O número de servidores públicos federais em trabalho remoto parcial ou integral cresceu 28% entre outubro de 2024 e maio deste ano, chegando a 107,8 mil funcionários. O avanço, apoiado pelo governo, contrasta com o setor privado e com decisões recentes no exterior. No Canadá, Mark Carney determinou presença quatro dias por semana. A Califórnia adotou regra semelhante sob Gavin Newsom, enquanto Donald Trump encerrou o trabalho remoto ao voltar à Casa Branca.
A reversão tem fundamento. Chefias relatam falhas de comunicação, dificuldades de gestão, menor comprometimento, reuniões menos produtivas, problemas tecnológicos e perda na transmissão de conhecimento entre veteranos e novatos. A resistência parte sobretudo de servidores acostumados à comodidade de ficar em casa e economizar com transporte e alimentação.

No Brasil, 67% dos funcionários do Ministério da Gestão estão em home office. No Ministério da Fazenda, são 56%; na Advocacia-Geral da União, 53%; e no INSS, 49%. O IBGE tenta reduzir o percentual, mas ainda mantém 27% do quadro em regime remoto. O governo afirma que o modelo reduz gastos com imóveis e equipamentos e que o Programa de Gestão e Desempenho, baseado em metas e entregas, garante a qualidade dos serviços.
A percepção da população, porém, é diferente. Faltam estudos independentes sobre os efeitos do home office no setor público. Em relatório de 2025 sobre o PGD, com 119 responsáveis por instituições federais, seis em cada dez discordaram de que trabalhadores remotos demonstram maior comprometimento, não souberam responder ou evitaram a questão. Sobre produtividade, 49% não perceberam melhora, não souberam avaliar ou não responderam.
Há demandas reprimidas em praticamente todas as áreas. Ao ampliar o trabalho remoto sob pressão sindical, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva seguiu na direção oposta à de outros países e perdeu a chance de elevar a produtividade. O conforto do servidor não pode prevalecer sobre a qualidade do atendimento. O serviço público existe para servir ao contribuinte e deve ser julgado por resultados, não por conveniências corporativas.