O partido Novo do Rio Grande do Norte confirmou que o empresário Flávio Rocha, controlador do Grupo Guararapes, trabalha uma candidatura ao Senado nas eleições de 2026. O presidente estadual da sigla, Renato Cunha Lima, afirmou em entrevista à rádio 98 FM que o nome do empresário já está colocado para a disputa e que o partido trabalha agora para viabilizar sua candidatura dentro de um arco mais amplo de alianças.
Segundo Renato, a filiação de Flávio Rocha ao Novo e a transferência de seu domicílio eleitoral para o Rio Grande do Norte não deixam dúvidas quanto ao projeto político em curso. “Se ele se filia a um partido, se ele volta a ser eleitor do Rio Grande do Norte, é porque ele é pré-candidato. Eu não faria essa movimentação toda para ficar apto a ser candidato se não fosse para ser candidato. Evidentemente, ele é pré-candidato ao Senado da República”, afirmou, ao programa Repórter 98.

De acordo com Renato Cunha Lima, o Novo pretende apresentar na eleição um discurso voltado à economia, geração de empregos e redução do tamanho do Estado. Dentro dessa lógica, a ideia é apresentar Flávio Rocha como um nome com identidade própria, que vai além da polarização ideológica.
“Flávio Rocha pode se apresentar ao Rio Grande do Norte como um senador do emprego. Não é questão só de direita e esquerda. As pessoas acham que todo mundo vota de acordo com questões ideológicas. Ele teria um rótulo: senador do Rio Grande do Norte, senador do emprego”, declarou.
A construção dessa candidatura, no entanto, não ocorre de forma isolada. O Novo integra o grupo político que dá sustentação à pré-candidatura ao governo do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL), e as conversas passam diretamente pelo senador Rogério Marinho (PL), um dos principais articuladores desse campo. Renato reconhece que há uma tentativa de composição dentro da chapa majoritária, mas ressalta que o processo ainda está em andamento.
“Se houvesse (acordo), já teria sido anunciado. Isso é um processo de construção”, declarou.
A chapa liderada pelo PL na disputa eleitoral do RN conta, atualmente, com a seguinte configuração: Álvaro Dias ao governo e Styvenson Valentim (Podemos) e Coronel Hélio (PL) como candidatos ao Senado. A entrada de Flávio Rocha nesse arranjo exigiria ajustes e negociações. O Novo, segundo Renato, já chegou a propor alternativas.
“A gente apresenta para o grupo essa viabilidade eleitoral dele de tal forma que convidamos o Coronel Hélio para assumir a posição de primeiro suplente. Foi feito o convite. Ele disse que tem um sonho de ser candidato, e a gente tem que respeitar. Mas a realidade política se impõe e as pesquisas vão mostrando qual composição é mais viável”, explicou.
Apesar do esforço pela composição, o dirigente não descarta um cenário alternativo. Caso não haja acordo, Flávio Rocha pode disputar o Senado de forma independente. “Existe essa possibilidade. Essa talvez seja uma espécie de plano B. Mas essa possibilidade só vai acontecer quando a gente realmente exaurir todas as possibilidades de haver essa união”, afirmou.
A decisão final dependerá, segundo ele, de dois fatores centrais: a viabilidade eleitoral e a capacidade de inserção em uma estrutura política competitiva. “Uma coisa é estar dentro de uma conjuntura de uma candidatura capitaneada por um candidato forte. Outra é sair independente. Ninguém vai ser leviano de achar que vence sozinho”, disse.
Renato também destacou que a candidatura do empresário vem sendo construída com base em dados internos e avaliações de cenário. “A gente tem uma pesquisa muito robusta, quantitativa e qualitativa. Evidentemente que não posso mostrar os números porque não foi registrada, mas a gente tem nosso estudo. Flávio não teria feito esse movimento se não houvesse essa viabilidade eleitoral”, afirmou.
A expectativa do Novo é que o empresário passe a se expor mais publicamente nos próximos meses, com agenda política no Estado e participação em entrevistas. “Ele vai vir com agenda política, dar entrevistas, de dizer que está pronto e querendo. Acho que é a oportunidade. Veja só, Flávio Rocha tem 68 anos. Qual é a outra oportunidade que ele vai ter para ser? Ou é agora ou não é mais”, disse Renato.
Além da construção eleitoral, o dirigente aposta no histórico empresarial de Flávio Rocha como um diferencial competitivo. Ele destaca a atuação do empresário no setor têxtil e sua capacidade de articulação com o setor produtivo nacional como ativos importantes para o Estado.
“Flávio Rocha não precisa da política. Ele é um grande vencedor, o maior empresário vivo do nosso estado, emprega mais de 20 mil famílias. (…) Quando um investidor quiser vir para o Rio Grande do Norte, ele pode ligar para Flávio Rocha. O acesso que ele tem ao PIB do Brasil pode ajudar a trazer mais investimentos”, afirmou.
Enquanto articula a candidatura ao Senado, o Partido Novo também tenta se estruturar no Rio Grande do Norte. Renato Cunha Lima assumiu a presidência estadual há cerca de sete meses, após um processo de reorganização interna que incluiu a formação de uma nova direção e a ampliação da base de filiados.
“O partido estava sem diretoria, tinha pouco mais de 300 filiados. A gente teve que criar, constituir uma nova direção”, explicou.
A estratégia eleitoral da sigla é concentrar esforços na Câmara Federal. O Novo pretende lançar uma nominata de candidatos a deputado federal, mas não terá candidatos próprios à Assembleia Legislativa. “Nosso foco é eleger deputado federal, eleger senadores. Para estadual. Não vamos ter nominata para deputado estadual. Para deputado estadual, a gente, por questão estratégica, tem feito parceria com alguns deputados de alguns partidos do PL”, enfatizou.
Segundo Renato, essa escolha está relacionada à necessidade de o partido superar a cláusula de barreira, mecanismo que limita o acesso a recursos públicos e tempo de propaganda às legendas com baixo desempenho eleitoral. “O nosso objetivo principal é quebrar a cláusula de barreira. Para isso, precisamos eleger deputados federais”, disse.