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Informe do Correio

Discurso de Robério reforça atraso persistente

Confira os destaques da Coluna Informe do Correio, publicada na edição de O Correio de Hoje desta quinta-feira, 23 de abril de 2026
Por O Correio de Hoje
23/04/2026 | 17:02

O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte pelo Psol, Robério Paulino, voltou a apresentar um diagnóstico duro sobre a realidade do Estado, destacando problemas que, segundo ele, permanecem praticamente inalterados ao longo dos anos. Professor de economia da UFRN, o ex-vereador de Natal e ex-candidato ao Executivo estadual repete, na essência, o mesmo discurso de campanhas anteriores, o que, por si só, evidencia a estagnação do RN em áreas consideradas centrais.


Entre os principais pontos levantados, Robério destaca o que classifica como o maior gargalo do Estado, a educação. Ele afirma que o RN tem “quase 14%” de analfabetismo, o dobro da média nacional, estimada em torno de 7%, e resume o cenário com uma constatação direta, “um em cada 7 ou 8 potiguares ainda não sabe ler e escrever”. Para ele, esse quadro expõe um atraso estrutural persistente, agravado por deficiências na educação integral, ainda muito abaixo de estados vizinhos como Pernambuco, Ceará e Piauí.

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Na economia, o diagnóstico segue a mesma linha crítica. O professor aponta a dependência histórica de setores como o sal e o petróleo, este último em retração, e questiona o impacto real das energias renováveis. “A quase totalidade dos lucros não fica aqui”, afirma, ao defender que o Estado precisa avançar na industrialização e reduzir a dependência de produtos vindos de fora.


A área ambiental também aparece como ponto de alerta. Robério afirma que o semiárido potiguar “está virando deserto rapidamente” e que rios, açudes e barragens enfrentam assoreamento, reduzindo a capacidade de armazenamento de água. “Nossa terra está morrendo”, diz.


Ao reiterar esses mesmos problemas ao longo de diferentes eleições, o pré-candidato acaba reforçando a percepção de que o Rio Grande do Norte pouco avançou em áreas essenciais. O discurso se mantém atual não por novidade, mas pela permanência dos desafios.

Debate raso também marca disputa no RN

O embate nacional entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro tem sido marcado por ataques, ruídos e ausência de propostas consistentes, cenário que, guardadas as proporções, começa a se repetir no Rio Grande do Norte. A antecipação do clima eleitoral no Estado revela que, até agora, os principais nomes colocados na disputa ao Governo ainda não apresentaram, de forma clara, um conjunto de soluções estruturadas para os problemas históricos potiguares.


Assim como no plano nacional, o debate tende a escorregar para narrativas, posicionamentos e disputas de imagem, enquanto questões centrais seguem em segundo plano. No caso do RN, o desafio mais evidente está na incapacidade de transformar recursos e potencial econômico em desenvolvimento efetivo. O estado convive com uma dinâmica em que o dinheiro circula, mas não se fixa nem gera retorno sustentável.


A fuga de recursos aparece como um dos pontos mais críticos. Seja na dependência de cadeias produtivas externas, seja na incapacidade de reter ganhos de setores como energia e petróleo, o RN ainda não conseguiu consolidar um modelo econômico que reinvista localmente e produza crescimento contínuo. O resultado é um ciclo de baixo dinamismo, com impacto direto sobre emprego, renda e capacidade de investimento público.


Apesar desse diagnóstico conhecido, pouco se vê de propostas concretas voltadas à reorganização das finanças estaduais, à atração qualificada de investimentos ou à criação de políticas industriais consistentes. A discussão sobre ajuste fiscal, infraestrutura, educação básica e saúde pública permanece diluída, quando não simplesmente ausente.


O paralelo com o cenário nacional não é casual. Quando o debate político se afasta dos problemas reais e se concentra em disputas superficiais, o eleitor perde referências para decidir com base em projetos de governo. No Rio Grande do Norte, assim como no Brasil, o risco é atravessar mais um ciclo eleitoral com muitas falas e poucas respostas.

Oiticica consagra empenho de Fátima

A Barragem de Oiticica, no Seridó potiguar, tornou-se um dos símbolos mais concretos da gestão da governadora Fátima Bezerra e evidencia um ponto em que, faça-se justiça, houve continuidade, dedicação e entrega efetiva. Em meio a um ambiente político frequentemente marcado por críticas duras e, por vezes, movidas mais por disputa do que por avaliação técnica, a obra se impõe como resultado palpável.


Ao longo dos últimos anos, o governo estadual manteve o projeto como prioridade, garantindo a conclusão de uma estrutura aguardada por décadas. O empreendimento, iniciado ainda em gestões anteriores, avançou sob a atual administração até alcançar um estágio que hoje permite enxergar benefícios diretos para a população. A barragem já acumula cerca de 469 milhões de metros cúbicos de água, o equivalente a aproximadamente 63% de sua capacidade total, e pode atender até 2 milhões de pessoas.


Mais do que números, Oiticica representa segurança hídrica para municípios historicamente afetados pela irregularidade no abastecimento. A expectativa de que o reservatório possa sangrar ainda em 2026 reforça a relevância da obra no contexto regional.