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Editorial

Allyson cresce, Álvaro sofre com desgaste e Cadu reage com Lula e Fátima

Confira o editorial do Agora RN deste sábado 6
Redação
06/06/2026 | 06:14

A nova pesquisa Exatus, veiculada em O Correio de Hoje desta sexta-feira 5, mostra movimentos distintos entre os três principais pré-candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte. Entre abril e maio, Allyson Bezerra (União) ampliou a liderança, Cadu Xavier (PT) avançou na terceira posição e Álvaro Dias (PL) perdeu terreno na disputa.

O crescimento de Allyson ocorre em um período em que o ex-prefeito de Mossoró intensificou a presença nos municípios potiguares. O principal instrumento dessa movimentação é o projeto “167 Razões”, iniciativa voltada a percorrer todas as cidades do Rio Grande do Norte, ouvir demandas locais e construir uma agenda de propostas. A ação ajudou a tirar a pré-candidatura de uma base concentrada em Mossoró e no Oeste e a projetá-la para outras regiões do Estado.

Allyson Bezerra Ex Prefeito de Mossoró Pré Candidato ao GoveRio Grande do Norteo do RN (147)
Allyson cresce, Álvaro sofre com desgaste e Cadu reage com Lula e Fátima - Foto: José Aldenir

Além da presença nos municípios, Allyson recebeu apoios de lideranças regionais e municipais, movimento que contribuiu para ampliar a percepção de capilaridade política. O apoio do prefeito de Caicó, Dr. Tadeu (PSDB), e de lideranças do Seridó teve peso simbólico por envolver uma cidade-polo. Também houve avanço em municípios do Potengi, com adesões de ex-prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e lideranças locais.

Mesmo com o crescimento, Allyson não ficou livre de desgaste. A Operação Mederi, da Polícia Federal, continua sendo usada por adversários como ponto de ataque político.

Outro dado favorável a Allyson está na rejeição. Na pesquisa Exatus de maio, ele aparece com o menor índice entre os três principais nomes. O dado ajuda a explicar por que o pré-candidato conseguiu crescer na estimulada sem enfrentar resistência proporcional.

Álvaro Dias teve movimento oposto ao de Allyson. O ex-prefeito de Natal caiu mais de 2 pontos entre abril e maio. No mesmo período, sua rejeição subiu mais de 3 pontos, empatando tecnicamente com Cadu no maior índice entre os principais pré-candidatos.

O principal foco de desgaste de Álvaro foi a engorda de Ponta Negra, obra executada durante sua gestão na Prefeitura do Natal. A intervenção passou a concentrar questionamentos de órgãos de controle e críticas políticas. Houve denúncia no Tribunal de Contas do Estado envolvendo a execução da obra, questionamentos sobre possíveis danos ao erário e cobranças relacionadas a aditivos, estudos e transparência. O Ministério Público Federal também cobrou medidas emergenciais e reestruturação do sistema de drenagem após alagamentos na área da praia.

Apesar do desgaste, Álvaro manteve ativos importantes. O PL reafirmou apoio à sua pré-candidatura, e o grupo liderado pelo senador Rogério Marinho (PL) promoveu atos no interior, inclusive em Mossoró, com presença de lideranças de várias cidades. O ex-prefeito também segue competitivo em Natal, onde governou por dois mandatos e onde conserva base política construída a partir da Prefeitura.

Cadu Xavier também cresceu no comparativo da Exatus, embora ainda permaneça distante dos dois primeiros colocados. A alta, embora modesta, indica avanço da pré-candidatura governista, impulsionada pela entrada mais direta da governadora Fátima Bezerra (PT) na defesa de seu nome e pela tentativa de associá-lo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No período, Fátima passou a apresentar Cadu como candidato de continuidade do grupo governista e como integrante do chamado “time de Lula” no Rio Grande do Norte. O discurso tenta transferir para o pré-candidato parte da força eleitoral do presidente no Estado. Na pesquisa Exatus de maio, Lula aparece 22 pontos à frente de Flávio Bolsonaro (PL).

Cadu também buscou se apresentar como nome técnico, ligado à organização fiscal do Estado e à gestão da Secretaria da Fazenda. Esse é o lado positivo de sua pré-candidatura: a tentativa de vincular seu nome a equilíbrio financeiro, folha em dia, programas de incentivo e continuidade administrativa.

O problema é que Cadu ainda enfrenta dois obstáculos. O primeiro é o baixo conhecimento eleitoral em comparação com Allyson e Álvaro. O segundo é a rejeição.

A pesquisa espontânea confirma a diferença de patamar entre os três. Quando os entrevistados citam livremente o nome em quem pretendem votar, Allyson lidera com 23,13%. Álvaro aparece com 13,21%, e Cadu registra 7,46%. O índice de indecisos ainda é elevado, com 48% dos entrevistados sem resposta espontânea, o que mostra espaço para disputa, mas também reforça a vantagem de quem já aparece mais lembrado pelo eleitor.

O levantamento também aponta que Allyson venceria a eleição no primeiro turno se a disputa fosse hoje. Considerando apenas os votos válidos, excluídos brancos, nulos e indecisos, o ex-prefeito de Mossoró chega a aproximadamente 52,5%. Pela regra eleitoral, a eleição para governador é definida no primeiro turno quando um candidato supera a maioria absoluta dos votos válidos.

O quadro de maio, portanto, mostra Allyson em expansão, Álvaro em queda e Cadu em recuperação gradual. Allyson cresce apoiado em presença municipal, baixa rejeição e ampliação de alianças. Álvaro sofre o impacto da engorda de Ponta Negra, mas conserva estrutura partidária e presença na capital. Cadu avança com apoio do governo e da marca Lula, mas ainda enfrenta alta rejeição e o desafio de se tornar mais conhecido no conjunto do eleitorado potiguar.