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Opinião

Direita cerca a América Latina

Cenário regional marcado por polarização política reúne diferentes perfis de direita e mantém disputa ideológica intensa entre governos e oposição
Por O Correio de Hoje
23/06/2026 | 15:09

A vitória do empresário de ultradireita Abelardo de la Espriella na eleição presidencial da Colômbia, segundo os resultados preliminares, acrescenta mais um elo à sequência de triunfos conservadores registrada nos últimos anos na América Latina.

Em disputas marcadas por forte polarização e margens estreitas, boa parte das candidaturas de centro perdeu espaço. Governos de esquerda, em vários casos, acabaram derrotados nas urnas. A direita venceu na Argentina, no Paraguai, no Chile, na Bolívia, no Equador, em El Salvador, na Costa Rica, em Honduras, na República Dominicana e no Panamá. O Peru também pode entrar nessa lista, embora o resultado ainda não esteja oficializado.

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Não se trata de um bloco homogêneo. Há entre os vencedores populistas, liberais radicais, conservadores moderados, políticos estreantes, dirigentes experientes e presidentes com inclinações autoritárias, como Nayib Bukele, de El Salvador, e Daniel Noboa.

A segurança pública, porém, aparece como ponto de convergência. Em uma região pressionada pelo avanço do crime organizado, quase todos fizeram do combate à criminalidade uma promessa central de campanha. Também se nota, entre eles, maior simpatia pela política de segurança defendida por Donald Trump para os Estados Unidos e para a relação de Washington com a América Latina.

A esquerda latino-americana nunca conseguiu, de modo consistente, apresentar respostas convincentes ao eleitorado nessa área. Na Colômbia, o fracasso da política de “paz total” com guerrilhas narcotraficantes, conduzida por Gustavo Petro, pesou contra seu candidato, Iván Cepeda. No Chile, a chegada de gangues e o aumento da preocupação com a violência ajudaram José Antonio Kast, de perfil ultraliberal, a suceder o esquerdista Gabriel Boric.

Bukele, já em seu segundo mandato em El Salvador, tornou-se a principal vitrine continental da agenda repressiva. Suas políticas de mão dura passaram a ser citadas como modelo por candidatos e governantes que prometem enfrentar o crime com menos concessões e mais força estatal.

A economia também mudou. Ficou para trás o ciclo de alta dos preços das commodities que, na primeira década do século, deu sustentação a governos de esquerda em vários países. A gestão perdulária daquela bonança cobrou a conta depois, com desastres econômicos na Argentina e, em grau extremo, na Venezuela chavista.

Na América do Sul, o Brasil permanece como a principal exceção ao avanço do cinturão de direita. O país terá neste ano mais uma disputa entre o PT de Luiz Inácio Lula da Silva e o bolsonarismo, agora representado por Flávio (PL), primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mais ao norte, a fortaleza mais expressiva da esquerda é o México de Claudia Sheinbaum, eleita em 2024 com o apoio do antecessor, Andrés Manuel López Obrador.

A onda conservadora, ainda assim, não é irresistível. Em muitos países, as disputas foram apertadas. Em outros, como Peru e Colômbia, chegaram a ser decididas por margens mínimas ou sob contestação.

O que se observa é uma polarização ideológica persistente, com oposições fortes, mobilizadas e dispostas ao confronto. Em alguns casos, essa tensão já resvalou em crises de governabilidade, como ocorreu no Peru e na Bolívia. As instituições e a convivência democrática seguem submetidas a esse teste na América Latina.