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Tecnologia

Montadoras avançam em híbridos flex e inauguram nova fase de integração tecnológica no Brasil

Parcerias com chinesas aceleram desenvolvimento de modelos que combinam etanol, eletricidade e maior autonomia
Por O Correio de Hoje
14/04/2026 | 12:17

A indústria automotiva brasileira se prepara para uma nova etapa de integração tecnológica com a chegada dos veículos híbridos flex desenvolvidos em parceria com montadoras chinesas. A adoção de sistemas que combinam eletrificação e motores a combustão adaptados ao etanol tende a inaugurar um novo nicho de mercado e ampliar a competição no setor.

Nesta terça-feira (7), o presidente-executivo da Stellantis, Antonio Filosa, confirmou que modelos da Leapmotor produzidos em Goiana (PE) utilizarão motores de origem Fiat com capacidade para operar com gasolina e etanol. A produção está prevista para o primeiro trimestre de 2027.

Chinesas
Foto: Divulgação

A iniciativa marca a introdução, em escala local, dos chamados REEVs (veículos elétricos com extensor de autonomia). Nesse sistema, o motor a combustão não traciona diretamente o veículo, mas atua como gerador para recarregar as baterias, ampliando o alcance sem depender exclusivamente de pontos de recarga.

A tecnologia já foi apresentada no Brasil com o modelo C10 da Leapmotor, embora ainda restrita ao uso de gasolina. A expectativa é que o utilitário esportivo B10, recém-lançado por R$ 182.990, seja o primeiro a incorporar o conjunto híbrido flex com motorização desenvolvida pela Fiat.

A possibilidade de utilização do etanol como fonte energética para o sistema híbrido é vista como um diferencial relevante no mercado brasileiro, tanto pela redução de emissões de gases de efeito estufa quanto pela maior flexibilidade de abastecimento. Além disso, os modelos mantêm a possibilidade de recarga elétrica convencional.

Outras montadoras também avançam em projetos semelhantes. A parceria entre Renault e Geely prevê a introdução de modelos híbridos plug-in (PHEV), com produção confirmada em São José dos Pinhais (PR). O utilitário esportivo EX5 EM-I deve estrear em breve, inicialmente sem motorização flex.

No exterior, versões do modelo já registram consumo superior a 20 km/l mesmo com baixa carga de bateria, enquanto a autonomia no modo totalmente elétrico supera 100 quilômetros. A motorização flex está em desenvolvimento pela Horse Powertrain, embora ainda sem data definida para lançamento comercial.

A GAC Group também anunciou a produção de híbridos flex no Brasil, no complexo de Catalão (GO), com previsão de estreia no SUV GS3. Já o grupo Caoa trabalha na eletrificação de modelos das marcas Chery e Changan, incluindo uma futura versão eletrificada do Uni-T.

Entre as fabricantes chinesas com presença consolidada no país, a BYD desenvolve uma versão do Song Pro PHEV compatível com etanol, com lançamento previsto para o segundo semestre e montagem em Camaçari (BA). A GWM segue caminho semelhante, com projetos para os modelos Haval H6 e Tank 300.

O avanço simultâneo dessas iniciativas pode pressionar montadoras tradicionais que ainda não lançaram seus híbridos flex, como Volkswagen, Honda, General Motors e Nissan.

Pioneira nesse segmento, a Toyota mantém vantagem inicial com o Corolla Hybrid Flex, lançado em 2019, e com o desempenho recente do Yaris Cross híbrido, que parte de R$ 172.390.

Para Filosa, apesar do potencial das novas parcerias, a intensificação da concorrência levanta preocupações sobre a assimetria competitiva. Segundo ele, o avanço das montadoras chinesas resulta de um planejamento de longo prazo. “O governo chinês e as montadoras chinesas trabalharam durante 20 anos para planejar e implementar um ecossistema de produção, o que gera uma competitividade estrutural muito elevada”, afirmou.

O executivo defende a criação de mecanismos que equilibrem a disputa no mercado brasileiro, considerando o impacto da indústria automotiva sobre a cadeia produtiva local, que envolve milhares de fornecedores diretos e indiretos.

A convergência entre eletrificação e biocombustíveis, nesse contexto, posiciona o Brasil como um dos principais laboratórios globais para soluções híbridas, ao mesmo tempo em que redefine o ritmo e a dinâmica da competição no setor.