A Carreta da Imagem chegou a João Câmara e encurta uma viagem que, durante anos, fez parte da rotina de quem mora no interior potiguar. Quem precisava de exame de imagem tinha de sair da cidade e rodar dezenas de quilômetros. Agora a unidade móvel faz tomografia computadorizada sem contraste e ultrassonografia para moradores de 26 municípios da 3ª Região de Saúde.
A capacidade prevista é de 80 tomografias e 80 ultrassonografias por dia, o que soma até 160 exames em 24 horas de funcionamento da unidade. A estrutura fica na cidade por 30 dias, prazo que pode se estender a 45, e em seguida segue para São Paulo do Potengi, onde a operação se repete para atender outra região de saúde do Estado.

A governadora Fátima Bezerra (PT) foi conhecer a estrutura na terça-feira 22. Estavam com ela o superintendente do Ministério da Saúde no Estado, Jalmir Simões, e a secretária-adjunta estadual da Saúde, Leidiane Queiroz.
O equipamento pertence ao Agora Tem Especialistas, programa do governo federal que busca ampliar e espalhar pelo interior o acesso a atendimento de especialidade. No Rio Grande do Norte, o programa já trouxe também a Carreta da Oftalmologia e a Carreta da Saúde da Mulher. Pelo balanço apresentado na visita, cerca de 20 mil potiguares passaram pelos serviços.
“Já cuidamos da vida de cerca de 20 mil pessoas”, afirmou a governadora. “Esse é o balanço: 20 mil potiguares já foram atendidos no Rio Grande do Norte por meio do programa Agora Tem Especialistas.” Ela creditou parte do resultado a uma das outras unidades: “A Carreta da Oftalmologia deu uma importante contribuição para reduzirmos drasticamente a fila para cirurgias de catarata.”
Antes de João Câmara, a Carreta da Imagem parou em três cidades do interior: Caicó, Pau dos Ferros e Angicos. Nessas três cidades foram feitas mais de 5 mil tomografias, de acordo com o superintendente Jalmir Simões. As unidades móveis circulam pelo Estado desde fevereiro.
“Desde fevereiro, estamos com essas carretas no Rio Grande do Norte”, disse o superintendente. “A carreta que hoje está aqui em João Câmara vai atender, durante 30 dias, os 26 municípios da 3ª Região de Saúde.” Ele somou o que já foi feito: “Das que já passaram pelo RN, nós já realizamos, por exemplo, mais de 7 mil cirurgias de catarata.”
O atendimento é gratuito e passa pela rede pública, com encaminhamento feito pelas secretarias municipais de saúde das cidades que a unidade atende na região.
A fila em João Câmara
A fila local já sentiu o efeito. Até o momento da visita, 300 tomografias tinham sido realizadas em João Câmara, conforme a secretária municipal de Saúde, Jane Rafaela. “Até o momento, já realizamos 300 tomografias”, afirmou. “Isso faz com que diminuamos a demanda dos que estão sendo contemplados neste momento.”
Para parte dos pacientes, a carreta encerrou uma espera que já durava meses, em alguns casos mais de um ano. Moradora de Taipu, Rosângela Silva esperava havia três meses por uma tomografia cerebral e fez o exame na terça-feira.
“Eu considero que esse serviço é uma bênção para todos nós que estamos aqui, devido às dificuldades que enfrentamos no nosso dia a dia”, afirmou. “Então, ao dispor de um exame desse, a gente agradece por essa assistência, por essa ajuda.”
A espera de Frankelaine Santos foi bem maior. Ela mora em Parazinho e estava na fila da tomografia havia um ano e nove meses. “Fiquei muito surpresa quando recebi a ligação informando que tinha conseguido”, relatou. “Já estava sem esperança, praticamente.” E acrescentou: “Esse é um exame muito complexo e difícil para a gente conseguir fazer particular.”
A prefeita de João Câmara, Aize Bezerra, lembrou a distância que os moradores percorriam até pouco tempo atrás. “Isso é muito importante para nós, porque é um orgulho poder participar da parceria do município com o governo do Estado”, disse. “Em um tempo muito recente, pessoas de João Câmara se deslocavam para muito longe para realizar uma tomografia.” E completou: “Hoje, a gente tem aqui, na porta de casa.”
Leia também: Carreta realiza quase 400 exames em menos de duas semanas em Natal
Além de cortar deslocamento para Natal e para outras cidades que concentram serviço especializado, a ideia é usar a capacidade da unidade móvel para baixar a fila de exame acumulada na rede pública da região.