O pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) afirmou ter “muito receio de candidatura que já começa muito alta”, ao avaliar o cenário eleitoral e o desempenho de adversários nas pesquisas. Segundo ele, uma largada com índices elevados pode representar um “falso positivo” quando não há exposição suficiente ao debate público. “Preservar a campanha sem antes ir para o debate, sem antes as pessoas conhecê-lo bem, é um falso positivo. A campanha se alicerça no decorrer do processo eleitoral”, disse, ao destacar que o teste real de uma candidatura ocorre ao longo da disputa.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Caiado evitou citar diretamente nomes, mas fez referência indireta a concorrentes que aparecem bem posicionados nas sondagens iniciais. Para ele, o desempenho nas pesquisas precisa ser confrontado com a capacidade de enfrentar debates e apresentar propostas consistentes ao eleitorado. O pré-candidato reconheceu, por outro lado, que sua própria campanha enfrenta o desafio de ampliar o nível de conhecimento junto à população, já que admite ser ainda pouco conhecido por parte significativa do eleitorado.

“A minha campanha é igual música sertaneja. Todo mundo dizia que era um pouco caipira. Na hora em que começaram a ouvir, tomou conta do Brasil”, afirmou, ao demonstrar confiança de que poderá crescer ao longo do processo eleitoral. Médico, produtor rural, ex-deputado federal por cinco mandatos e ex-senador, Caiado volta a disputar a Presidência após mais de três décadas da candidatura de 1989.
O pré-candidato também fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente em relação a políticas voltadas à população de baixa renda. Ao comentar o programa Desenrola Brasil, lançado em 2023 para renegociação de dívidas, ele afirmou que a medida é insuficiente para enfrentar problemas estruturais. “É como dar Novalgina a uma fratura exposta”, disse, acrescentando que vê na iniciativa uma forma de “política rasteira” ao utilizar os mais pobres e humildes.
No campo institucional, Caiado afirmou identificar excessos por parte do Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu a concessão de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Também declarou que pretende retomar o presidencialismo com mudanças no modelo de emendas parlamentares, sinalizando críticas ao atual arranjo político.
Ao tratar do cenário eleitoral, ele relativizou o peso das pesquisas neste momento inicial e destacou o alto índice de eleitores indecisos. “Nesta eleição, o importante não é apenas eleger o presidente. O desafio é se o eleito vai saber governar”, afirmou. Segundo ele, a avaliação de gestões anteriores deve influenciar a escolha do eleitor, ao citar que governos mal avaliados tendem a abrir espaço para adversários. “Se você está no mandato, perde a eleição e não faz o seu sucessor, é lógico que você não pode se credenciar como bom gestor naquele momento”, disse, em referência indireta ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Caiado evitou personalizar críticas a outros pré-candidatos e afirmou que pretende manter o debate em torno de propostas e diretrizes. “Eu não fulanizo o debate. Eu debato dentro de teses e de ideias que devam ser determinantes numa campanha eleitoral”, declarou. Ainda assim, afirmou que pretende apresentar um programa com foco em segurança pública, combate ao narcotráfico, enfrentamento à corrupção, geração de oportunidades para jovens e investimentos em infraestrutura. “A população quer um presidente que tenha coragem de devolver o Brasil aos brasileiros”, disse.
O pré-candidato também comentou as dificuldades para formação de alianças no campo da oposição. Segundo ele, a construção de coligações antes das convenções partidárias é um desafio, sobretudo diante da força da máquina governamental. “É muito difícil construir alianças antes do processo de convenção, principalmente para partidos de oposição”, afirmou, acrescentando que o PT teria maior capacidade de articulação nesse cenário.
Caiado mencionou o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, como um possível nome para compor a chapa, destacando sua capacidade política. “Ele é um vice ideal, ele sabe articular, trabalhar a política, trazer força e fazer política partidária”, disse. Apesar disso, ponderou que a definição de vice não é prioridade neste momento. “A última coisa que você faz é priorizar vice. O importante é avançarmos no plano de governo e nos debates”, afirmou.
Ao falar da base de apoio, o pré-candidato destacou ter respaldo em setores como o agronegócio, grupos religiosos e profissionais da área da saúde. Segundo ele, a estratégia é ampliar gradualmente essa sustentação política ao longo da pré-campanha, apostando na exposição e no debate como fatores decisivos para consolidar sua candidatura.