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Opinião

A hora do RN é agora: Estado ultrapassa R$ 101 bi de PIB, mas continua estagnado no cenário nacional

Confira a coluna de opinião deste sábado 15
Coluna Opinião
15/11/2025 | 05:46

O Rio Grande do Norte atingiu um marco histórico: ultrapassou a barreira dos R$ 101 bilhões de PIB e registrou a maior alta do Nordeste em 2023. É um resultado que deve, sim, ser celebrado. A economia potiguar mostra vitalidade, capacidade de produção e força de setores como serviços, comércio, indústria, energia renovável e construção.

O aumento foi de 4,2% em relação ao ano anterior, quando o Estado teve um PIB de R$ 93,819 bilhões. Além disso, o resultado ficou muito acima da média regional (que ficou em 2,9%). O PIB do País foi de 3,2% em 2023.

Industria de alimentos e um dos setores que influenciou na alta do PIB 830x468.jpg
A hora do RN é agora: Estado ultrapassa R$ 101 bi de PIB, mas continua estagnado no cenário nacional - Foto: Carmem Félix / Assecom

Mas, passada a comemoração, é preciso encarar a realidade que os números também revelam: apesar do crescimento expressivo, a participação do RN no PIB nacional segue praticamente a mesma. Em outras palavras, crescemos — mas não avançamos em relação ao resto do País. O nosso salto ainda não é estrutural; é conjuntural.

Apesar do expressivo crescimento, o PIB do Rio Grande do Norte foi o quarto menor da região – a liderança manteve-se com o estado da Bahia (R$ 430,988 bilhões). O PIB do Nordeste somou R$ 1 513 055 trilhões e o PIB do Brasil foi calculado em R$ 10 943 345 trilhões. O RN manteve 0,9% de participação no PIB nacional.

Isso deveria servir como alerta. Porque, enquanto a economia real dá sinais positivos, o Estado brasileiro que existe dentro do RN caminha na direção oposta.

O futuro, se nada mudar, não é animador. O Estado tem demonstrado, ano após ano, uma dependência crescente de arrecadação imediatista para bancar uma máquina pública pesada e cara. Somos o estado brasileiro com maior gasto proporcional com pessoal. O orçamento é drenado pela folha de pagamento. Sobra quase nada para investimentos – que são essenciais para o desenvolvimento da economia, aliás.

Quando falta gestão, sobram improvisos. Recentemente, o governo não apenas elevou a alíquota do ICMS, como também tomou decisões que escancaram o desespero fiscal. Uma delas foi a antecipação do recolhimento do imposto pelas empresas beneficiadas pelo Proedi, que agora precisam pagar o tributo antes mesmo de fechar o mês. Uma medida que aperta o caixa das empresas e fragiliza o ambiente de negócios.

O setor produtivo reage com razão. Reclama da falta de previsibilidade, da ausência de diálogo e da incapacidade do governo de enfrentar o que precisa ser enfrentado: as despesas estruturais que comprimem o orçamento, engolem receitas e tornam o RN refém de soluções fiscais de curto prazo.

Por isso, o momento exige mais do que discursos otimistas sobre o PIB. Exige coragem política. Exige escolhas claras. O RN precisa inaugurar um novo ciclo — e precisa fazê-lo agora.

A economia está respirando, investindo, produzindo. É justamente em momentos assim que Estados responsáveis avançam sobre suas próprias limitações. O RN não pode desperdiçar essa janela. O governo deve aproveitar o impulso atual para reduzir despesas estruturais e reorganizar o gasto público, para liberar espaço fiscal; revisar sua lógica arrecadatória, abandonando a dependência em cima de quem produz; diminuir impostos de maneira responsável, tornando o Estado mais competitivo que seus vizinhos; modernizar legislações, simplificando processos, atraindo investimentos e dando segurança jurídica; e criar programas ainda mais ousados de atração industrial, com estabilidade, previsibilidade e visão de longo prazo.

O RN só dará um salto de patamar se apostar no crescimento pelo volume, e não pelo peso da carga tributária. Mais empresas produzindo significa mais empregos, mais investimentos, mais competitividade e, sim, mais arrecadação — mas uma arrecadação saudável, sustentável e alinhada ao futuro.

O PIB recorde é uma oportunidade. Uma chance rara. Um aviso de que temos potencial econômico para ir além. Mas, se a estrutura estatal continuar travando a expansão, essa oportunidade se perderá — como tantas outras ao longo da história.

A economia está fazendo sua parte. O setor produtivo está fazendo sua parte.

Resta saber se o Estado fará a sua.

Porque, sem coragem para reformar, modernizar e tornar o RN competitivo, não haverá crescimento capaz de nos tirar do lugar onde sempre estivemos. O PIB mostrou o caminho. Cabe agora ao governo decidir se vai segui-lo ou se continuará preso às práticas que já provaram, inúmeras vezes, não levar a lugar nenhum.