O candidato à Presidência Renan Santos, do partido Missão, afirmou que há no Brasil uma quantidade expressiva de militares que recebem altos salários sem atuar no enfrentamento ao crime organizado. A declaração foi dada nesta segunda-feira 17, durante sabatina promovida pelo SBT News.
“O que mais tem no Brasil é militar vagabundo que não faz nada, que não está preocupado nem um pouco com o crime organizado no Brasil, mas ganha salário de general”, declarou.

Cofundador do Movimento Brasil Livre, Renan também criticou integrantes das Forças Armadas que, segundo ele, frequentam clubes militares, utilizam motoristas e evitam passar por favelas do Rio de Janeiro que deveriam ajudar a desocupar. Defendeu que os militares sejam incluídos em uma eventual nova reforma da Previdência — categoria que ficou de fora da reforma de 2019 e mantém regras próprias de inatividade.
Contas públicas e trabalho
Ao tratar do quadro fiscal, o candidato afirmou que supersalários e penduricalhos precisam ser discutidos, mas relativizou o peso do tema. “Falar de penduricalhos é fácil, falar de supersalários é fácil, mas nem de longe é o maior dos problemas.”
Renan criticou proteções trabalhistas previstas na Consolidação das Leis do Trabalho. Para ele, parte dos trabalhadores já recorre a outras formas de contratação diante das dificuldades do mercado formal: “As pessoas já estão precarizadas e procuram outros meios para trabalhar.”
Segundo o candidato, o varejo encontra resistência para contratar formalmente porque parte da população não deseja esse modelo e outra parcela combina benefícios sociais com atividades informais. A figura do Microempreendedor Individual, disse, foi uma saída encontrada pelos trabalhadores para “fugir da esparrela da Justiça Trabalhista”.
Ele defendeu a redução dos encargos sobre contratos formais e negou que a flexibilização resulte necessariamente em jornadas exaustivas: “Dá para estabelecer limite de jornada. Quanto mais flexibilização trabalhista, mais empregos e maior a remuneração.”
Sem cargo público, mas com centrão
Questionado sobre nunca ter ocupado cargo público, Renan apontou a liderança do MBL como credencial. “Há 12 anos eu sou o líder de um bloco político no Brasil. Eu tenho todas as condições para liderar uma nação.”
O candidato reconheceu que precisará estabelecer relação com os partidos do centrão para aprovar suas propostas e admitiu que não seria possível extinguir as emendas parlamentares. “Seria a coisa mais fácil dizer que não vou negociar com o centrão. Vou negociar, só que nos nossos termos”, declarou.
No encerramento, afirmou já ter escolhido um nome para comandar o Ministério da Fazenda, mas evitou revelá-lo: “Não vou citar hoje, senão estrago meu evento.”
As declarações se somam ao perfil que ele vem construindo desde a pré-campanha, quando afirmou querer ser o “Milei brasileiro”. A sabatina foi noticiada originalmente por O Correio de Hoje, em reportagem sobre as declarações do candidato do Missão.