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Informe do Correio

Inflação dá trégua, mas risco permanece

Confira os destaques da coluna Informe do Correio, publicada em O CORREIO DE HOJE nesta segunda-feira 10 3
Por O Correio de Hoje
13/07/2026 | 18:01

A inflação de junho trouxe um respiro, mas ainda não autoriza celebração. O IPCA subiu 0,16%, bem abaixo da mediana de 0,31% esperada pelo mercado, e o acumulado em 12 meses recuou de 4,72% para 4,64%. Mesmo assim, permanece acima do teto oficial de 4,5%.

A melhora alcançou alimentos, bens industriais e serviços. A média das cinco principais medidas de núcleo acompanhadas pelo Banco Central caiu de 4,64% para 4,43%, sinal de desaceleração mais disseminada. O problema é que os serviços, mais sensíveis à demanda interna, ainda acumulam alta próxima de 5,9% em 12 meses.

Informe do Correio

Os riscos seguem relevantes. A tensão no Oriente Médio pode voltar a pressionar o petróleo. O El Niño, com possibilidade de intensidade elevada no segundo semestre de 2026 e efeitos até 2027, ameaça a produção de alimentos. A corrida eleitoral e a incerteza sobre a política econômica depois de outubro também dificultam as projeções.

Há ainda o peso do expansionismo fiscal. Neste ano eleitoral, o governo Luiz Inácio Lula da Silva criou despesas e operações de crédito que somam pelo menos R$ 180 bilhões. Essa injeção sustenta o consumo, mas alimenta a inflação e prolonga os juros altos.

Com a Selic em 14,25% ao ano e a dívida pública em forte crescimento, os estímulos tendem a perder força. O resultado de junho não representa virada definitiva. Ainda assim, abre espaço para o Banco Central continuar reduzindo os juros com cautela, desde que o ambiente externo não piore.