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Paralisação

Trabalhadores dos Correios entram em greve por tempo indeterminado

Movimento nacional começou nesta sexta-feira 11 após negociações terminarem sem acordo; trabalhadores potiguares também participam da mobilização
Agora RN
11/09/2026 | 23:58

Trabalhadores dos Correios iniciaram uma greve nacional por tempo indeterminado nesta sexta-feira 11 após assembleias realizadas na noite de quinta-feira 10. Segundo a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), sindicatos de todos os estados aprovaram a paralisação. No Rio Grande do Norte, a categoria também vai aderir ao movimento, conforme manifestação do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do RN (Sintect-RN).

A greve ocorre após as negociações da campanha salarial terminarem sem acordo. De acordo com a Findect, um dos principais pontos de impasse é o plano de saúde dos funcionários, que poderá passar por mudanças propostas pela direção da estatal.

Unidade dos Correios na Zona Norte de Natal, com veículos de entrega estacionados
Unidade dos Correios na Zona Norte de Natal — José Aldenir/Agora RN

“ A decisão das assembleias ocorre depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua posição em um tema considerado fundamental pelos trabalhadores”, informou a federação.

No Rio Grande do Norte, o Sintect-RN também aponta como motivos para a mobilização possíveis fechamentos de unidades operacionais e agências, além de mudanças em direitos dos funcionários. A entidade afirma que cerca de 40% das unidades operacionais estariam sob risco de fechamento e cita a possibilidade de encerramento das atividades de mais de mil agências em todo o Brasil.

O sindicato potiguar também contesta o corte do adicional de quebra de caixa e do AAG, que, segundo a entidade, contraria a sentença normativa da categoria. O Sintect-RN argumenta ainda que o fechamento de unidades poderá aumentar a carga de trabalho dos funcionários que permanecerem em atividade e afetar o atendimento à população.

Em nota, os Correios informaram que colocaram em funcionamento um Plano de Continuidade de Negócios para reduzir os impactos da greve sobre os serviços. “Entre as ações estão o remanejamento de equipes, o reforço das atividades operacionais e a adoção de medidas logísticas específicas para preservar a regularidade das entregas em todo o país”, informou a empresa.

Ainda não há um balanço nacional detalhado sobre o funcionamento das agências e dos serviços durante a paralisação. Na Paraíba, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do estado, Tony Sérgio, apenas os serviços administrativos internos permanecem funcionando.

A greve ocorre em meio à crise financeira enfrentada pelos Correios. A estatal acumula 15 trimestres consecutivos de resultados negativos e registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026.

Apesar do resultado negativo, o prejuízo registrado no segundo trimestre ficou abaixo dos números do primeiro trimestre deste ano e do quarto trimestre de 2025. O primeiro trimestre de 2026 havia registrado o maior prejuízo da empresa no período recente. Os Correios também aguardam uma nova operação de crédito. A previsão é de um empréstimo de R$ 7 bilhões, já mencionado nas demonstrações financeiras do primeiro semestre divulgadas pela estatal no fim de agosto.

No fim de 2025, os Correios receberam R$ 12 bilhões por meio de outra operação de crédito. A expectativa é de que os novos recursos sejam obtidos por meio de um consórcio de instituições financeiras.