A Agência Nacional do Cinema (Ancine) registrou como obra estrangeira o filme “Dark Horse”, cinebiografia ficcional do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No Brasil, o longa será distribuído pela Europa Filmes com o título “O Azarão”. O registro é uma etapa obrigatória para a produção, mas não autoriza, por si só, sua exibição nos cinemas brasileiros.
Para que o filme possa ser comercializado e exibido regularmente no país, a distribuidora ainda precisará solicitar à Ancine o Certificado de Registro de Título (CRT). Depois dessa etapa, a produção também deverá passar pela classificação indicativa do Ministério da Justiça.

Produzido nos Estados Unidos, “Dark Horse” tem 1h40 de duração e é dirigido por Cyrus Nowrasteh. Mesmo após a emissão do CRT e da classificação indicativa, o lançamento dependerá de acordos com exibidores para chegar às salas de cinema.
Filme é alvo de investigação
Além das etapas regulatórias, a produção também está no centro de uma investigação sobre seu financiamento. Documentos e mensagens obtidos durante apurações apontam negociações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A Polícia Federal investiga a origem e a destinação dos recursos utilizados na produção do filme. Na última sexta-feira 21, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o compartilhamento com a PF de provas obtidas em uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo.
Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade. Segundo as informações disponíveis, o registro da obra na Ancine não interfere nas investigações nem representa autorização definitiva para sua estreia nos cinemas.