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Economia

Produção de frutas no Baixo-Açu pode dobrar com novas tecnologias

Mudança no manejo, recuperação do solo e uso de bioinsumos podem elevar a produtividade do distrito irrigado em três anos; resultado dependerá das condições de cada área
Agora RN
25/08/2026 | 00:05

A adoção de novas tecnologias e a mudança no modelo de manejo podem criar condições para duplicar a produção do Distrito de Irrigação do Baixo-Açu (Diba), em Alto do Rodrigues, nos próximos três anos. O perímetro produz mais de 90 mil toneladas anuais de frutas e outras culturas e possui potencial para irrigar mais de 6,3 mil hectares. A projeção foi apresentada durante a terceira edição da Frut&Tec, encerrada na última sexta-feira 21. Promovido pelo Sebrae-RN e pela Associação do Distrito de Irrigação do Baixo-Açu (Adiba), o encontro reuniu produtores, técnicos, estudantes, empresas e instituições ligadas à fruticultura. O aumento da produção depende de um processo organizado de transição tecnológica. O trabalho envolve diagnóstico das propriedades, recuperação biológica do solo, melhoria do ambiente das raízes, uso mais eficiente da água, aplicação de bioinsumos e monitoramento dos resultados. O agrônomo e consultor do Sebrae-RN Kling Dantas afirma que a mudança não pode se limitar à substituição de fertilizantes ou defensivos por novos produtos. O objetivo é alterar a forma como as decisões são tomadas dentro da propriedade, levando em consideração as condições específicas do solo, da água e das plantas. “Trabalhando em um horizonte de três anos, desde que exista um processo organizado de transição tecnológica, o produtor trabalhando com diagnóstico, recuperação biológica do solo, melhoria do ambiente radicular, uso mais eficiente da irrigação, bioinsumos, monitoramento e ajustes contínuos, de maneira correta e adaptada à realidade de cada área, é perfeitamente plausível imaginar ganhos expressivos de produtividade e qualidade e, em determinadas situações, até mesmo a possibilidade de duplicar a produção”, afirma. O primeiro passo é identificar os fatores que limitam o desenvolvimento das plantas. A avaliação inclui análises do solo, das folhas, das raízes e da água, além da verificação de compactação, disponibilidade de nutrientes, presença de pragas e ocorrência de doenças. Somente depois dessa etapa são definidos os produtos, as tecnologias e as práticas que serão adotadas. O processo deve ser acompanhado por avaliações periódicas para verificar os efeitos das medidas e corrigir o manejo. Parte das propriedades do Diba ainda utiliza práticas desenvolvidas ao longo de décadas. Há limitações relacionadas ao crescimento das raízes, à absorção de nutrientes, à distribuição da água e ao controle de pragas, com reflexos sobre custos e produtividade. A proposta é produzir mais com os recursos já disponíveis, reduzindo perdas de água, fertilizantes e defensivos. Plantas com raízes desenvolvidas e nutrição equilibrada tendem a aproveitar melhor os insumos e a responder com maior produção e qualidade. “Não estamos falando simplesmente de substituir um produto por outro. Estamos falando de mudar o modelo de produção”, diz Kling Dantas. O secretário estadual da Agricultura, da Pecuária e da Pesca, Guilherme Saldanha, avalia que a disponibilidade de água, a incorporação de tecnologia e a proximidade dos portos podem ampliar a participação do distrito nos mercados nacional e internacional. “Estamos com esse incremento de novas empresas, com a tecnologia. E tem um detalhe importante: quem pensar em exportação está a 300 quilômetros de um porto. Quem está no Vale do São Francisco está mais distante, e esse custo de logística no Brasil faz toda a diferença”, afirma.

Frutas produzidas na região do Baixo-Açu
Ideia é diversificar e elevar a escala da fruticultura do RN na região do Baixo-Açu — Sandra Monteiro