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Energia

Idema licencia segunda grande planta de hidrogênio verde do RN, em São Gonçalo do Amarante

Unidade da Atlântico poderá produzir 35,2 mil toneladas de hidrogênio e 200 mil de amônia por ano, mas ainda precisa de licença para operar
Agora RN
15/09/2026 | 08:16

O Rio Grande do Norte deu mais um passo para converter em indústria a energia renovável que produz. O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) concedeu a Licença de Instalação de uma unidade que vai produzir hidrogênio verde e amônia verde no município de São Gonçalo do Amarante, na região metropolitana de Natal. O projeto é da Atlântico Empreendimentos Imobiliários e se torna o segundo empreendimento de maior porte do setor a conseguir licença ambiental no Estado.

A planta terá área construída de cerca de 2 mil metros quadrados e capacidade prevista para fabricar, a cada ano, dois produtos: hidrogênio verde, aproximadamente 35,2 mil toneladas, e amônia verde, 200 mil toneladas.

Homem de camisa social azul-clara e crachá sorri apoiado em um poste branco, com construção de telhado vermelho ao fundo
Werner Farkatt, diretor-geral e presidente do Idema, que concedeu licença para a planta de hidrogênio verde em São Gonçalo do Amarante — José Aldenir/O Correio de Hoje

A licença vale por quatro anos. Com ela, a empresa pode construir a unidade, mas não pode começar a produzir. Para isso, vai precisar de outra autorização do Idema, a Licença de Operação. Segundo o diretor-geral e presidente do instituto, Werner Farkatt, os “estudos avançam”.

O projeto tramitava no órgão ambiental pelo menos desde fevereiro. Naquele mês, a Atlântico publicou no Diário Oficial do Estado o pedido de Licença de Instalação para a planta de hidrogênio e amônia verdes, a ser erguida no Condomínio Empresarial de São Gonçalo do Amarante.

Uma das condicionantes impostas no licenciamento é a prova de que toda a energia usada pela planta virá de fontes renováveis, exigência ligada diretamente ao fato de o hidrogênio poder ser chamado de verde. A empresa informou ainda que pretende usar água de reúso no processo industrial, e a licença prevê medidas para evitar e controlar impactos ambientais tanto na fase de construção quanto na futura operação.

A nova licença reforça uma lista de projetos que começou a crescer em 2026. Em abril, o Idema deu licença prévia ao Projeto Morro Pintado, da Brazil Green Energy, planejado para Areia Branca. A unidade deve ter capacidade instalada estimada em 500 megawatts e produzir 80 mil toneladas por ano, com investimento anunciado de € 2 bilhões, cerca de R$ 12 bilhões.

A autorização ao Morro Pintado ganhou vitrine internacional na Hannover Messe 2026, feira industrial realizada na Alemanha. O projeto junta a Brazil Green Energy e a Green Investors e tem entre os parceiros a Thyssenkrupp Uhde, a Siemens e a Andritz. Em junho, representantes da empresa voltaram a tratar do andamento do empreendimento com o governo potiguar e com a Fiern, a federação que representa as indústrias do Estado.

Paralelamente, o Estado procura identificar vantagens econômicas capazes de atrair empresas dessa nova cadeia de energia. Também em abril foi lançado o Atlas de Hidrogênio Verde do Rio Grande do Norte, iniciativa do Governo do Estado e do Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis, com parceria da Secretaria de Desenvolvimento Econômico com a Fiern e execução do Senai-RN.

O estudo estima um potencial teórico de produção de cerca de 90 milhões de toneladas anuais de hidrogênio verde, se forem consideradas todas as áreas classificadas como aptas no território potiguar. Num cenário mais cauteloso, com o uso de 10% dessas áreas, a projeção fica perto de 10 milhões de toneladas anuais. O atlas leva em conta fatores técnicos e econômicos e indica que os custos de produção podem ser competitivos na comparação com mercados internacionais.

O hidrogênio verde é produzido pela eletrólise da água, a separação das moléculas com corrente elétrica, usando eletricidade de fontes renováveis, como a eólica e a solar. Ele pode ser usado diretamente como insumo ou como combustível e também pode ser transformado em derivados, como a amônia verde, o que amplia as formas de armazenar, transportar e aproveitar na indústria a energia renovável.

Além das duas plantas maiores, a de São Gonçalo do Amarante e a de Areia Branca, o órgão ambiental já concedeu duas Licenças de Alteração a projetos que pretendem montar plantas-piloto, de escala menor, para hidrogênio e amônia verdes. O próximo teste será tirar do papel os projetos licenciados, primeiro com a construção e depois com a operação, para que o potencial energético identificado no Estado vire produção industrial.