A economia brasileira voltou a crescer abaixo de seu potencial em 2025. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 2,3% no ano passado, desacelerando em relação à expansão de 3,4% registrada em 2024, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, embora positivo, confirma uma tendência persistente: o país segue preso a um ritmo de crescimento modesto, incapaz de sustentar avanços mais robustos.
O cenário não surpreende. Diante de um quadro em que o governo amplia despesas, coube ao Banco Central cumprir sua função institucional e elevar os juros para conter a inflação. Trata-se de uma resposta necessária, ainda que amarga, pois o aperto monetário acaba por frear a atividade econômica. O problema é que, ao examinar com mais cuidado os números divulgados pelo IBGE, percebe-se que a dificuldade estrutural do Brasil em crescer pouco tem se agravado.

Entre os indicadores que evidenciam esse quadro, poucos são tão claros quanto a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). Esse indicador — que mede o investimento das empresas em bens de capital, como máquinas e equipamentos utilizados na produção — recuou de forma significativa: caiu de 6,9% em 2024 para apenas 2,9% em 2025. O resultado foi uma nova redução da já baixa taxa de investimento brasileira, que passou de 16,9% para 16,8% do PIB. O nível permanece muito abaixo da média de aproximadamente 20% observada em países com grau de desenvolvimento semelhante.
Sem investimento, não há crescimento sustentável. A FBCF é justamente o termômetro que mostra quanto as empresas estão ampliando sua capacidade produtiva. Em outras palavras, indica o quanto a economia está se preparando para produzir mais no futuro.
Essa fragilidade já vinha sendo apontada por estudos recentes. Em artigo publicado em 2025 no boletim da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o economista Rogério Nagamine Costanzi destacou que os níveis de investimento do Brasil são inferiores não apenas aos de países desenvolvidos, mas também aos de nações consideravelmente mais pobres, como Paraguai e Bolívia.
No mesmo estudo, Costanzi analisou outro fator decisivo para o crescimento econômico: a taxa de poupança. Mais uma vez, o desempenho brasileiro se mostrou decepcionante. O país poupa menos do que economias como Paraguai, Honduras e El Salvador. Embora a taxa de poupança interna tenha apresentado leve aumento — passando de 14,1% em 2024 para 14,4% em 2025 —, o nível continua insuficiente para sustentar um ciclo de expansão mais vigoroso.
A combinação entre baixa poupança e baixo investimento cria um círculo vicioso que limita o desempenho econômico do país. Nesse ambiente, o crescimento tende a se estabilizar em torno de 2% ao ano — um patamar modesto para uma economia com as dimensões e o potencial do Brasil.
Romper esse padrão exigiria uma mudança significativa de orientação nas políticas públicas. O primeiro passo seria rever a dinâmica dos gastos governamentais. No entanto, não há sinais de que o atual governo esteja disposto a seguir por esse caminho. Pelo contrário. Em 2024, o consumo do governo avançou 2,1%, reforçando a trajetória de expansão das despesas públicas.
Ao optar por ampliar gastos em vez de ajustá-los, o governo dificulta o trabalho do Banco Central no controle da inflação. A consequência direta é a manutenção de juros elevados por mais tempo — cenário que, como demonstram os próprios dados recentes, desestimula o investimento produtivo.
Como se esse quadro não bastasse, ganha espaço no debate nacional a proposta de reduzir a jornada de trabalho no modelo 6×1. A discussão surge como se essa mudança fosse suficiente para melhorar a qualidade de vida de trabalhadores que enfrentam, antes de tudo, um problema estrutural: a baixa qualificação educacional. A força de trabalho brasileira continua menos produtiva que a de diversos países, e essa realidade não se altera apenas com mudanças na organização da jornada.
Sem avanços consistentes na educação e sem controle efetivo dos gastos públicos — condição essencial para permitir a queda sustentável dos juros —, não há como elevar a produtividade nem estimular um ciclo de crescimento mais vigoroso.
Em última análise, trata-se de uma escolha. Os números de 2025 mostram que o investimento permanece fraco e que o PIB segue avançando abaixo do que poderia. Esse resultado não é inevitável. Ele reflete as decisões de política econômica tomadas até agora. Enquanto persistir o modelo atual, o país continuará reproduzindo uma fórmula conhecida — e segura — para a mediocridade econômica.