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Sistema elétrico

ONS restringe geração de energia pela segunda vez no ano diante de excesso de oferta

Medida atingiu distribuidoras neste domingo e não provocou interrupção no fornecimento aos consumidores
Agora RN
23/08/2026 | 23:53

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou neste domingo 23, pela segunda vez em 2026, o plano emergencial para reduzir a geração de energia diante do excesso de oferta no Sistema Interligado Nacional.

A medida ficou em vigor das 11h às 13h30 e não afetou o fornecimento aos consumidores. As restrições foram executadas pelas distribuidoras para preservar o equilíbrio entre a quantidade de energia produzida e o consumo registrado durante o fim de semana.

Torres e linhas de transmissão de energia elétrica integrantes do sistema nacional
Linhas de transmissão do Sistema Interligado Nacional — Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Quais usinas foram afetadas

O plano alcança as chamadas usinas Tipo 3, conectadas às redes das distribuidoras. Estão nesse grupo pequenas centrais hidrelétricas, unidades movidas a biomassa e empreendimentos eólicos e solares de menor porte.

O ONS também reduziu a produção de usinas que estão sob seu controle direto. Segundo o operador, o procedimento é necessário quando a geração prevista supera a demanda e as medidas convencionais de ajuste não são suficientes.

O primeiro acionamento do ano ocorreu em 7 de junho, durante o feriado prolongado de Corpus Christi. Na ocasião, o gerenciamento atingiu mil megawatts entre 10h e 14h.

Crescimento da geração distribuída

O plano emergencial foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2025, após o avanço da geração distribuída, especialmente por painéis solares instalados em residências e empresas.

Essa modalidade reúne atualmente cerca de 50 gigawatts de capacidade instalada. O desafio apontado pelo ONS é que parte dessa energia não pode ser acompanhada ou controlada diretamente pelo operador nacional.

Em agosto de 2025, durante o Dia dos Pais, a geração distribuída chegou a representar 37,6% da demanda brasileira. Naquele momento, foi necessário reduzir a produção de hidrelétricas, termelétricas e quase toda a geração eólica e solar centralizada para evitar uma sobrecarga.

O ONS prepara agora um sistema automático chamado Esquema Regional de Alívio de Geração. O mecanismo poderá cortar até 3 gigawatts, em três etapas, quando as demais alternativas estiverem esgotadas. Um projeto-piloto deverá ser realizado até o fim de 2026.