bezerra também colocou panos quentes na crise provocada por Kelps Lima, mas admitiu que o aliado exagerou nas críticas aos deputados federais da aliança.
— Não deveria ter usado algumas palavras, alguns termos inadequados — disse ao Contraponto, da 96 FM.
— Eu entendo que isso aí está superado — completou.
Candidatura solo
O pré-candidato ao governo evitou alimentar as especulações sobre a disputa pelo Senado. Para Allyson, a tendência é manter apenas a pré-candidatura da senadora Zenaide Maia. Caberá a ela discutir a eventual entrada de outro nome na chapa. Como muitos prefeitos e deputados já assumiram outros compromissos políticos, ele vê com bons olhos o cenário de uma candidatura única.
Polarização? Tô fora!
Allyson Bezerra voltou a criticar a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. Para o pré-candidato ao Governo, esse embate interessa apenas a quem “não tem projeto” nem ideias para apresentar ao eleitor. Segundo ele, a população espera soluções para problemas como saúde e trânsito, e não “picuinhas ideológicas”. Allyson ainda desafiou os adversários a discutir exclusivamente os problemas do Rio Grande do Norte.