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Cultura Potiguar
Demonia e o bebê do Miduei
União dos estilos de Quel Soares, Isa Graça, Karla Farias, Nanda Fagundes e Karina Moritzen resultou na banda natalense
Ana Lourdes Bal
13/07/2020 | 00:02

“O nome surgiu depois de a banda já estar formada. Cada uma foi jogando opções, e o nome finalmente chegou”, conta Nanda Fagundes, guitarrista da banda Demonia. Além dela, o grupo é composto por Quel Soares (baterista), Isa Graça (guitarrista), Karla Farias (baixista) e Karina Moritzen (vocalista). Elas definem a banda como punk feminista.

“Vivemos em uma sociedade que é racista, machista e exploradora. Esse é um espaço que precisa ser ocupado. Durante toda a história, nos foi negado e privado de diversas maneiras. Por isso, nos sentimos muito bem ocupando nosso espaço de direito e mostrando nossa voz”, afirmam elas. “A conexão que temos é muito única, tanto musical quanto pessoalmente, e somos muito gratas umas às outras pelo caminho que estamos tomando, pois o mérito é todo nosso!”.

Um clássico da banda é a música “Bebê do Miduei”, homenageando a lenda natalense. Ela narra que, na época da inauguração do shopping Midway Mall, nascia um menino “diferente” em um hospital. Tinha barba e era peludo. Dizem que até chifres ele tinha. A enfermeira, ao se deparar com o recém-nascido, exclamou: “Que menino feio!”. Para surpresa de todos, o bebê respondeu: “Feio é o que vai acontecer na inauguração do Midway”.

Essa lenda fez parte da vida das integrantes e de vários natalenses. “É uma história que fez parte das nossas infâncias. Então, foi muito divertido contar essa história em forma demúsica para outras pessoas que não cresceram em Natal. A intenção é fortalecer um tipo de conexão entre os natalenses e sua cidade, criar um senso de identidade que às vezes, pela falta histórica de incentivo público para arte e cultura — tanto do governo quanto do município —, tem dificuldade de se desenvolver”, afirmam.

História da banda

Anteriormente, Karina e Karla participavam da banda Monstra, mas ela acabou, e Karla chamou outras meninas para montarem a nova banda. O primeiro show aconteceu em 2017, no aniversário de Quel. A fotógrafa Mylena Sousa fez um vídeo da música “Espaço Sideral”, e com isso, elas ganharam visibilidade. “Depois disso começamos a compor mais, fazer shows e turnês para levar nosso som a outras cidades e estados”, contam.

Após a gravação de “Sessões da Demonia”, com a produtora Bicho Grilo, apareceram convites para tocar em vários festivais. Elas foram para o Goiamum Treloso Rural (PE), o que rendeu uma citação no review pela Revista Rolling Stone. Já em 2018, após tocar no Dosol (RN), surgiu convite para gravar e assinar com a gravadora Flecha Discos, de São Paulo. E em 2019, elas tocaram no Abril pro Rock, abrindo o show da Pussy Riot e realizaram uma turnê para o Sudeste e Centro-Oeste do país. 

Sobre a pandemia, o grupo lamenta as 70 mil vidas perdidas e o aumento diário de novos casos e mortes por coronavírus. Todas elas estão em casa atualmente, respeitando o isolamento. A baterista da banda atualmente tem feito comidas veganas para o Salivas Veg e a guitarrista Nanda lançou um single no seu projeto paralelo Dextina. “Tem sido um momento de pausa pra banda, fazemos uma coisa aqui outra ali, e como somos uma banda independente para estarmos “vivas” precisamos estar em movimento, e esse não tem sido um período fácil de fazer isso. Cada uma está nesse momento focando no pessoal e esperando o fim da pandemia para retomar as atividades”, encerram.

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