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Informe do Correio

Jean irrita antigos aliados

Confira os destaques da coluna Informe do Correio, publicada em O CORREIO DE HOJE nesta quarta-feira 27
Por O Correio de Hoje
27/05/2026 | 16:43

A definição das suplências ao Senado virou o principal foco de tensão dentro da base governista no Rio Grande do Norte. O incômodo maior recai sobre a postura do ex-senador e ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates (PDT), que passou a tratar sua presença como primeiro suplente de Rafael Motta (PDT) como uma composição já resolvida dentro do PDT, antes de uma pactuação final com os demais partidos do chamado time de Lula.

O movimento irritou antigos aliados de Jean, especialmente no PT, partido ao qual ele foi ligado por quase 12 anos antes de migrar para o PDT. A avaliação interna é que o ex-senador atropelou o processo coletivo ao apresentar a suplência como parte indissociável da pré-candidatura de Rafael, num momento em que outras legendas ainda reivindicam espaço na chapa majoritária.

Informe do Correio

A chapa governista já tem Cadu Xavier (PT) como pré-candidato ao Governo do Estado e dois nomes ao Senado: Samanda Alves (PT), vereadora de Natal, e Rafael Motta, ex-deputado federal. O impasse está nas quatro suplências. O PDT quer preservar Jean na primeira suplência de Rafael, mas PSB, PCdoB, PV e outras forças aliadas também cobram participação.

O PSB, presidido no Estado por Larissa Rosado, vê o apoio a Rafael como caminho natural, mas quer ser contemplado. O PCdoB reafirma o nome do professor Oswaldo Negrão e defende ampliação da aliança. Nos bastidores, a leitura é simples: Jean fortaleceu Rafael, mas criou ruído com quem ainda esperava negociação.

Ezequiel diz que Fátima pediu apoio a Cadu

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Ezequiel Ferreira (PSDB), confirmou que a governadora Fátima Bezerra (PT) já pediu mais de uma vez o apoio dele à pré-candidatura de Cadu Xavier (PT) ao Governo do Estado. A declaração reforça o peso do PSDB na sucessão estadual de 2026 e mostra que o partido segue no centro das articulações da base governista.

Ezequiel disse manter uma relação de cordialidade e amizade com Fátima, mas evitou antecipar qualquer definição. Segundo ele, a governadora já pediu apoio a Cadu “várias vezes”, mas, em política, nem sempre é possível atender a todos os pedidos. O deputado afirmou que ainda precisa ouvir os demais integrantes do PSDB antes de tomar uma posição.

A fala confirma a movimentação do governo para tentar manter Ezequiel no campo político de Fátima. O PSDB tem uma nominata competitiva para deputado estadual e pode ser importante tanto para fortalecer uma chapa majoritária quanto para garantir sustentação futura na Assembleia Legislativa.

Apesar da pressão governista, Ezequiel deixou claro que o partido não tem decisão tomada. A tendência é que o PSDB avalie pesquisas, escute seus pré-candidatos e só bata o martelo mais perto das convenções partidárias. Dentro da legenda, há nomes com inclinações diferentes, o que deve obrigar a direção estadual a construir uma saída que preserve a força proporcional do partido e reduza desgastes internos.

Novo revés para Henrique

Não bastasse o revés sofrido no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte, Henrique Eduardo Alves (MDB) agora volta a aparecer em outra frente judicial de peso nacional. Depois de o TRE-RN manter sua condenação por lavagem de dinheiro no caso dos repasses da JBS à campanha dele ao Governo do Estado em 2014, o ex-deputado federal, ex-presidente da Câmara e ex-ministro do Turismo terá outro processo novamente sob análise do Supremo Tribunal Federal.

A nova movimentação envolve a decisão do ministro Alexandre de Moraes de levar ao STF ação penal ligada à Operação Manus, desdobramento da Lava Jato. O caso apura suspeitas de pagamento de R$ 11,5 milhões pela OAS a Henrique e ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, em troca de atuação favorável à empreiteira em temas como concessões aeroportuárias e financiamento do BNDES para a Arena das Dunas, em Natal.

A coincidência temporal aumenta o desgaste político e jurídico de Henrique. Em poucos dias, ele viu uma condenação ser mantida no RN e outro processo antigo voltar ao Supremo. Para quem tenta recompor espaço político, é uma sequência pesada.