Levar o celular para a cama e passar minutos ou até horas navegando nas redes sociais antes de dormir se tornou um hábito comum. Segundo dados da pesquisa Digital 2023: Global Overview Report, da DataReportal, que analisou 45 países, o Brasil está entre as nações com maior tempo de exposição às telas.
Apesar de parecer uma prática inofensiva, o uso de dispositivos eletrônicos durante a noite pode afetar a qualidade do sono e trazer consequências para a saúde cardiovascular. Noites mal dormidas estão associadas a um maior risco de problemas como hipertensão, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Isso acontece porque o sono é um período fundamental para a recuperação do organismo. Durante o descanso adequado, o corpo reduz a frequência cardíaca, controla a pressão arterial e promove o equilíbrio entre os sistemas nervosos simpático e parassimpático.
Segundo o cardiologista Dr. Roberto Yano, a luz emitida por celulares, tablets e outros dispositivos eletrônicos antes de dormir interfere na produção de melatonina, hormônio responsável pela regulação do ciclo do sono.
“O uso de celular e luzes artificiais em geral no quarto prejudica diretamente a qualidade do sono, que é um dos pilares da saúde cardiovascular. Quando a pessoa dorme mal de forma frequente, o organismo permanece em um estado de maior ativação, aumentando o estresse fisiológico e sobrecarregando o sistema cardiovascular”, explica.
Quando o sono é insuficiente ou interrompido, o processo de recuperação do coração pode ser prejudicado. Como consequência, há aumento de hormônios relacionados ao estresse, como o cortisol, além de maior favorecimento de processos inflamatórios que podem elevar o risco cardiovascular ao longo do tempo.
“Não é apenas a quantidade de horas dormidas que importa, mas também a qualidade desse sono. Um descanso inadequado compromete diversos mecanismos de proteção do organismo e isso pode repercutir diretamente na saúde do coração”, ressalta o médico.
Além do conteúdo consumido nas redes sociais, a própria iluminação dos aparelhos pode dificultar o descanso. A luz azul emitida pelos dispositivos eletrônicos reduz a liberação de melatonina, atrasando o início do sono e tornando o descanso menos profundo.
Com isso, muitas pessoas acabam dormindo mais tarde, acordando cansadas e acumulando períodos de privação de sono que podem se prolongar por semanas ou meses.
“Muitos acreditam que alguns minutos no celular antes de dormir não fazem diferença. Porém, quando esse comportamento se torna diário, ele pode comprometer o ritmo natural do organismo e afetar diferentes aspectos da saúde, inclusive a cardiovascular”, afirma.
Para melhorar a qualidade do sono, a recomendação é evitar o uso de celulares, computadores e tablets pelo menos uma hora antes de dormir. Também é indicado reduzir a intensidade das luzes do ambiente durante a noite e manter horários regulares para dormir e acordar.
Outros hábitos, como praticar atividade física regularmente, evitar o excesso de cafeína no período noturno e manter o quarto silencioso e escuro, também podem contribuir para um descanso melhor.
“Assim como alimentação equilibrada e atividade física, dormir bem é um investimento diário na saúde do coração. Pequenas mudanças de hábito podem trazer benefícios importantes para a qualidade de vida e para a prevenção de doenças ao longo dos anos”, conclui o cardiologista.