O governo federal elevou para R$ 1.741 a estimativa do salário mínimo para 2027. O valor deverá constar no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que será enviado ao Congresso Nacional até o fim de agosto.
A projeção anterior era de R$ 1.717 e havia sido apresentada no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias. Em abril, o Ministério do Planejamento e Orçamento detalhou oficialmente essa estimativa, usada como referência inicial para a elaboração das contas públicas do próximo ano.

O novo cálculo adiciona R$ 24 à previsão anterior. O valor, no entanto, ainda poderá mudar até dezembro, quando será conhecido o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado até novembro, indicador utilizado na definição do reajuste.
Atualmente, o salário mínimo é de R$ 1.621. A nova estimativa foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes da equipe econômica para fechar a proposta do Orçamento de 2027.
Segundo Durigan, o governo pretende manter a política de valorização do piso e a vinculação do valor aos benefícios previdenciários e sociais.
“Ele, necessariamente, cumprindo a legislação brasileira, dentro do nosso espírito de privilegiar a população mais carente, vai também para a Previdência e para os benefícios sociais que têm a indexação do salário mínimo”, afirmou.
Quanto o salário mínimo pode aumentar
Se a projeção de R$ 1.741 for confirmada, o salário mínimo terá aumento nominal de R$ 120 em relação aos atuais R$ 1.621. O reajuste corresponderia a aproximadamente 7,4%.
Em relação aos R$ 1.717 previstos anteriormente, a revisão representa uma alta adicional de cerca de 1,4%. O Agora RN havia mostrado que a primeira projeção equivalia a um aumento de R$ 96 sobre o piso vigente.
O valor definitivo dependerá da fórmula prevista na política de valorização. O cálculo considera a inflação medida pelo INPC e um ganho real, condicionado às regras fiscais. Como os indicadores econômicos ainda podem variar, a inclusão de R$ 1.741 no Orçamento não equivale à fixação formal do piso.
Benefícios também serão reajustados
O aumento do salário mínimo afeta benefícios que utilizam o piso nacional como referência. Entre eles estão aposentadorias e pensões do INSS pagas no valor mínimo, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o piso do seguro-desemprego e o valor máximo do abono salarial.
Durigan descartou a possibilidade de retirar essa vinculação no Orçamento de 2027. Dessa forma, caso o valor seja confirmado, os benefícios equivalentes ao mínimo também passarão a ter o piso de R$ 1.741 no próximo ano.
O reajuste também influencia contribuições calculadas sobre o piso. Em 2026, por exemplo, os recolhimentos de contribuintes individuais, segurados facultativos e microempreendedores individuais usam o salário mínimo de R$ 1.621 como uma das bases. O Agora RN detalhou as alíquotas e os valores atuais das contribuições ao INSS.
Por que o valor ainda pode mudar
A proposta orçamentária será analisada pelo Congresso Nacional. Durante a tramitação, deputados e senadores poderão discutir as estimativas de receitas e despesas apresentadas pelo Executivo, mas o piso definitivo dependerá da atualização dos indicadores usados na fórmula.
A inflação efetiva até novembro é um dos componentes que ainda não estão fechados. Se o INPC ficar acima ou abaixo da projeção considerada pelo governo, o salário mínimo poderá ser revisto antes de entrar em vigor.
O valor oficial deverá ser anunciado em dezembro e passará a valer em janeiro de 2027. Até lá, os R$ 1.741 devem ser tratados como estimativa para a elaboração do Orçamento, e não como piso já definido.