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Economia

Porto de Natal perde 13% do faturamento planejado sem empresa francesa

Com operação até outubro do ano que vem, empresa deve migrar para o Ceará; falta de defensas na Ponte Newton Navarro impede operação do terminal 24h por dia e interfere na arrecadação
Douglas Lemos
01/12/2022 | 00:05

Anunciada para o ano que vem, a saída da operação da francesa CMA-CGM no Porto de Natal causará queda equivalente a 13% no faturamento planejado para este ano, segundo a Companhia das Docas do Rio Grande do Norte (Codern). Prevista para outubro de 2023, a empresa deixará de operar no Porto de Natal após ter apresentado proposta à Companhia Docas do Ceará para arrendar uma área correspondente ao dobro da área do terminal da capital potiguar. Um dos motivos é a aquisição de novos navios que não são capazes de atracar no porto natalense; os que já atuam por aqui serão desativados.

Em entrevista ao AGORA RN, o brigadeiro Carlos Eduardo da Costa Almeida, diretor-presidente da Codern, afirmou que a demanda anual planejada pelo porto de Natal gira em torno de R$ 30 milhões e que a perda com o fato de a CMA-CGM deixar de operar na capital do RN é estimada em 13,3%. “Nós teremos um problema grave, uma perda estimada de R$ 4 milhões por ano de receitas para o porto de Natal. Preocupante, não pelos R$ 4 milhões, mas por conta da mão de obra que trabalha no Porto. Se calcularmos de forma arredondada, 250 operários, dos três sindicatos que operam conosco, mais os dependentes por família, você vai identificar um impacto em 1.500 pessoas. Desconsiderado o comércio local”, afirmou. Procurada, a empresa não comentou até o fechamento desta reportagem.

Ponte Newton Navarro 4
Falta das defensa na ponte Newton Navarro prejudica operação do Porto - Foto: José Aldenir/ Agora RN

De acordo com o diretor-presidente da Codern, o efeito da decisão pode ser tratado como grande e relatou ter conversado com federações, além das Pastas de Agricultura e Desenvolvimento do governo estadual e mesmo uma tentativa de se aproximar da governadora Fátima Bezerra (PT), sem sucesso. “Tentamos sensibilizar a governadora de que o Porto está aqui com uma função social e em prol do RN. Não tem nada de ideologia partidária. Nada disso. Estamos aqui para operar, para atender as demandas do RN na área de importação, exportação e até mesmo dentro do país”, disse.

Outra perda de renda da Codern foi com o arrendamento do terminal salineiro de Areia Branca. “Da receita da Codern, 75% era do terminal de Areia Branca, exportação de Sal. Aquele equipamento foi arrendado. Hoje eu vou receber só aluguel. Não tenho mais receita do sal, do todo. Só recebo uma fatia. Nós arrendamos o porto a partir de 1º de novembro. Estamos ainda por receber o primeiro arrendamento. Depende da quantidade de sal que a empresa vai exportar, de quantos navios vão atracar, se as salineiras vão colocar o sal suficiente na ilha, tem muitas variáveis”, avaliou.

Para tentar recuperar receitas, uma das medidas da Codern é tentar captar negócios do modal rodoviário, como o escoamento de sal por meio da navegação de cabotagem, que é o transporte marítimo entre portos brasileiros. Outra maneira identificada é de juntar os menores produtores do ramo da agricultura e também buscar viabilizar negócios com outros países. “Estamos recebendo um grupo de empresários etíopes que vão vir conhecer o porto. Estamos tentando prospectar negócios para tentar exportar para a África. São coisas que estamos fazendo no dia a dia”, pontuou.

DEFENSAS

Entre as questões que prejudicam a operação está a falta das chamadas defensas na Ponte Newton Navarro. Conforme disse Carlos Eduardo, estas defensas são barreiras que protegeriam as estruturas da ponte em caso de erros em manobras de navios. “O que isso provocaria? Além da segurança, que é prioritária, permitiria que o porto de Natal trabalhasse 24 horas por dia. Hoje o Porto de Natal opera de 7h às 17h. Isso é um impeditivo operacional grave. As empresas vêm para cá e analisam: às 17h eu não posso desatracar porque a ponte não me dá segurança. Isso é dinheiro que eles pagam atracados no porto. A diária é de US$ 30 mil. Na hora de uma empresa decidir se vem ou não para Natal, óbvio que ela coloca na ponta do lápis e decide”, frisou.

Consultado, o Governo do Rio Grande do Norte ainda não se manifestou a respeito das defensas. Questionado, também, a respeito das consequências econômicas do fim das operações da CMA-CGM e como o Executivo estadual recebe a notícia, o governo comunicou por meio de nota que não não recebeu qualquer comunicado oficial de empresa armadora, com operação através do Porto de Natal, sobre suposto encerramento de embarque de carga através do terminal localizado na capital, de gestão Federal, sob alegação de problemas diversos de logística e estrutural”. Ainda na mesma nota, afirmou que “é praxe desta gestão a abertura ao diálogo, especialmente necessário quando se trata de atividades com relevância econômica e social ao estado”.