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Eleições 2026

Allyson Bezerra promete realizar mutirão para destravar licenças no Idema

Pré-candidato diz que pretende zerar fila de processos no Idema, critica crise fiscal, defende regionalização da saúde, evita alinhamento presidencial e confirma Hermano e Zenaide na chapa
Por O Correio de Hoje
24/04/2026 | 17:25

O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra (União) afirmou que, caso seja eleito, uma das primeiras medidas de sua gestão será realizar um “grande mutirão” para destravar licenciamentos ambientais que, segundo ele, estão parados no Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema). A proposta foi apresentada durante entrevista ao “Especial Eleições 2026”, da TV Agora RN, em que o ex-prefeito de Mossoró procurou associar sua pré-candidatura a um discurso de gestão rápida, destravamento econômico e presença direta nas estruturas do governo.


Allyson disse que pretende mobilizar equipes técnicas logo nos primeiros dias de governo para analisar processos represados envolvendo obras, indústrias, empreendimentos privados, projetos de energia, mineração, infraestrutura hídrica e linhas de transmissão. “Nós vamos fazer um grande mutirão com equipes técnicas para destravar licenças que estão hoje na mesa do Idema”, afirmou. Segundo ele, a meta será “zerar a fila” dos licenciamentos parados no Estado.

Allyson Bezerra Ex Prefeito de Mossoró Pré Candidato ao GoveRio Grande do Norteo do RN (91)
Ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra, pré-candidato ao Governo do RN, em entrevista ao Especial Eleições 2026, na TV Agora RN Foto: José Aldenir


Na avaliação do pré-candidato, o represamento desses processos compromete a capacidade do Rio Grande do Norte de atrair investimentos e gerar empregos. Ele disse ter informações de que há “milhares” de pedidos aguardando andamento. “A meta será zerar a fila da quantidade de licenciamentos travados no Estado, porque aí sim o Estado vai passar a ter a condição de ver uma série de obras saindo do papel, de empresas sendo abertas, de extração de minerais, de parques eólicos tendo suas obras iniciadas”, declarou.


O tema foi apresentado por Allyson como parte de um pacote inicial de medidas de uma eventual gestão. Ele afirmou também que pretende adotar um modelo de governo com presença direta nas secretarias, despachando pessoalmente nos órgãos estaduais. “Logo nos primeiros dias de gestão, nós vamos estar presentes em todas as secretarias do Estado”, afirmou.


Questionado sobre a elaboração do plano de governo, Allyson afirmou que o deputado estadual Hermano Morais (MDB), anunciado como pré-candidato a vice-governador, está responsável pela coordenação inicial do processo de escuta e formulação. Segundo ele, Hermano terá a missão de dialogar com instituições, técnicos, lideranças políticas e pessoas de diferentes regiões do Estado.


Allyson afirmou que pretende apresentar posteriormente um grupo mais amplo, formado por quadros políticos e técnicos. “Nós vamos apresentar um time, político e técnico, vindo de diferentes regiões do Estado.”


O pré-candidato afirmou que o plano será “realista” e comparou a proposta ao que disse ter feito nas campanhas municipais em Mossoró. “Nós já começamos a planejar o ano de 2027”, disse.


Ao falar sobre as visitas ao interior que tem realizado dentro do projeto “167 Razões” — em referência aos 167 municípios potiguares, Allyson usou o exemplo de Goianinha para defender uma agenda de desenvolvimento baseada em infraestrutura. Ele afirmou que o Rio Grande do Norte regrediu ao deixar de contar com ferrovias para transporte de cargas, apesar de ter atividades econômicas relevantes, como mineração, sal, fruticultura e agricultura.


Para ele, o Estado precisa recuperar capacidade logística para escoar sua produção. “Infelizmente, o Estado regrediu. Nós queremos colocar o Estado realmente, objetivamente, no trilho do progresso e do desenvolvimento.”


Ele citou experiências vistas na China e na Europa para defender que infraestrutura é elemento básico de crescimento econômico. “É assim que acontece no mundo todo”, declarou.

Prefeitos, vereadores e lideranças

Questionado sobre quantos prefeitos apoiam sua pré-candidatura, Allyson evitou apresentar uma contabilidade. Disse que prefere falar em projeto político e em contato direto com a população. “Eu não sou de fazer política dentro de salas fechadas e salas frias. Eu sou de ir até as pessoas, de olhar no olho das pessoas”, afirmou.

Allyson Bezerra Ex Prefeito de Mossoró Pré Candidato ao GoveRio Grande do Norteo do RN (137)
Allyson Bezerra durante entrevista ao jornalista Tiago Rebolo, na TV Agora RN Foto: José Aldenir


Apesar disso, disse que tem buscado apoio de prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e lideranças políticas. Citou o caso de São Gonçalo do Amarante, onde ele tem o apoio do prefeito Jaime Calado (PSD) e de 16 dos 17 vereadores do município.


Allyson procurou, porém, relativizar o peso dos apoios formais. “Eu faço questão de valorizar as pessoas não pelo cargo que elas possuem, não pela posição que estão ocupando, mas pelo que elas podem agregar dentro do nosso projeto”, afirmou. Em outro momento, resumiu: “Não adianta contabilizar apenas números. Eu quero contabilizar sonhos.”

Chapa completa

Durante a entrevista, Allyson confirmou que Hermano Morais será o candidato a vice-governador em sua chapa, encerrando especulações sobre uma possível substituição. “Hermano é uma pessoa que já está contribuindo demais para o projeto e acredito que vai ser importante demais dentro da vitória que nós vamos ter”, declarou.


Sobre o Senado, reafirmou apoio à reeleição da senadora Zenaide Maia (PSD) e disse que a chapa pode ter apenas ela como candidata, apesar de em 2026 haver duas vagas em disputa. “Pode ser que a gente só saia com um nome. Sempre pontuei isso, porque eu não acho dificuldade de defender isso. Mas pode ser também que a gente saia com dois nomes”, disse.


O ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (União) foi citado como uma possibilidade. Allyson reconheceu a força eleitoral do nome, especialmente na capital potiguar. Ele lembrou que Carlos Eduardo teve quase 100 mil votos na eleição municipal de 2024 mesmo com pouco tempo de televisão e apoio partidário restrito.


Allyson disse que a decisão sobre o segundo nome será tomada “logo em breve”, mas evitou antecipar um desfecho. “O bom de um time é quando você possui bons jogadores para entrar em campo”, afirmou.


Outro nome abordado foi o do empresário Flávio Rocha (Novo), especulado nos bastidores como possível opção para o Senado. Allyson elogiou a trajetória empresarial de Flávio, que é dono do Grupo Guararapes, mas afirmou que nunca conversou com ele sobre política.


“Conversa com ele eu nunca tive, nem sobre política nem sobre qualquer outro tema”, disse. Ainda assim, deixou aberta a possibilidade de diálogo. “Se for entendimento dele ter essa conversa, esse diálogo com o nosso grupo, a gente pode conversar sem nenhum problema.”


O pré-candidato afirmou que não há veto prévio a nomes que queiram somar ao projeto. “Não há veto a nenhum nome que queira contribuir”, declarou. A restrição, segundo ele, seria apenas a quem viesse “para desagregar” ou sem compromisso com as bandeiras de mudança defendidas pela chapa.

Polarização e Presidência

Allyson também foi questionado sobre o enquadramento ideológico de sua pré-candidatura e sobre a disputa presidencial. Ele rejeitou a pressão para se alinhar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou ao bolsonarismo e criticou adversários que, segundo ele, tentam nacionalizar a eleição estadual.


“Essa narrativa que os dois candidatos colocam é tão mentirosa que nem eles mesmos acreditam nisso”, afirmou, em referência a Allyson Bezerra (União) e Álvaro Dias (PL). Para Allyson, os adversários insistem na polarização porque não teriam projeto próprio para o Estado. “O projeto é apenas ideológico, partidário, ou é projeto pessoal. Não têm projeto para o Estado.”


O pré-candidato disse que o eleitor está mais preocupado com problemas concretos, como saúde, emprego, educação e renda, do que com a cor da camisa ou a preferência ideológica de um candidato. “Você acha que quem está agora no corredor do Walfredo Gurgel, precisando de uma cirurgia, está preocupado se um candidato está vestindo camisa vermelha, amarela ou azul?”, questionou.


Sobre a eleição presidencial, Allyson afirmou que não pretende induzir o eleitor potiguar a votar em determinado nome. “Eu não tenho o intuito de estar induzindo nenhum cidadão potiguar a decidir o voto de presidente”, disse. Ele afirmou que cada candidato e cada aliado terá liberdade para defender seu nome na disputa nacional.


Allyson também destacou que administrou Mossoró durante os governos Jair Bolsonaro (PL) e Lula (PT). “Eu sei governar bem quando o presidente Bolsonaro estava no poder e sei governar bem quando o presidente Lula está no poder”, afirmou.


Ao responder declaração do ex-secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier, que o chamou de “bolsonarista enrustido”, Allyson evitou discutir diretamente o rótulo e atacou a gestão fiscal do governo estadual.


“Eu teria vergonha se eu tivesse aumentado o imposto do cidadão do Estado”, afirmou. Ele criticou o aumento de tributos e disse que a população sente os efeitos no supermercado e no combustível.


Allyson atribuiu a crítica de Cadu à tentativa de criar polêmica com quem está em primeiro lugar nas pesquisas. “Quem não tem proposta, quem não tem projeto, quem não tem ideia, fica muito no blá-blá-blá, fica muito na picuinha”, afirmou.

Saúde e Hospital de Mossoró

A saúde ocupou parte expressiva da entrevista. Allyson defendeu o Hospital Municipal de Mossoró como uma das principais entregas de sua gestão. Ele ressaltou que a unidade foi inaugurada em janeiro e começou a funcionar no dia seguinte. “Nós entregamos o hospital numa quinta-feira à noite e, sexta-feira pela manhã, o hospital estava com centenas de pessoas sendo consultadas, fazendo exames e sendo cirurgiadas”, afirmou.


Ele disse que o hospital já beneficiou mais de 4 mil pessoas e realizou mais de 350 cirurgias. Citou casos de mulheres com sangramento prolongado, pessoas com hérnia e pacientes com pedra na vesícula. “O fato é que nós entregamos um lindo hospital”, declarou.


Allyson também classificou o equipamento como “hospital escola”, por funcionar dentro do campus da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), ao lado do prédio do curso de medicina. “É um hospital belíssimo, está lá funcionando”, afirmou.


Em contraste com Mossoró, Allyson criticou duramente a situação do Hospital Municipal de Natal. A unidade foi inaugurada em 30 de dezembro de 2024 na gestão Álvaro Dias, mas ainda sem funcionamento. Ele afirmou que a unidade foi entregue simbolicamente, sem prestar atendimento à população.


“Até hoje não fez um exame de urina. Até hoje nenhum cidadão foi lá e fez um exame de sangue. Até hoje não teve um cidadão que tirasse um sinal em uma pequena cirurgia. Até hoje esse dito hospital municipal não fez uma cirurgia”, afirmou.


Allyson disse que, caso seja eleito, pretende procurar o atual prefeito de Natal, Paulinho Freire (União), já após a eleição, para ajudar na conclusão da obra e no funcionamento da unidade. “A partir do dia 5 de outubro de 2026, nós vamos buscar o prefeito Paulinho e eu vou colocar, já como governador eleito, a disposição para que a gente possa concluir o Hospital Municipal de Natal”, declarou.


Segundo ele, o governo estadual, em sua eventual gestão, será parceiro dos municípios e especialmente da capital. “O governo do Estado não vai ser trava para a cidade de Natal”, afirmou.


Allyson também defendeu a regionalização da saúde como caminho para reduzir a sobrecarga sobre Natal e Região Metropolitana. Segundo ele, a capital sofre porque os hospitais regionais não funcionam de forma adequada e não resolvem a demanda do interior.


“Hoje, a capital do Estado tem uma sobrecarga de saúde porque os hospitais regionais não funcionam na prática”, afirmou. Ele citou pacientes que precisam sair de Pau dos Ferros, Venha-Ver, Caicó e outras regiões para buscar atendimento em Natal.


Como referência, Allyson mencionou o modelo do Ceará, onde hospitais regionais conseguiriam resolver grande parte dos procedimentos sem obrigar o paciente a viajar para a capital. “Nós queremos fortalecer os hospitais regionais para que a gente consiga, de fato, resolver esse problema lá”, disse.


Ele também citou a experiência de Mossoró com mutirões de catarata. Segundo Allyson, ao assumir a prefeitura, havia cerca de 3 mil pessoas aguardando cirurgia. “Na terra de Santa Luzia, as pessoas estavam ficando cegas porque não conseguiam cirurgia de catarata”, afirmou. Segundo ele, a fila foi zerada.

Crise fiscal e investimentos

Ao tratar da situação fiscal do Estado, cujo orçamento está comprimido por despesas obrigatórias, com pouca margem para investimentos, Allyson defendeu gestão, organização da folha, revisão de processos e escolha de quadros técnicos qualificados. “O Estado precisa ser passado a limpo”, afirmou, ao comentar denúncias feitas por representantes sindicais sobre supostas distorções na folha estadual.


A Previdência foi outro tema de destaque. Allyson citou a experiência de Mossoró para defender que é possível reorganizar o sistema com gestão técnica. Segundo ele, quando assumiu a prefeitura, o município tinha uma dívida previdenciária de R$ 233 milhões. Ao deixar o cargo, afirmou, o instituto municipal tinha R$ 226 milhões em caixa.


“Como é que isso é possível? Primeiro, você precisa organizar a Previdência com gente técnica, com gente capacitada”, disse. Para ele, não se pode indicar pessoas para a área previdenciária apenas por amizade ou conveniência política. “Tem que colocar alguém com competência para fazer cálculo atuarial, para conversar com o Ministério da Previdência, para fazer uma análise criteriosa da folha.”


Questionado sobre o fato de a Previdência estadual envolver servidores de outros Poderes, Allyson disse que pretende chamar todos à mesa de negociação. Mas rejeitou responsabilizar Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas ou Assembleia Legislativa pela crise. “Eu não vou fazer essa política pequena de responsabilizar o Ministério Público, de responsabilizar o Tribunal de Justiça”, afirmou.


Segundo ele, o Executivo precisa assumir seu papel e dialogar com grandeza. “O Executivo tem que ter papel de grandeza, e papel de grandeza não é responsabilizar os outros por aquilo que é responsabilidade sua. É chamar cada um para conversar, apresentar números, apresentar o que está tomando de medida”, declarou.