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Editorial

A UFRN dos próximos anos

Eleição para a reitoria coloca em debate orçamento, expansão, assistência estudantil e as prioridades da universidade para 2027 a 2031
Redação do Agora RN
07/11/2026 | 00:42

A comunidade da Universidade Federal do Rio Grande do Norte vai escolher, na próxima terça-feira 10, o comando da instituição para o período de 2027 a 2031. Professores, técnicos administrativos e estudantes poderão votar entre três chapas, com possibilidade de segundo turno no dia 26 caso ninguém alcance a maioria absoluta de cara. A decisão interessa também à sociedade potiguar, pela contribuição da universidade à formação profissional, à pesquisa, à saúde e à economia do Estado.

As propostas apresentadas pelos candidatos revelam preocupações com o funcionamento cotidiano da instituição. Alessandro Câmara, da Chapa 1, defende conselhos mais participativos, ampliação da assistência estudantil, outro restaurante universitário em Natal e expansão da pós-graduação no interior. Também propõe parcerias com instituições públicas e privadas.

Prédio da reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Reitoria da UFRN, em imagem de arquivo — Foto: Cícero Oliveira

Rubens Maribondo, da Chapa 2, apoiada pelo atual reitor, Daniel Diniz, enfatiza a continuidade dos avanços acadêmicos e a redução das desigualdades entre unidades. Sua proposta inclui rever a distribuição interna do orçamento, considerando as despesas de funcionamento, ampliar o alcance da assistência estudantil e fortalecer o acolhimento e a saúde mental.

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Walter Pinheiro, da Chapa 3, apresenta críticas à centralização administrativa e às condições de trabalho. Defende maior autonomia para os campi, contratação de professores e técnicos, transparência orçamentária e financiamento pelo Ministério da Educação. Questiona as condições em que a expansão universitária poderá ocorrer diante das necessidades de pessoal e infraestrutura.

Essas propostas precisam ser examinadas à luz da capacidade de execução. A próxima gestão deverá informar quanto pretende investir, quais despesas terão prioridade e em que prazo os resultados poderão ser cobrados. A comunidade universitária merece conhecer os critérios que orientarão decisões como ampliar um auxílio, recuperar um prédio, equipar um laboratório ou abrir uma turma. A clareza dessas escolhas ajudará a acompanhar o cumprimento do programa vencedor.

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O orçamento exigirá trabalho permanente em Brasília e disposição para discutir a distribuição interna dos recursos. Cabe ao governo federal assegurar financiamento compatível com as responsabilidades que atribui às universidades. À reitoria caberá demonstrar as necessidades da UFRN com dados, negociar recomposição e prestar contas dos valores recebidos. Também será necessário avaliar contratos, custos de manutenção e procedimentos administrativos, preservando as atividades acadêmicas e as condições de trabalho.

A expansão merece atenção especial. Ampliar a presença universitária no interior significa oferecer oportunidades a jovens que enfrentam dificuldades para estudar longe de casa. Cada novo curso, entretanto, exige planejamento de despesas permanentes: professores, técnicos, bibliotecas, laboratórios, alimentação, transporte e apoio ao estudante. A abertura de vagas precisa vir acompanhada de condições para que os alunos concluam a formação com qualidade e encontrem uma estrutura em funcionamento durante todo o percurso.

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Há também uma dimensão regional a considerar. A oferta de graduação, pós-graduação e pesquisa deve dialogar com as necessidades dos municípios, os serviços públicos e as atividades econômicas de cada área. Esse diálogo pode produzir formação qualificada, soluções para problemas locais e oportunidades de trabalho. A universidade precisa manter canais regulares de escuta com escolas, hospitais, empresas, organizações sociais e administrações municipais, com respeito à autonomia acadêmica.

A permanência estudantil deve ocupar posição central nas decisões. Alimentação, moradia e transporte influenciam diretamente a frequência às aulas e a continuidade dos cursos. Os critérios de atendimento precisam ser claros, e a distribuição dos benefícios deve considerar as diferenças entre os campi. O acompanhamento das dificuldades dos estudantes também permite identificar precocemente situações de abandono e orientar medidas de apoio.

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Saúde mental, prevenção ao assédio e condições adequadas de trabalho exigem responsabilidades definidas, equipes preparadas e procedimentos acessíveis. As pessoas precisam saber onde buscar atendimento, como apresentar uma denúncia e quais encaminhamentos poderão esperar. A qualidade da vida universitária envolve as relações estabelecidas nas salas de aula, nos setores administrativos e nos espaços de pesquisa.

A eleição oferece à UFRN uma oportunidade de discutir suas prioridades com profundidade. Quem assumir terá de reunir capacidade administrativa, disposição para ouvir e firmeza na defesa do financiamento público. O compromisso esperado é com uma universidade que forme bem, produza conhecimento, amplie oportunidades e demonstre à população como utiliza seus recursos. Esse trabalho deverá começar com metas públicas e continuar sob acompanhamento da comunidade que escolherá a próxima gestão.