Presidente licenciado do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed-RN), Geraldo Ferreira (PTB) fez críticas à gestão da saúde no estado em entrevista ao AGORA RN. O médico, que concorre a uma vaga na Assembleia Legislativa nas eleições deste ano, disse que Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) não deveriam funcionar como hospitais e que isso só acontece porque persiste a superlotação.
“A assistência da Estratégia Saúde da Família [ESF] tem uma cobertura deficitária. Em Natal, por exemplo, é em torno de 60%, assim como em grande parte dos municípios potiguares. Às vezes, a entrega de fichas é de 15 em 15 dias. As pessoas se queixam da falta de equipe e de estrutura básica para funcionar”, explicou Geraldo Ferreira.

Nesse contexto, a superlotação da rede hospitalar influencia na qualidade do serviço prestado à população. “As UPAs não deveriam funcionar como hospitais. Elas são urgências de primeira linha, ou seja, a partir do diagnóstico o paciente deve seguir para hospitais. Contudo, a rede hospitalar está superlotada. Alguns pacientes chegam a passar até 60 dias em UPA. É uma situação que a população não aceita”, pontuou.
Na rede hospitalar, há ainda o problema das cirurgias represadas. Segundo o médico, são cerca de 20 mil pacientes em uma fila aguardando alguma cirurgia, desde procedimentos ortopédicos, até vesícula, hérnia, catarata, tireoide, entre outros. “Falta gestão também. Há empresas sendo contratadas sem nem ter histórico de prestação de serviços na saúde”.
De acordo com Geraldo Ferreira, esse é um dos motivos pelos quais ainda existe a crise na saúde pública, independente da pandemia neste momento. “Os leitos que foram aumentados durante a pandemia estão sendo fechados, assim como os profissionais de saúde que foram contratados nesse período estão sendo demitidos no Rio Grande do Norte, assim como no restante do Brasil”.
O subfinanciamento da saúde permanece. Mas o pior, conforme o médico, é o dinheiro mal administrado – já que há desperdícios e corrupção. “Um hospital, por exemplo, não tem autonomia para consertar uma torneira que vaza. Não há repasses, tudo é centralizado com as secretarias de saúde. Seria uma solução fazer repasses de recursos diretamente às unidades para conter estruturas precárias”.
A situação nas pequenas cidades é ainda pior. “Não há médicos suficiente e não há estrutura. O que existia, foi desativado. Nas cidades do interior, havia as chamadas Associações de Proteção e Assistência à Maternidade e Infância. Porém, a maioria foi desativada. Nessas unidades aconteciam partos e pequenas cirurgias”, disse.
É por causa da falta de atendimento e estrutura no interior que a população procura os grandes centros. “Porém, ninguém dá conta. Natal dimensiona a rede, por exemplo, para atender apenas moradores da capital, e então os leitos parecem suficientes, mas não são justamente por causa desse acúmulo de atendimentos de outros municípios”.
Segundo Geraldo Ferreira, antes da pandemia o cenário da rede hospitalar já era dramático. O que houve, segundo ele, não foi uma ampliação enorme de leitos. “Apenas tentaram cobrir um déficit que já existia. Mas não conseguiram”, afirmou. “Um exemplo é a questão da psiquiatria. Tivemos uma explosão de casos de depressão e um aumento nos casos de suicídios como fruto da Covid, já que houve desassistência durante 2 anos. Mas também vemos o poder público fechando leitos voltados para a saúde mental”, continuou ele.
Saúde é foco da população
De acordo com Geraldo, a saúde continua sendo o foco da preocupação da população brasileira, mesmo ao longo dos anos. “Nesta campanha política, estou nesse contato com todas as regiões do RN e realmente vejo que a saúde está em uma situação caótica. Estou tendo a oportunidade de conhecer mais profundamente as necessidades das comunidades para encaminhar soluções”, lamentou o médico.
Ainda de acordo com ele, o que existe é uma desassistência generalizada, um abandono da população. “O pedido de socorro chega a ser constrangedor”, frisou. Para o candidato, o número de leitos precisa aumentar de forma urgente. “Também precisamos criar hospitais de retaguarda para que a fila de cirurgias ande”.