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Energia

Setor eólico quer esticar até 2032 isenção de ICMS que já vale até o fim de 2028

Pedido cobre os quatro anos em que o ICMS será reduzido até a extinção, prevista para 2033 pela Reforma Tributária
Agora RN
24/08/2026 | 18:03

O pedido que a cadeia da energia eólica levou ao Governo do Estado — estender até 2032 a vigência do Convênio ICMS 101/97 — mira um intervalo preciso: os quatro anos que separam o fim do benefício atual da extinção do próprio imposto. O texto do convênio, disponível no Confaz, que isenta de ICMS equipamentos e componentes para geração eólica e solar, já está prorrogado até 31 de dezembro de 2028 pelo Convênio ICMS 156/2017. O que o setor quer garantir agora é a janela de 2029 a 2032 — exatamente o período em que, pela Emenda Constitucional nº 132/2023, da Reforma Tributária, as alíquotas do ICMS serão reduzidas ano a ano enquanto o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) entra em vigor, até a extinção do tributo estadual em 2033.

Sem a prorrogação, abre-se um vácuo: entre o fim do convênio e a consolidação do novo sistema, equipamentos hoje isentos voltariam a ser tributados justamente na fase mais incerta da transição. A demanda foi apresentada ao secretário estadual da Fazenda, Álvaro Luiz Bezerra, em reunião com representantes do Cerne, da Abeeólica, da fabricante Vestas e da Abimaq, além do ex-senador Jean Paul Prates, conforme revelou o O Correio de Hoje, que estimou em R$ 10,5 bilhões os projetos no RN que dependem da definição.

Torres eólicas alinhadas em campo aberto sob céu claro, na região de São Miguel do Gostoso.
Aerogeradores em São Miguel do Gostoso: RN concentra 11,3 dos 34,9 gigawatts eólicos instalados no país, e setor quer isenção de ICMS garantida durante a transição da Reforma Tributária. — Foto: Acervo Agora RN

O argumento central é o descompasso entre o calendário tributário e o ciclo dos investimentos. Um parque eólico atravessa fases de contratação, financiamento, licenciamento, fabricação e construção — decisões tomadas agora valem para operação a partir de 2028. “A extensão do atual regime até 2032 permitiria atravessar o período da Reforma Tributária com regras mais claras e reduzir riscos para novos investimentos, fornecedores e empregos”, afirmou o diretor de Relações Institucionais do Cerne, Thiago Medeiros.

Como o convênio é do Confaz, o Rio Grande do Norte não decide sozinho: qualquer mudança de vigência precisa ser aprovada pelo conselho que reúne os secretários de Fazenda dos estados e do Distrito Federal. O peso potiguar na conversa, porém, é objetivo. O Brasil tem 34,9 gigawatts de capacidade eólica instalada em 1.124 parques, segundo a Abeeólica, e o RN responde por cerca de 11,3 GW — quase um terço do total nacional. A capacidade industrial brasileira do setor é estimada em 5,5 GW por ano, com índice de nacionalização próximo de 80%.

A discussão tributária se soma a outra frente aberta no Estado: a das regras de licenciamento. Na semana passada, o candidato ao Governo Allyson Bezerra defendeu mudanças no Idema e vinculou a agilidade do licenciamento ambiental à atração de novos investimentos e à arrecadação de ICMS — sinal de que o ambiente de negócios da energia entrou de vez no debate eleitoral. O Estado também mira a chamada geração de fronteira, com novas tecnologias e expansão do parque renovável, o que amplia a lista de projetos sensíveis ao desenho tributário dos próximos anos.

Procurado pelo setor, o Governo do Estado não anunciou prazo para levar a proposta ao Confaz. A definição, seja qual for, terá de vir antes de 2028 — depois disso, o custo da incerteza já estará embutido nos contratos.