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Eleições 2026

Candidatos ao Governo do RN são chamados a assinar dez compromissos pela educação na sexta-feira 11

Carta do Gaepe-RN vale para a gestão 2027-2030 e prevê acompanhamento periódico do que for cumprido.
Agora RN
09/09/2026 | 10:08

Quem disputa o Governo do Rio Grande do Norte foi chamado a assinar, na sexta-feira 11, em Natal, um documento com dez compromissos para a educação estadual. O encontro leva o nome de “Pacto pela Educação no Rio Grande do Norte – Compromisso para a Gestão Estadual 2027-2030” e é promovido pelo Gaepe-RN, sigla do Gabinete de Articulação para a Efetividade da Política da Educação no Rio Grande do Norte.

A sessão começa às 10h30 e termina ao meio-dia, no auditório que a Fiern mantém na Avenida Senador Salgado Filho, 1845, em Lagoa Nova. Além da federação das indústrias, apoiam a iniciativa o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) e o Instituto Articule. Todas as candidaturas ao Governo do Estado receberam convite para participar.

Fachada da sede da Fiern, em Natal, vista de baixo com céu azul
Fachada da sede da Fiern, em Natal — Fiern/Assessoria

Ali, cada concorrente poderá pôr o nome na Carta de Compromissos pela Educação no Rio Grande do Norte. Os organizadores classificam o ato como institucional e suprapartidário, e a finalidade declarada é levar pautas consideradas prioritárias para dentro dos programas de governo e das políticas do mandato que começa em 2027.

O que a carta cobra

O texto saiu das discussões travadas dentro do Gaepe-RN. São dez compromissos organizados em torno de uma sequência: entrar na escola, permanecer nela, aprender e concluir a trajetória escolar, com a comunidade participando do processo. E há uma condição atravessando tudo — que essas ações venham com qualidade, com inclusão e com desigualdades menores no fim. O ponto de partida é o reconhecimento da educação como direito de qualquer pessoa, formulação que abre o documento.

Cinco diretrizes gerais sustentam o documento: horizonte longo de planejamento; dinheiro em volume adequado; profissionais valorizados; gestão democrática; e participação social. Some-se a isso o pedido de mais cooperação entre a máquina estadual e as prefeituras.

Há também a costura da educação com outras políticas — proteção de direitos, segurança pública, assistência social, saúde. O objetivo é acompanhar o estudante de perto e atacar o que dificulta a chegada dele à sala de aula ou o empurra para fora dela.

Os dez pontos

A lista abre pelo planejamento educacional dos próximos dez anos e segue por dois eixos de governança: gestão democrática mais forte e melhor entrosamento entre as redes públicas. Vêm em seguida medidas para dar estrutura aos sistemas de ensino, aos conselhos da área e aos instrumentos técnicos de gestão.

Depois o documento percorre as etapas escolares. Começa pela primeira infância e pela educação infantil, passa pela alfabetização e pelo aprendizado no ensino fundamental — tanto nos anos iniciais quanto nos finais — e chega ao ensino médio, à educação profissional e tecnológica e ao ensino superior. A ampliação do tempo integral fecha esse bloco.

Na parte de inclusão, a carta pede que o Estado vá atrás das crianças e dos adolescentes que estão fora da escola, reforce a educação especial inclusiva e desenvolva ações ligadas às relações étnico-raciais. Pede ainda que sejam consideradas as necessidades específicas de quem estuda no campo e de quem vive em comunidades indígenas e quilombolas.

Um eixo inteiro trata de quem trabalha na educação. São três pedidos: mais formação, mais servidores efetivos no quadro e cumprimento do piso salarial. O texto também cobra escolas em melhores condições físicas, financiamento da área e a conclusão — ou a retomada — das obras que pararam.

A proteção do aluno aparece na sequência. A carta quer prevenção e resposta mais firmes diante de episódios de violência, quer o Programa Saúde na Escola consolidado e quer mais psicólogos e assistentes sociais atuando na rede pública. Defende, por fim, uma atuação conjunta em merenda, transporte, apoio psicossocial e no acompanhamento de frequência e aprendizagem, de modo que órgãos diferentes trabalhem juntos para segurar o estudante na escola.

O que o assinante assume

Quem assina se compromete a levar essas prioridades em conta ao elaborar, revisar e executar o próprio programa de governo. Se for eleito, terá de incorporá-las ao planejamento, ao orçamento e à gestão estadual — ou seja, o compromisso não morre na assinatura de sexta-feira. Pede-se ainda transparência sobre o que foi feito, quanto custou e que resultado produziu. E prevê fiscalização: o cumprimento poderá ser conferido de tempos em tempos pelo próprio Gaepe-RN e pelas instâncias de participação e de controle social.

Quem está por trás

A carta é fruto de diagnósticos, de notas técnicas e de propostas que vieram das 35 instituições reunidas no Gaepe-RN. Estão ali os sistemas de controle e de Justiça, a administração estadual e as municipais, os conselhos de educação, as universidades e entidades da sociedade civil — um arco que atravessa os três lados da mesa: quem executa a política, quem a fiscaliza e quem é afetado por ela.

O gabinete foi instalado em 17 de março de 2025 e existe para pôr na mesma mesa governos, instituições públicas de educação e organizações sociais. No Rio Grande do Norte, quem coordena são o Instituto Articule e o TCE-RN. A concepção dos Gaepes é do próprio Instituto Articule, que os desenvolve mediante acordo de cooperação com a Atricon — Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil — e com o Instituto Rui Barbosa (IRB), por meio do Comitê Técnico de Educação.