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Política

Zema sofre “ativismo judicial”, diz Flávio

Senador volta a acusar interferência da Corte no processo político, reforça agenda voltada ao agro e amplia críticas a decisões de ministros
Por O Correio de Hoje
23/04/2026 | 16:31

O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) é “mais uma vítima da militância do Judiciário” e voltou a acusar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de interferirem no processo eleitoral. A declaração foi feita nesta quarta-feira 22, durante agenda em Sinop (MT), onde o senador participou de evento do setor agropecuário.


Flávio manifestou solidariedade a Zema após o envio de uma notícia-crime pelo ministro Gilmar Mendes ao também ministro Alexandre de Moraes, pedindo a inclusão do ex-governador no inquérito das fake news. O caso teve origem na divulgação, por Zema, de um vídeo com teor satírico envolvendo integrantes da Corte. Para o senador, não houve crime na publicação. “É mais uma vítima deste ativismo judicial, que é muito lamentável”, afirmou, acrescentando que a imunidade parlamentar historicamente foi respeitada no país.

zema e flavio
Flávio Bolsonaro e Romeu Zema Foto: Reprodução


Na avaliação de Flávio, a iniciativa representa uma tentativa de influenciar o ambiente eleitoral. “Não há crime, ofensa, nada disso, apenas embate político. Para mim está muito claro que é uma tentativa de criar este canal, esta prevenção, em especial do Alexandre de Moraes, para que, durante a campanha, nossos opositores busquem o atalho direto para a Primeira Turma do STF, ao invés de acionarem o TSE”, disse.


O senador já havia adotado discurso semelhante na semana anterior, quando se tornou alvo de um inquérito autorizado por Moraes, a pedido da Polícia Federal, por suspeita de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A investigação tem como base uma publicação feita por Flávio na rede X (antigo Twitter), em que ele relaciona o governo brasileiro a supostas práticas ilícitas no contexto internacional.


Ainda durante a agenda em Mato Grosso, Flávio defendeu que o presidente do STF, Edson Fachin, permita que a escolha do próximo presidente ocorra sem interferência do Judiciário. “Deixe que os brasileiros escolham quem será o próximo presidente da República, sem interferência da Primeira Turma do seu tribunal”, afirmou.


No evento, o senador esteve acompanhado de lideranças políticas locais, como Wellington Fagundes (PL-MT) e José Medeiros (PL-MT), e direcionou parte de seu discurso ao agronegócio. Entre as promessas, destacou a intenção de viabilizar a Ferrogrão “o mais rápido possível”, projeto ferroviário voltado ao escoamento de soja de Mato Grosso até portos no Pará. A proposta enfrenta resistência de povos indígenas por prever traçado que cruza o Parque Nacional do Jamanxim.


Flávio também reafirmou posições alinhadas às bandeiras de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao declarar que não pretende realizar novas demarcações de terras indígenas. Segundo ele, comunidades teriam maior autonomia econômica em um eventual governo. “Se quiserem plantar, explorar ou desenvolver turismo em suas terras, vão poder”, disse.


Enquanto isso, Zema intensificou críticas ao Supremo durante agenda em Brasília com parlamentares da oposição. O ex-governador classificou a atuação da Corte de forma dura. “O Supremo, no passado, era o bombeiro do Brasil. Agora é o incendiário”, afirmou, ao sustentar que decisões recentes têm agravado tensões institucionais.


Zema também apresentou propostas de mudança no funcionamento do STF. Entre elas, sugeriu estabelecer idade mínima de 60 anos para indicação de ministros, restringir decisões monocráticas e facilitar a abertura de processos de impeachment, com base em maioria simples do Senado. O ex-governador defendeu ainda alterar o modelo de indicação, hoje concentrado no presidente da República, propondo participação de instituições como o Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).