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Pets

Fogos de artifício podem causar convulsões e até morte de pets

Veterinária alerta para risco de fugas, convulsões, arritmias e agravamento de doenças em animais durante festas juninas e jogos da Seleção
Por Helliny França, O Correio de Hoje
15/06/2026 | 13:21

Festas juninas e Copa do Mundo são sinônimo de comemorações, reuniões familiares e celebrações. Para muitos tutores de pets, no entanto, o período também traz preocupação. O barulho dos fogos de artifício pode desencadear uma série de problemas de saúde nos animais e, em casos mais graves, provocar a morte de pets que já possuem alguma comorbidade.

A médica veterinária Tabita Freire explica que cães e gatos possuem uma audição extremamente sensível, o que faz com que ruídos intensos se tornem motivo de sofrimento.

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Cães e gatos têm audição mais sensível que a dos humanos e podem apresentar crises graves diante do barulho dos fogos de artifício - Foto: Magnific

“Em cães, vamos dizer assim, [a audição] é uma média duas vezes mais aguçada do que a nossa. Em gato ainda é pior, porque é cerca de quatro a cinco vezes mais”, afirma.

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Segundo a médica veterinária Tabita Freire, o estresse causado pelos fogos pode desencadear convulsões, arritmias, edema pulmonar e agravamento de doenças preexistentes. – Foto: Cedida

Outro fator que contribui para a reação dos animais é o caráter repentino dos fogos. Além do estampido, o clarão provocado pelas explosões também pode aumentar o medo e a ansiedade.

“Aquela claridade repentina também assusta, porque eles não entendem o que está acontecendo, não se preparam para aquilo, simplesmente surge”, explica.

Segundo a veterinária, alguns animais ainda possuem predisposição genética para desenvolver fobias e quadros de ansiedade. O risco de fuga é uma das maiores preocupações nesses períodos.

“Eles pulam muro, na hora do desespero, eles rasgam a tela, tentam fugir por onde tiver uma via de escape, sejam janelas ou portas. Se estiverem presos, eles podem se enforcar na própria coleira. [O risco de morte] é mais comum por atropelamento na hora da fuga e animais que são idosos e cardiopatas”, alerta.

Além das fugas, o barulho pode provocar crises de pânico, taquicardia, apneia, salivação excessiva e perda do controle da bexiga. Em situações mais graves, o quadro pode evoluir para convulsões, especialmente em animais idosos ou que já apresentam epilepsia.

“Tem a questão dos traumas que naquele momento que eles entram em desespero, eles podem se machucar, pode haver fratura, pode haver laceração de pele, pode haver queda de altura, enfim, os riscos são muitos”, destaca.

Para minimizar o sofrimento dos animais, a principal orientação é investir na prevenção. Tabita recomenda preparar o ambiente antes do início das comemorações, fechando portas e janelas, deixando a televisão ligada em volume mais alto para abafar os ruídos e disponibilizando um local mais protegido para o pet se abrigar.

Também é importante manter a rotina dos animais e, no caso dos cães, realizar os passeios antes dos horários de maior movimentação e queima de fogos.

“E em relação ao momento exato dos fogos é melhor agir naturalmente, manter a calma, deixar ele se aproximar, não deixar o animalzinho amarrado, e não forçar o contato. A gente, no instinto protetor, quer pegar, botar no colo. Não, não faz isso. Deixa que ele venha até você”, orienta.

Segundo a especialista, filhotes e idosos são mais vulneráveis aos efeitos dos ruídos intensos. Os filhotes possuem o sistema nervoso ainda imaturo, enquanto os idosos costumam apresentar doenças associadas.

“O idoso tem algumas comorbidades, principalmente cardiopatias. Alguns deles já têm o que a gente chama de disfunção cognitiva, que seria semelhante ao Alzheimer humano. São pacientes que podem não ser cardiopatas, mas são hipertensos, renais e mais suscetíveis a agravar suas patologias já preexistentes por causa do momento”, afirma.

A veterinária relata que já atendeu pacientes com complicações graves provocadas pelos fogos de artifício, incluindo convulsões, edema pulmonar, arritmias severas e ruptura de traqueia.

Quando procurar ajuda

Para animais que apresentam esse tipo de reação com frequência, o uso preventivo de medicamentos pode ser indicado, desde que haja orientação veterinária.

“O tutor pode e deve conversar com o seu veterinário e pedir para medicar o animalzinho previamente, dias antes de começar e dias depois de terminar”, explica.

Nos gatos, os sinais costumam ser mais discretos. Eles podem ficar escondidos, com pupilas dilatadas, apresentar agressividade incomum ou mudanças repentinas de comportamento.

“Você conhece o comportamento do seu animal. Se ele está acostumado a ficar isolado e de repente começa a ficar muito próximo, muito grudado, pode ser um sinal inicial. Ou o contrário, se ele é muito apegado e de repente se afasta, também pode ser um indício”, diz.

Já nos cães, é comum observar tremores, orelhas abaixadas, rabo entre as pernas, inquietação e busca por esconderijos.

“Se o animal começar a ficar mais ofegante, a arranhar portas e janelas tentando fugir, os tremores ficarem mais intensos. No caso dos cães, começam a latir desesperadamente. E os gatos dão aqueles miados, que parecem uivos desesperados, e começam a salivar muito”, alerta.

O tutor deve procurar atendimento veterinário de urgência caso o animal apresente dificuldade para respirar, língua arroxeada, perda de força, desorientação ou convulsões.

“Convulsão de qualquer espécie já é para correr para o hospital. Convulsão não espera em casa. Mas se perceber que ele está ficando fraco, que ele não está respondendo mais aos seus comandos, que ele está estranhando o ambiente, corra com ele para o hospital”, reforça a médica veterinária.