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Crime

Polícia investiga se jovem do RN suspeito de matar homem em hotel em João Pessoa é realmente menor de idade

Perícia analisou características dentárias do adolescente, mas não conseguiu confirmar se ele já completou 18 anos
Redação
29/07/2026 | 10:02

O exame pericial realizado para tentar confirmar a idade do adolescente do Rio Grande do Norte suspeito de matar Washington Rodrigo, de 33 anos, em um hotel de João Pessoa, não conseguiu determinar se ele já atingiu a maioridade. O resultado foi considerado inconclusivo, segundo informou nesta quarta-feira 29 o perito Flávio Fabres.

A perícia utilizou características dentárias do suspeito para estimar a idade, mas os exames não apresentaram elementos suficientes para confirmar se ele tem mais ou menos de 18 anos.

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Washington Rodrigo, que trabalhava como motorista autônomo e morava em Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa. Foto: Reprodução

“Como ele está na transição da maioridade, infelizmente, com o exame não foi possível estabelecer maioridade do indivíduo, então o exame restou inconclusivo”, explicou o perito.

Segundo Fabres, o fato de o adolescente ter porte físico desenvolvido não foi suficiente para determinar a idade. Além disso, os elementos dentários analisados não permitiram uma conclusão definitiva.

Com o resultado, o suspeito continuará sendo tratado como menor de idade. A Polícia Civil informou que outros documentos, como registros apresentados por familiares e dados do histórico pessoal, serão reunidos para comprovar oficialmente a idade e encaminhados à Justiça e ao Ministério Público.

“Não tem nenhuma modificação maior em relação à conduta da polícia, porque ele já está sendo custodiado como se menor fosse e, na dúvida, a gente vai dar esse tratamento de menor para ele”, afirmou o perito.

Após o exame, o adolescente foi encaminhado para a ala destinada a menores de idade na carceragem da Polícia Civil, em João Pessoa, onde aguarda os procedimentos da Justiça da Infância e Juventude.

Transferência para João Pessoa

O adolescente chegou a João Pessoa na terça-feira 28, após ser ouvido pela Polícia Civil em Caicó, no Rio Grande do Norte. Ele havia se apresentado na 3ª Delegacia Regional de Caicó na segunda-feira 27, acompanhado de um advogado.

Segundo a Polícia Civil, o jovem afirmou em depoimento que matou Washington Rodrigo por medo de ter uma relação entre os dois exposta. Conforme o delegado Diego Garcia, responsável pelo caso, o adolescente disse que conheceu a vítima por meio de um site de relacionamentos.

Ainda segundo a investigação, o suspeito relatou que teria se sentido intimidado durante o encontro e utilizou uma arma de airsoft para exigir a senha do celular da vítima. A polícia informou que ele alegou acreditar que Washington teria feito registros do momento íntimo entre os dois.

De acordo com o delegado, o adolescente afirmou que usou o cabo de um secador de cabelo do hotel para estrangular a vítima. O suspeito teria dito que a intenção era apenas deixá-la desacordada para conseguir sair do quarto.

Após o crime, segundo a Polícia Civil, o adolescente tentou deixar o hotel utilizando o carro de Washington Rodrigo, mas não conseguiu conduzir o veículo e saiu do local a pé.

Durante a investigação, os policiais apreenderam uma pistola de airsoft, algemas e uma luva cirúrgica. Segundo a polícia, os objetos ajudaram na coleta de elementos que apontam a participação do adolescente no caso.

Antecedentes no RN

Durante coletiva, a Polícia Civil da Paraíba informou que o adolescente possui pelo menos 17 registros de ocorrências no Rio Grande do Norte.

Segundo os investigadores, ele já passou por unidade de internação destinada a adolescentes em conflito com a lei. Entre os registros estão atos infracionais semelhantes a furto qualificado, extorsão, perseguição (stalking), ameaça, violência doméstica e lesão corporal.

O caso

Washington Rodrigo foi encontrado morto na sexta-feira 24 dentro de um quarto de hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa. O corpo estava sobre a cama, com as mãos amarradas, um fio enrolado no pescoço e um pano na boca.

A Polícia Civil informou que o adolescente teria utilizado um nome falso para se hospedar no hotel e deixou o local sem registrar a saída.

Familiares relataram que Washington trabalhava como motorista autônomo e havia informado à mãe que faria uma corrida particular para Pipa, no litoral do Rio Grande do Norte, antes de desaparecer. O caso é investigado pela Delegacia da Infância e da Juventude de João Pessoa.