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“Álvaro é péssimo gestor,incompetente e desajustado”

Confira os destaques da Coluna Informe do Correio, publicada na edição de O Correio de Hoje desta segunda-feira, 20 de abril de 2026
Por O Correio de Hoje
20/04/2026 | 17:19

A pré-campanha ao Governo do Rio Grande do Norte começou em temperatura alta e, até aqui, nada favorável ao ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL). Em entrevistas sucessivas, o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União) elevou o tom contra o adversário e concentrou ataques justamente no terreno mais sensível de uma disputa majoritária, a capacidade de gestão. Em uma das declarações mais duras, afirmou que Álvaro “mostrou que ele é um péssimo gestor, é incompetente, é desajustado”, ao associar a crítica ao desempenho fiscal da Prefeitura de Natal na gestão anterior.

Na fala, Allyson sustenta que a capital potiguar ficou com nota C na Capag, indicador da Secretaria do Tesouro Nacional que mede a capacidade de pagamento dos entes públicos. A partir daí, ele tenta construir um contraste político e administrativo entre Natal, o Governo do Estado e Mossoró, cidade que governou até o início deste mês. Segundo ele, Mossoró teria nota A, enquanto o Rio Grande do Norte e Natal aparecem em vermelho no quadro fiscal. O ex-prefeito mossoroense também acusou Álvaro de ter cometido “uma série de irresponsabilidades do ponto de vista orçamentário” e de ter deixado prejuízo para a capital.

O embate se soma a um ambiente de disputa mais agressivo nas últimas semanas. Além de Allyson, o pré-candidato do PT, Cadu Xavier, também passou a mirar Álvaro, chamando-o de “prefeito das obras inacabadas” e explorando politicamente o caso do Hospital Municipal de Natal, inaugurado no fim da gestão passada sem funcionamento pleno.

Nesse contexto de pressão e desgaste, Álvaro anunciou a suspensão temporária da agenda pública para a próxima semana, sob a justificativa de realizar exames de rotina, um check-up preventivo e uma cirurgia oftalmológica.

“Fátima está com sangue nos olhos”

A avaliação do ex-deputado federal Rafael Motta (PDT) sobre o momento político da governadora Fátima Bezerra sintetiza o tom de mobilização do grupo governista para 2026. Em matéria veiculada em O CORREIO DE HOJE, Motta afirmou que a chefe do Executivo estadual está pronta para reagir no cenário eleitoral e não deve ser subestimada. “Fátima está com sangue nos olhos”, declarou, ao apontar que a governadora teria força para reorganizar sua base e influenciar diretamente o resultado das próximas eleições.

A leitura do ex-deputado é de que há um erro de avaliação no ambiente político atual, que estaria subestimando a capacidade de articulação do grupo liderado por Fátima. “A gente não pode duvidar daquela mulher”, reforçou, indo além ao cravar que acredita, com convicção, em uma resposta eleitoral consistente. Para Motta, o campo governista tem potencial para eleger até três deputados federais, com possibilidade de um quarto nome, além de dois senadores e o próximo governador do Estado.

O discurso também carrega um componente pessoal. O ex-deputado destacou sua relação com Fátima, lembrando que foi acolhido por ela em Brasília no início de sua trajetória e aproximado de pautas como a educação. “Eu tenho muita gratidão a ela”, disse. Mesmo após divergências políticas, ele afirmou que o vínculo nunca foi rompido e que mantém “muito carinho por ela mesmo, de verdade”.

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Mudanças graduais no transporte de Natal

A nova política de gratuidades no transporte público, sancionada pelo prefeito Paulinho Freire, marca mais um passo no processo de reorganização do setor em Natal. A medida amplia o acesso de estudantes ao sistema, garantindo gratuidade para alunos da rede pública no trajeto casa escola e meia tarifa para demais estudantes, além de prever benefícios para pessoas com deficiência e condições específicas em datas como eleições e Enem.

A iniciativa não resolve os problemas históricos do transporte coletivo da capital, mas indica uma mudança de direção. Ao vincular o benefício à frequência mínima de 75% e estabelecer critérios objetivos para concessão, a gestão busca alinhar mobilidade com permanência escolar. Também há previsão de instrumentos como tarifa social, gratuidade em situações específicas e possibilidade de incentivos para estimular deslocamentos em áreas estratégicas da cidade.

O custo estimado da política chega a R$ 3 milhões por mês, valor que será absorvido pelo orçamento municipal e exigirá equilíbrio na gestão do sistema. Ainda assim, a decisão aponta para uma tentativa de estruturar o transporte não apenas como serviço, mas como ferramenta de inclusão social e educacional.

O setor, no entanto, ainda enfrenta desafios profundos. Questões como qualidade da frota, regularidade das linhas e sustentabilidade financeira permanecem no centro do debate. A nova lei, portanto, deve ser vista como parte de um processo mais amplo, que exige continuidade e ajustes.

Aos poucos, a gestão de Paulinho Freire sinaliza disposição para avançar. Ainda há um longo caminho a percorrer, mas a direção adotada sugere que mudanças mais consistentes podem estar em construção.