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Entrevista
Empatia será tendência no pós-pandemia, afirma Ricardo Abreu
Um dos empresários mais tradicionais do mercado imobiliário potiguar analisa as tendências do setor de compra e venda de imóveis e mostra como a tecnologia será capaz de tirar as empresas da crise
Redação
13/07/2020 | 22:45

Desde que assumiu os negócios da família, ainda nos anos 80, o empresário Ricardo Abreu transformou a cara do setor imobiliário de Natal inovando não apenas a maneira de vender imóveis, mas entrando firme do segmento da administração de condomínio e na locação de residência.

Esse tripé foi o ponto de partida para que, há 10 anos, ele fosse convidado a integrar um pool de 16 imobiliárias no Brasil a realizar uma grande oferta pública de ações que, na época, levantou mais de R$ 700 milhões.

Com a crise financeira iniciada no governo da presidente Dilma Rousseff, Ricardo Abreu resolveu mais recentemente retomar para si a tradicional marca da família, voltando aos primórdios da empresa e trazendo na bagagem a experiência de ter atuado no mercado imobiliário em nível nacional.

Nesta entrevista ele fala dessa experiência e opina para onde o mercado imobiliário potiguar caminha no pós-pandemia.

AGORA RN – O senhor está entre as grandes referências do mercado imobiliário. Como acha que ele sobreviverá à pandemia do novo coronavírus?

Ricardo Abreu – Se existe um povo que está acostumado com crises é o brasileiro. Eu comecei a trabalhar no dia 1º de março de 1986, em plena crise de inflação de 90% ao mês, entrando em seguida o Plano Sarney, que foi uma devastação para as empresas, com mudança de moeda, entre outras coisas. Então, este foi o meu batismo. Por isso mesmo, eu acredito muito na superação do mercado imobiliário. E vou te dar uma informação em primeira mão: nós aqui fizemos o melhor mês do ano em junho aqui na imobiliária. E vários lançamentos estão na prateleira.

AGORARN – O senhor atribui esse resultado a que?

RA – Ao fato de já estarmos organizados em matéria de vendas digitais há já algum tempo. Isso possibilitou o trabalho em home office dos colaboradores e, diga-se, funcionou muito bem. Entramos nesse regime de trabalho no dia 17 de março, uma quinta-feira, lembro bem, e montamos rapidamente uma estrutura de trabalho remoto com os colaboradores. Não houve resistência ao vírus, nos adaptamos a ele a partir de uma operação voltada operacional e economicamente a esta emergência.

AGORA – Anos atrás, o senhor surpreendeu o mercado ao integrar a sua empresa à Brasil Brookers. Mais recentemente, o senhor readquiriu a empresa e hoje a informação que se tem é que a BR Brookers figura entre as ações que mais desabaram na Bolsa de Valores, a quarta para ser exato. Em outras palavras, fez um ótimo negócio ao entrar e outro ótimo negócio ao sair?

RA – Vamos lá, tentarei explicar o que aconteceu. Antes qualquer coisa, tenho que dizer que eu acho o mercado de ações uma coisa fantástica, pois não existe ninguém soberano. Quando a empresa com as ações na Bolsa vai bem, todo mundo granha; quando vai mal, todos saem perdendo. No caso da Brasil Brooker, fizemos uma coisa inédita no Brasil Juntamos inicialmente 16 empresas regionais, com seus diferentes portfólios, que se reuniram em torno de um mesmo CNPJ e fomos à bolsa. E foi um sucesso total.

AGORA – Mas, então, o que aconteceu?

RA – Aconteceu que ninguém esperava pela recessão que veio com o governo Dilma. Como consequência, o mercado imobiliário foi pego de surpresa. A BR Brookers, que vinha a 200 km por hora encontrou uma estrada cheia de buracos e, mais adiante, um muro de concreto. Ao bater nesse muro, o mercado imobiliário como um todo voltou muitas casas, se você imaginar um jogo de tabuleiro. Quem comprava imóvel passou a enfrentar problemas com os financiamentos e muitas empresas passaram a sistematicamente a perder valor. E o mercado, que reflete imediatamente essa situação no valor de seus papeis, sentiu a pancada na hora.

AGORA– E isso reflete o que exatamente na sua opinião?

RA – Reflete que se as incorporadoras vão muito bem, as empresas de venda também vão muito bem. Todas as empresas foram pegas por essa situação, entre elas a Brasil Brookers. E, lembre-se, essa queda não durou um ano, durou quatro, e isso fez toda a diferença. No ano passado começou a reagir, só que o coronavírus retardou tudo.

AGORA– Então, o senhor resolveu sair do negócio?

RA – Não, eu resolvi recomprar o negócio, tendo em vista a prioridade da companhia na área onde ela tinha mais lucro, no eixo Rio-São Paulo. Comprei a empresa e, junto com ela, a nome da minha família de volta. E, como costumo dizer para o meu time, lá no meio do oceano comecei a nadar de novo até voltar para a beira praia.

AGORA– Está sendo difícil?

RA – Tanto quanto prazeroso, eu diria. E, olha, voltamos muito fortes em setores muito conhecidos: locação, vendas e administração de condomínio, o tripé por meio do qual erguemos a nossa marca há mais de 40 anos.

AGORA– E mudou muita coisa desde então?

RA – Há, certamente. Hoje somos muito amparados pela tecnológica, que sempre foi uma vocação uma vocação nossa desde os primórdios, com a vantagem de uma empresa muita mais leve, ágil, totalmente voltada ao digital e, é claro, com um timing de decisões mais rápido do que na época da Brasil Brookers, já que agora as decisões são tomadas exclusivamente aqui.

AGORA– Mas o senhor diria que o fato de ter entrado na Brasil Brookers no melhor momento e saído dela também foi premunição?

RA – Prefiro chamar de “feeling” de negócio. Já houve um tempo em Natal que certas regiões eram melhores do que outras e deixaram de ser a partir do movimento da própria cidade. As coisas mudam e a gente acompanha as mudanças.

AGORA- Com toda sua experiência no mercado, o senhor diria para que lado aponta o horizonte dos negócios imobiliários neste momento?

RA – Tenho estudado a respostas do mercado passada uma grande crise. E vejo que novos produtos são criados. Foi assim no passado ao cabo da gripe espanhola de 1918, da depressão de 1930, da Segunda Guerra. A nossa diferença agora é a existência de um mundo digital, que mudou tudo. É preciso compatibilizar esse mundo aparentemente frio com empatia.

AGORA– E do ponto de vista imobiliário?

RA – Acho que os condomínios horizontais serão uma grande tendência de agora para frente. Porque as pessoas entenderam o que é ficar trancado em isolamento social por longos períodos de tempo, trancadas em apartamentos, sem ver o verde, poder caminhar, criar laços comunitários próximos. Criar um ambiente de interação, com qualidade de vida. O coronavírus nos mostrou que é preciso casas que possibilitem um melhor convívio familiar. Afinal, não sabemos se depois dessa crise outras virão.

AGORA– E, por fim, o que o senhor diria para empresários e consumidores neste momento tão delicado da economia?

RA: Eu diria: preserva o caixa, sem ele é a saúde da empresa que se compromete. E, claro, cortar todos os investimentos supérfluos. Olhar muito para seus custos, estudar formas de lipoaspirar as gorduras. E tentar manter o o quadro de funcionários. E, é claro, contar com a assessoria de um bom contador e de um bom advogado para tirar as dúvidas, rever contratos e negociar bem os fornecedores.

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