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Opinião

CNH Popular no RN acende disputa eleitoral antecipada na Assembleia

Confira a coluna de opinião desta quarta-feira 27
Coluna Opinião
27/08/2025 | 04:51

O debate em torno da CNH Popular incendiou a sessão da Assembleia Legislativa nesta terça-feira 26. O anúncio do programa, que oferece mil carteiras de habilitação gratuitas em 2025, foi apontado pelo deputado Gustavo Carvalho (PL) como uso político da máquina pública, em benefício do secretário de Fazenda, Cadu Xavier (PT), já ventilado como pré-candidato ao governo.

Para Gustavo, a medida seria “propaganda eleitoral antecipada” diante de um estado em colapso financeiro. O contraponto veio do líder do governo, Francisco do PT, que lembrou que a CNH Popular foi criada em 2011, só regulamentada em 2020, e segue critérios técnicos.

CNH Popular no RN acende disputa eleitoral antecipada na Assembleia
CNH Popular no RN acende disputa eleitoral antecipada na Assembleia - Foto: Divulgação

A disputa em plenário ganhou adesão de outros deputados: Nelter Queiroz (PSDB) questionou a capacidade operacional do Detran, enquanto Divaneide Basílio (PT) e Hermano Morais (PV) saíram em defesa da gestão, citando avanços em inclusão e diálogo. O embate expôs não apenas o programa em si, mas o pano de fundo eleitoral de 2026.

HABILITAÇÃO

O tema da CNH Popular revelou o que todo mundo sabe, mas poucos dizem em voz alta: quando o governo está fraco na gestão, aposta em pirotecnia social. Mil carteiras gratuitas podem render manchete, mas não enchem hospital nem pagam fornecedor atrasado. Gustavo Carvalho surfou bem nesse discurso, jogando luz sobre a presença constante de Cadu Xavier em anúncios oficiais. O líder do governo tentou colar o discurso de inclusão, mas ficou a pergunta no ar: inclusão de quem, exatamente? Da população de baixa renda ou do secretário no debate eleitoral de 2026?

DETRAN

Nelter Queiroz, com seu estilo direto, não perdeu a oportunidade de apontar o óbvio: se o Detran já se enrola para entregar CNH paga, como vai dar conta das gratuitas? A lembrança de que há concurso programado para a autarquia soa mais como promessa que realidade. O parlamentar deixou a dúvida: a fila vai andar ou vai engarrafar de vez? A resposta, como sempre, fica para depois.

CAERN

No embalo do debate, Nelter protocolou um projeto para garantir emprego de servidores da Caern em caso de privatização. Foi a senha para o colega Ubaldo Fernandes aparecer de braço dado com o sindicato e dizer que a estatal dá lucro e não está na pauta de venda. Discurso bonito, mas no corredor a pergunta é outra: se não tem privatização, por que tanto barulho para blindar servidor? Ou é vacina, ou é fumaça.

CAVERNAS

O deputado estadual Neilton Diógenes apresentou projeto para incluir a Rota das Cavernas como patrimônio turístico-cultural. O circuito envolve cinco municípios e promete agitar o turismo no interior. A proposta é boa, mas como sempre falta responder à velha questão potiguar: quem vai garantir infraestrutura para que turista chegue até lá sem cair num buraco de rodovia? Falar em cavernas é fácil, sair do buraco da gestão é que é difícil.

SOLDADO

O assassinato do sargento PM Paulo Trindade, em pleno Dia do Soldado, virou pauta emotiva no plenário. Solidariedade não faltou. O problema é que entre homenagens e discursos inflamados, ninguém respondeu ao drama central: a tropa segue sem estrutura, mal paga e exposta à criminalidade crescente. É o tipo de assunto que todo deputado usa para discurso, mas quase nenhum banca para resolver.

ARRECADAÇÃO

O deputado Coronel Azevedo (PL) cutucou onde dói: recorde de arrecadação, dívidas batendo à porta. O deputado colocou no telão imaginário da sessão a conta: R$ 44 milhões devidos só à Prefeitura de Natal. Some-se isso às dívidas com médicos, fornecedores e consignados e temos o retrato da gestão Fátima. O governo arrecada como nunca e deve como sempre. Algo está errado, e não é pouco.

ÁGUA

A deputada Eudiane Macedo (PV) chegou com boa notícia para Lagoa de Velhos: água encanada, depois de 10 anos de espera. O povo vibrou, teve café e até banho inaugural no chuveiro. A cena é bonita e rende história para coluna social, mas também expõe o atraso: em pleno 2025, comunidade comemora chegada de água encanada como se fosse conquista lunar. É a síntese do nosso atraso: o básico vira épico.

DEFESA

O deputado Dr. Bernardo (PSDB) escolheu o 1º de abril como Dia Estadual da Defesa Civil, lembrando o rompimento da barragem de Campo Redondo, que matou seis pessoas. Boa lembrança, mas a data escolhida gerou cochicho: associar tragédia ao Dia da Mentira não pega bem. Bastidores dizem que foi ato simbólico, mas na política, símbolo também comunica.