O Ministério Público iniciou um levantamento sobre as condições de funcionamento de museus e casas de cultura do Rio Grande do Norte. Uma equipe de arquitetos da instituição está percorrendo municípios para avaliar a conservação dos imóveis, identificar problemas de infraestrutura e examinar os modelos de administração desses equipamentos. Segundo o procurador Manoel Onofre Neto, os primeiros resultados já apontam deficiências que precisarão ser enfrentadas pelo poder público.
O diagnóstico integra uma mobilização denominada Farol da Cultura, que pretende reunir órgãos públicos e representantes da sociedade civil em torno de uma política mais abrangente de preservação do patrimônio histórico, arquitetônico e artístico potiguar.

A iniciativa chega em um momento oportuno, diante da transição para um novo governo estadual e das discussões sobre o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Norte. A mobilização já realizou três reuniões e foi apresentada a candidatos ao Governo do Estado, inclusive Cadu Xavier, eleito no último domingo. A intenção é construir uma estratégia de atuação conjunta, com diagnóstico técnico, definição de responsabilidades e mecanismos de financiamento.
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O levantamento poderá oferecer informações importantes sobre uma rede de equipamentos culturais espalhada pelo Estado, especialmente no interior, onde antigas casas de cultura enfrentam dificuldades de manutenção e funcionamento. Onofre reconheceu que os resultados preliminares já identificaram problemas. A divulgação dessas informações permitirá dimensionar as necessidades de investimento e distinguir situações que exigem intervenções estruturais daquelas que podem ser resolvidas com mudanças na gestão e na programação.
Uma das questões levantadas pelo procurador diz respeito à utilização econômica dos espaços culturais. Ele defendeu a discussão de parcerias com a iniciativa privada para ampliar as receitas destinadas à conservação de imóveis históricos. Citou o funcionamento da Pinacoteca de São Paulo e a realização de eventos em equipamentos culturais como exemplos de possibilidades que poderiam ser estudadas. Também mencionou o Forte dos Reis Magos, em Natal, como espaço com potencial para receber atividades compatíveis com suas características históricas.
O debate merece atenção porque a manutenção de equipamentos históricos exige despesas permanentes com conservação, segurança, pessoal e atividades culturais.
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Em Natal, essa discussão está diretamente relacionada ao futuro da Ribeira. O bairro reúne parte importante do patrimônio histórico da capital e concentra equipamentos como a Casa da Ribeira, o Museu de Cultura Popular e a Capitania das Artes e espaços próximos ao antigo porto. Onofre defendeu a integração dessas estruturas em um projeto mais amplo de revitalização, envolvendo atividades culturais, comércio, gastronomia, serviços e ocupação residencial. “Eu acho que falta essa coordenação”, observou.
O procurador também destacou que a recuperação econômica da Ribeira dependerá de soluções para problemas urbanos que ultrapassam a área cultural. Entre eles estão a oferta de estacionamento, a circulação de pessoas e a necessidade de atrair moradores para o bairro. Essa avaliação aponta para a importância de tratar a revitalização como parte do planejamento urbano, articulando políticas de habitação, mobilidade, conservação dos imóveis e estímulo às atividades econômicas.
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Outro problema é o desconhecimento da própria população sobre os equipamentos culturais potiguares. O que demonstra a necessidade de ampliar a divulgação dos espaços locais e estimular sua visitação. A formação de público depende de programação regular, atividades educativas e maior aproximação com escolas, universidades e profissionais de diferentes áreas.
A realização do Salão Dorian Gray, com cerca de 150 obras de artistas potiguares na Pinacoteca, oferece um exemplo dessa articulação. A exposição, que abre neste sábado, reúne profissionais consagrados e novos talentos, movimenta serviços de montagem, produção gráfica e mediação cultural e aproxima artistas de potenciais compradores. Como observou Onofre, “a arte mexe com a economia”. O reconhecimento dessa dimensão pode contribuir para inserir a cultura nas políticas de desenvolvimento, com atenção à formação profissional, à circulação das obras e à sustentabilidade dos espaços expositivos.
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O Rio Grande do Norte dispõe de um patrimônio cultural distribuído por diferentes regiões, com potencial para integrar atividades educativas, turísticas e econômicas. Conhecer as condições dessa estrutura e organizar sua utilização são providências necessárias para que os investimentos em preservação tenham continuidade e produzam benefícios para as comunidades que convivem com esses bens.