Os primeiros posicionamentos do governador eleito Cadu Xavier (PT) sobre a administração que começará em janeiro indicam uma preocupação com o equilíbrio das contas públicas e com a recuperação da capacidade de investimento do Rio Grande do Norte. São prioridades que precisam caminhar juntas, especialmente diante das dificuldades fiscais acumuladas pelo Estado.
Os dados mais recentes do Tesouro Nacional, divulgados nesta quarta-feira 28, ajudam a dimensionar a tarefa. Embora tenha reduzido proporcionalmente o comprometimento da receita com despesas de pessoal, o RN continua apresentando o maior índice do País, situação que exigirá decisões consistentes do próximo governo.

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Segundo o Relatório de Gestão Fiscal em Foco, as despesas de pessoal do Executivo potiguar passaram de 56,12% da Receita Corrente Líquida Ajustada no primeiro quadrimestre de 2026 para 55,17% no segundo. O RN também lidera o ranking nacional de precatórios em relação à receita, com índice de 33,4%.
É nesse ambiente que ganha importância a declaração de Cadu de que será necessário adequar o tamanho da estrutura pública à capacidade econômica do Estado. A avaliação alcança Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público e Tribunal de Contas, todos integrantes de uma estrutura institucional financiada, em maior ou menor medida, pela arrecadação estadual. “A gente precisa adequar o tamanho do Estado ao tamanho da nossa economia”, afirmou. A disposição de incluir os demais Poderes nessa discussão é um sinal relevante, considerando que o enfrentamento das dificuldades fiscais exige compromissos que ultrapassam os limites administrativos do Executivo.
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Cadu também apresentou uma meta objetiva: melhorar, em dois anos, a classificação fiscal do Rio Grande do Norte na Secretaria do Tesouro Nacional, passando de C para B. O resultado dependerá da evolução das receitas, do controle das despesas e do enfrentamento do déficit previdenciário. Na Previdência, o governador eleito pretende discutir o aumento da contribuição patronal dos Poderes, preservando a alíquota paga pelos servidores. São diretrizes que começam a estabelecer parâmetros para a futura gestão. O desafio será transformá-las em medidas negociadas, juridicamente viáveis e capazes de produzir resultados duradouros.
O compromisso de preservar o funcionalismo também deverá ser compatibilizado com a necessidade de conter o crescimento das despesas. Cadu prometeu cumprir a Lei Complementar Estadual nº 777/2025, que estabelece revisão salarial anual em abril, mas condicionada ao limite de crescimento da folha. Ao mesmo tempo, reconheceu a insuficiência de pessoal em determinadas secretarias. A combinação exige planejamento para distinguir necessidades efetivas de reposição de servidores, despesas permanentes e possibilidades de reorganização administrativa.
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Outra frente importante está no licenciamento ambiental. Ao defender mudanças no Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), Cadu reconheceu um problema que afeta diretamente a implantação de empreendimentos no Estado. “Não dá para um empresário ficar esperando 10 anos por uma licença. Ou concede a licença ou não concede”, declarou. A proposta de estabelecer prazos, ampliar o uso de tecnologia, descentralizar procedimentos e revisar o marco legal aponta para uma questão concreta: a necessidade de oferecer segurança administrativa aos investidores, preservando as exigências de proteção ambiental.
A melhoria do ambiente de negócios se relaciona diretamente com a estratégia de ampliar a atividade econômica e reduzir a dependência dos recursos públicos. O governador eleito mencionou mineração, energias renováveis, fruticultura e turismo como setores capazes de gerar empregos e receitas. Também destacou a importância de qualificar trabalhadores para atender às demandas dessas atividades. Trata-se de uma articulação necessária entre desenvolvimento produtivo, educação e arrecadação, especialmente em um Estado com baixa capacidade de investimento próprio.
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Na infraestrutura, Cadu apresentou prioridades que incluem a duplicação da BR-304, a recuperação das rodovias estaduais, a ampliação das conexões aéreas, a ligação com a Transnordestina e a viabilização do Porto Indústria Verde. São projetos que dependem de recursos expressivos, articulação federativa e participação privada. A disposição de ampliar parcerias público-privadas e aproveitar experiências administrativas de outros estados, como o Piauí, merece atenção. O próximo governo precisará estabelecer prioridades de execução, considerando as limitações financeiras e a maturidade técnica de cada empreendimento.
A reforma tributária também estará entre os desafios econômicos. Cadu reconheceu que as mudanças nas regras de arrecadação exigirão novas estratégias para atrair e manter empresas. A preocupação com a permanência da Guararapes demonstra compreensão da importância de preservar atividades industriais já consolidadas. O Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional poderá representar uma fonte de financiamento para infraestrutura, mas seu aproveitamento dependerá da capacidade estadual de estruturar projetos e estabelecer negociações com o setor produtivo.
As primeiras manifestações de Cadu apresentam sinais favoráveis quanto ao reconhecimento dos problemas e à definição de prioridades. O governador eleito conhece as dificuldades financeiras por ter participado diretamente da administração estadual. Essa experiência aumenta sua responsabilidade sobre os resultados que serão cobrados a partir de janeiro.